Amarás o próximo?

Amarás o próximo?

Gilberto da Silva

É ainda poderosa a máxima bíblica “amarás ao próximo como a ti mesmo” posto que vivemos numa sociedade em que o egoísmo é muito forte. A competição, a busca pelo Belo (corpo perfeito, plásticas, dietas etc) e o impulso de destruição são condições de sobrevivência.

O egoísmo é uma forma de amor. O amor-próprio é considerado uma virtude para alguns e um vício para outros. Amar aos outros deve ser feito na mesma tonalidade que amar a si mesmo?

O amor a outro é uma forma de amar de redenção. “Assim me falou um dia o diabo:’Também Deus tem seu inferno: é o amor pelo homem’. E mais recentemente eu o ouvi dizer esta palavra:’Deus está morto; de sua compaixão pelo homem Deus morreu’.” – Assim Falou Zaratustra, segunda parte. Nietzsche

Nietzche num poema escreve:

“Ama-se somente aos sofredores,

só se dá amor aos que têm fome:

presenteia antes a ti próprio, ó Zaratustra!”

É provável -não sou um estudioso e sim um bem superficial conhecedor da filosofia deste filósofo alemão, que ele queria reforçar a contradição entre o amor dos outros e o amor por si próprio. Esta interpretação deve estar inclusive na obra do Erich Fromm.

Amor visto como amar ao próximo é citando Jostein Gaader, sentir a devoção e a dedicação completa pelo outro. Creio não existir o amor pedaço, o amor que se dá aos poucos. Ou é amor ou não é.

É um fazimento, é um tornar-se amante, mas também devemos tornar-se um amante de nós mesmo. Devemos amar nosso eu para amar o outro, na mesma sintonia, na mesma diapasão.

Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo é editor de Partes

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