Filhos do silêncio…Buscando a sintonia pelo diálogo

Foto: Omar Freddi

Filhos do silêncio…Buscando a sintonia pelo diálogo
por Madalena Carvalho

 

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Quem ama um visual precisa encantá-lo com a beleza das coisas, com flores, o cuidado com a aparência, pois estes são os sinais que este entende como afeto.

 

Madalena Carvalho é Consultora Organizacional, atuando em projetos de desenvolvimento e gestão de pessoas. Carreira executiva em empresas nacionais e multinacionais, destacando-se a Ford Brasil, onde exerceu suas atividades por 10 anos. Palestrante e conferencista em temas como Formação de Lideres, Motivação, Gestão Estratégica, Mudança Organizacional, Trabalho em Equipe, entre outros. Articulista em jornais e revistas eletrônicos. Consultora do portal Businesscom. Formada em Administração de Empresas (87) e Pós Graduada em Recursos Humanos, (89) pela ESAN Escola Superior de Administração de Negócios – São Paulo. Diretora da Carvalho & Lima Consultores Associados.

O maior problema que afeta os relacionamentos, sejam estes pessoais ou profissionais, é a falta de diálogo.

Acostumamo-nos com a rotina diária e pouco a pouco vamos deixando de dizer as coisas necessárias e nos tornamos filhos do silêncio e nem percebemos que este comportamento deteriora nossas relações com a família, amigos, colegas de trabalho, etc.

Se o ser humano desenvolveu completamente o idioma falado, foi justamente para se comunicar melhor com os seus semelhantes; e sua grande capacidade de aprendizagem deve ser utilizada para interpretar sinais de comunicação não ditos pela boca.
Podemos abordar a comunicação por diversos pontos de vista, mas vamos nos prender nos canais de comunicação que temos e que podem modificar e melhorar nossos relacionamentos.

Cada um de nós cresceu ouvindo uma série de informações que foram formando nossas crenças, valores, etc; todos estes dados nos entraram por três portas, de acordo com os sentidos que temos desenvolvido. Estas portas ou canais podem ser chamados de canal auditivo, visual e sinestésico.[1]

Cada pessoa reage e percebe os fatos de acordo com aquele canal mais desenvolvido, por isso, que é importante desenvolvermos nossa sensibilidade para percebermos o canal do nosso interlocutor e assim afinarmos a comunicação.

Como identificá-los e buscarmos uma sintonia perfeita?

Auditivo: São aquelas pessoas que valorizam a inteligência, o diálogo aprofundado e o bom senso. Por terem o canal auditivo desenvolvido não suportam barulho, vozes estridentes, ofensas. São os que possuem excelente memória para som e coisas que ouviram há muito tempo atrás.

Comumente podemos ouvi-los dizendo:

  • Abaixa o volume que este som está me irritando;
  • Eu me lembro muito bem o que você me disse…;
  • Que música linda! Reparou na letra?
  • Diz que me ama;
  • O que achou do meu trabalho?

O auditivo sente necessidade de ouvir. Quem ama este tipo de pessoa sabe que é importante dizer que o ama várias vezes. (pelo menos deveria saber). Com ele funciona muito mais as palavras ditas do que os gestos e coisas visuais, como flores, etc.

No trabalho é a mesma coisa, um líder sensível aos canais de comunicação de seus subordinados conseguirá motivá-los com resultados satisfatórios. O subordinado auditivo aprecia muito mais um elogio verbal que um diploma de reconhecimento.

Visual: As pessoas que possuem o canal visual desenvolvido apreciam o que veem, portanto, suas percepções estão na beleza, na estética, nos detalhes visuais. Suas escolhas são baseadas no belo, daí vem sua inquietação por uma casa desarrumada, por uma mesa de trabalho em desordem, em coisas fora do lugar, alguém mal vestido para lhe acompanhar.

Suas frases:

  • Nossa! Que bagunça essa casa;
  • Que carro lindo!
  • Adorei as flores do campo;
  • Recebi um e-mail do meu chefe que me emocionou.

O visual não se importa com o que ouve, mas se irritará ou se ofenderá com as coisas que vê.

Quem ama um visual precisa encantá-lo com a beleza das coisas, com flores, o cuidado com a aparência, pois estes são os sinais que este entende como afeto.

Nas relações profissionais o diploma, o bilhete, a medalha trará mais resultados que os “parabéns” verbais.

Sinestésico: Os sinestésicos são aquelas pessoas que centram suas experiências nas demonstrações físicas. Gostam de beijos, abraços, carinhos, aconchegos. Apreciam também o conforto e músicas lentas.

Podemos identificá-los quando ouvimos:

  • Me dá um abraço / um beijo!
  • Humm… que beijo gostoso!
  • Adorei seu perfume.

O sinestésico, talvez seja o mais prejudicado dos três, porque todas suas experiências são físicas, até porque se sente agredido quando não correspondido assim.

Além de reconhecer estes sinais precisamos compreendê-los e afiná-los com o nosso próprio sistema, porque normalmente interpretamos as reações do outro segundo o nosso canal desenvolvido.

O visual, por exemplo, não sabe se expressar com palavras, portanto, não espere dele palavras de amor ou reconhecimento, e assim acontece com os demais, conforme já comentado.

Se desejarmos estabelecer a harmonia em todos os níveis de nossa convivência não custa nada aprender a identificar estes sinais, no entanto, há uma regra extremamente eficaz para obtermos uma sintonia perfeita com todos a nossa volta, basta que saibamos respeitar as opiniões alheias, pois isto é uma das maiores virtudes do ser humano.

Devemos entender que as pessoas são diferentes, atuam diferentes e pensam diferentes; portanto, que saibamos nos abster de julgamentos e aprendamos apenas compreender.

[1] Cinestesia: Sentido pelo qual se percebem os movimentos musculares. Sinestesia: Relação subjetiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertença ao domínio de um sentido diferente. (Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa)

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