O Minimalismo dos festivais, por Iris Geiger

Há 40 anos de “Porta-Estandarte”

Iris Geiger da Silva é arquiteta na Administração Pública (Prefeitura Municipal de Santos). Foi componente do Órgão Técnico de Apoio do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos e desenvolveu a monografia “Santos à beira do oceano: particularidades de uma cidade portuária” no curso de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da UniSantos.
i_geiger@walla.com

O minimalismo está de roupa nova, volta em tons neutros e quentes, silhuetas mais soltas e descomplicadas. Não chega a ser um Helmut Lang, mas os ventos estão, sim, menos burgueses e mais limpos. Cores desérticas, cáquis, crus, amarelos e mostardas aparecem…

Este é um comentário de moda para o verão europeu – 2006. Duas coisas chamaram minha atenção: o minimalismo e o nome do estilista austríaco Helmut Lang.

Começando pela última, consta que Lang deveria estar trabalhando no mercado financeiro, mas acabou entrando na moda porque não conseguiu encontrar, em lugar algum, um casaco e uma camisa perfeitos. Foi então que ele decidiu fazer suas próprias roupas.

Nas artes plásticas, o objetivo do minimalismo é concentrar ao máximo a variedade em uma única imagem, reduzida em si mesma.

As formas geométricas são potencializadas ao extremo, de modo a eliminar qualquer referência figurativa ou subjetiva. A escolha do padrão cromático, às vezes de variações quase imperceptíveis, reforça a intenção dessa proposta artística.

O minimalismo se afasta da emotividade da arte abstrata. Um de seus maiores representantes, Ad Reinhardt, definiu a pintura minimalista como “não-representacional, não-figurativa, não-expressionista”.


Ad Reinhardt

Yellow Variations, 1941

www.artnet.de/artwork_images/717/86832t.jpg

Na música, Philip Glass é um dos mais conhecidos representantes dessa tendência. Na arquitetura, se destaca Ludwig Mies van der Rohe, juntamente com Le Corbusier (pseudônimo de Charles Edouard Jeanneret).

A idéia do “…vem, vamos embora, que esperar não é saber…” do compositor Geraldo Vandré também poderia ser entendida como minimalista aos moldes do “faça você mesmo”.

Vandré foi um mito da resistência à ditadura brasileira nas décadas de 60 e 70. Em 1966 venceu o II Festival de MPB da TV Excelsior com “Porta-Estandarte”, sua composição em parceria com Fernando Lona. Ainda há 40 anos atrás, no mesmo ano, sua música “Disparada”, interpretada por Jair Rodrigues, empata em 1º lugar com a “Banda” de Chico Buarque no Festival da TV Record. No ano de 1968, no Festival da TV Globo, apesar de ser favorita do público, outra música sua – “Caminhando (Pra Não Dizer que Não Falei das Flores)” -conquista apenas o segundo lugar. Perdeu para “Sabiá” de Chico Buarque e Tom Jobim.


http://www.tvebrasil.com.br/paranaodizer/musica.htm#

Há poucos anos atrás, quando o compositor Vandré já era um calmo sexagenário, ele afirmou a um jornalista que sua relação com os militares nunca foi política. A música “Caminhando” teria sido apenas um aviso: “Olha, gente, desse jeito não dá mais”.

  E hoje, será que depois do Carnaval, muda?

Vandré

Post Author: revistapartes