Filme de Terror?

Filme de Terror?
Por Adilson Luiz Gonçalves

Revista Partes – Ano V – fevereiro de 2005 – nº 54 

Adilson Luiz Gonçalves é engenheiro e professor universitário.Santos – SP
algbr@ig.com.br

Indivíduos, que se consideram superiores, reúnem-se para definir o destino dos que, iludidos, desconhecem suas reais intenções. Nas reuniões às claras eles desfilam uma retórica incongruente com seus atos, e uma austeridade incompatível com suas posses. Parecem pessoas ilustradas e bem-intencionadas, mas nos encontros secretos são extremamente ladinas e vorazes, em busca de proveito próprio. Creem-se membros de uma aristocracia moderna e vivem de criar benefícios para si, sustentados por pesados e múltiplos impostos para os outros. A justiça divina não os perturba… A justiça secular não os atinge, sabe-se lá por quê…

Parece um conto de Edgard Allan Poe?

A população vive assolada por seres que vivem do sangue do povo; não se enxergam nos espelhos; vivem rodeados de mortos-vivos, que cumprem cegamente suas ordens… São como vampiros modernos! Não temem a luz do sol. Frequentam igrejas, sem medo de água-benta e crucifixos – alguns até criam suas próprias, como forma de obter auto-indulgência. Não temem réstias – muitos, aliás, adoram comida francesa, de preferência saboreada lá. Não temem estacas de madeira, pois a cara-de-pau está em sua essência… Os incautos que, inocentemente, lhes abriram as portas e deixaram-nos entrar, são vendidos e obrigados a cavar as próprias sepulturas…

Seria uma nova versão do “Drácula”, de Bram Stocker?

Insaciáveis, legam sua herança macabra à “escolhidos”, construídos de pedaços de si próprios ou de lendas mal contadas, aos quais dão vida e cobram obediência e tributo eterno. Só que eles não tem a aparência assustadora – a cirurgia evoluiu muito desde o Século XIX -, embora continuem levando pânico às populações indefesas.

Mary Shelley guardava algum manuscrito secreto de uma nova versão de “Frankenstein”?

Esses “escolhidos” tornam seus mestres imortais, pois vivem de suscita-los e ressuscita-los, sempre que se sentem ameaçados.

Sinopse de um filme de vodu?

Às vezes eles chegam como se viessem de outro planeta, de uma civilização superior, capaz de mudar as coisas. Mas pouco depois iniciam uma escalada de destruição, cruéis e insensíveis…

H. G. Wells e “A Guerra dos Mundos”?

Se não destroem, tentam corromper oferecendo a realização de sonhos em troca de submissão eterna…

Um excerto do “Fausto”, de Göethe?

Sentindo-se acorrentada e impotente, a vítima é assediada por aves-de-rapina, que consomem seu fígado cada vez que ele se recompõe do ataque anterior…

Estamos diante de uma releitura de “Prometeu Acorrentado”?

São mutantes, sem serem o resultado de experiências genéticas. Assumem várias personalidades e formas. São fantasmas, sanguessugas, pragas de gafanhotos, infestação de vermes, espíritos malignos, que consomem a paz, a carne e a vida de inocentes.

Um novo “best-seller” de Stephen King?

Só que sua atuação afeta um público que não vêem e, quase nunca, os vê. Sendo assim, não se abatem ou amedrontam com as vaias. O aplauso dos parentes, amigos e sequazes lhes basta, embora quem pague os ingressos que os mantêm seja o povo, que nunca é convidado…

Mas o que é isso, afinal? Seria um filme de Roger Corman ou da Hammer, estrelado por Boris Karloff. Bela Lugosi, Lon Channey Jr., Christopher Lee, Peter Cushing, Ida Lupino ou Vincent Price, que tirava apenas uma noite de sono de crianças e adolescentes?

Não!

Olhando bem, está mais com cara de mais um dia na vida dos brasileiros honestos: as vítimas, bem entendido…

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