Os bons velhos tempos

Pedro Coimbra

Revista Partes – Ano V – 09/03/2006 como www.partes.com.br/colunistas/pcpadua/velhostempos.asp

Pedro Coimbra Pádua é natural de Lavras, 56 anos, aposentado de Furnas Centrais Elétricas, jornalista e escritor. Fez cinema novo em Minas Gerais e foi crítico de O Estado de Minas. Autor do romance “Sonhos da Noite” e segundo colocado no Iº Concurso de Contos Pena Aymoré., prepara-se para editar a coletânea de uma poesia e alguns textos publicados na imprensa, no livro “Navio Pirata”
ppadua@navinet.com.b

O escritor Paulo Rodarte tem dito que cada vez mais adoto uma direção de viés memorialista nos meus textos.
Estou cansado de saber que o passado é constituído de outras histórias mas agarro-me a ele como uma forma de não deixar que fique perdido em brumas densas.
É como uma forma didática de mostrar aos mais jovens, que a nossa vidinha de então, sem muita sofisticação, era bastante emocionante.
Quando Os Rollings Stones promoveram recentemente um mega show em Copacabana, poderia ter ido assisti-los, mas não o fiz.
Por um motivo muito simples. Quando jovem eu gostava de Os Beatles e ignorava solenemente Os Rollings Stones. Questão de gosto!
Recordo-me que numa festa na casa do Fabinho Mesquita, onde todos foram para seu quarto ouvir o último disco do conjunto e eu fui pra sala.
Na verdade muito antes desse acontecimento eu, Luciano Carvalho, Mozar Terra e Edilce Mesquita  gostávamos muito mesmo era de Bossa Nova: Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Jonhy Alf, , Sambalanço Trio, Zimbo Trio, Sérgio Ricardo, Gilberto Gil, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Teo de Barros, Torquato Neto, Heraldo do Monte, Airto Moreira e outros.
Em 1965, assisti no Rio de Janeiro ao segundo filme de Os Beatles, Help!, a cores, dirigido por Richard Lester, que alguns jornalistas teimavam de chamar de Socorro!, o que, evidentemente, não colou. Uma história bobinha em que Ringo ganha um anel de uma fã, e sem querer, acaba se envolvendo com uma seita que quer matar quem estiver usando esse anel. Uma correria louca! Os Beatles são perseguidos por todo o filme, esquiam, no que pretende ser uma comédia, mas que serve mesmo para divulgação das músicas dos jovens de Liverpool.
São deste período Help!, The night before, You’ve got to hide your love away, I need you, Another girl, You’re going to lose that girl, Ticket to ride, Act naturally, It’s only love, You like me too much, Tell me what you see, I’ve just seen a face, Yesterday e Dizzy Miss Lizzy.
Logo a beatlemania fez a cabeça dos jovens e dominou todo o Brasil. Yesterday passou a ser o carro chefe de todas as serenatas para as amadas apaixonadas, mesmo que fosse cantada um tanto ou quanto desafinada…
Os Beatles representaram o começo de uma brutal mudança nos hábitos e costumes no mundo todo e marcaram de vez os anos 60. De repente tudo foi dominado pela juventude. A atitude passou a dominar, com Jean Seberg, Natalie Wood, Audrey Hepburn, Anouk Aimée, Twiggy, Jean Shrimpton, Veruschka, Joan Baez, Marianne Faithfull e Françoise Hardy.
Para quebrar de vez com o arzinho bem comportado das moças casadoiras surgiu à minissaia, que maravilha!
Foi por está época, no finalzinho de 1965, que Hércules, o Capitão Gancho, presidente do Retiro Literário e Recreativo Sinval Silva, do Instituto Gammon, me convidou a apresentar uma festa no Auditório Lane Morton.
Fizemos um roteiro e minutos antes da apresentação um dos componentes do grupo musical, o Cacá Bertolucci, me pediu que trocasse o nome de Os Apaches para Os Fantásticos.
Apresentaram-se e deram um show! Os Fantásticos era formado pelo Cacá Bertolucci, Wagner Camisão, Jofrinho, Fausto Novaes e Jéferson. Começava aí, a carreira de um conjunto musical que na onda do ié-ié-ié fez muito sucesso, tocando também Tijuana Brass e já empresariado pelo Alfeu Alves Pereira gravou disco e apresentou-se em muitos lugares.
O mais triste destas recordações foi lembrar a morte prematura do jovem baterista de franjinha a la Os Beatles, o Jofrinho…
Muitos anos depois meu filho Ricardo me deu uma coletânea de toda a obra de Os Beatles, que sempre ouço, principalmente Ticket to ride, que é a minha música preferida. A letra numa tradução bem simplezinha, começa assim: “Eu acho que vou ficar triste/ Eu acho que vai ser hoje/ Yeah/ A garota que está dirigindo me enlouquece/ Vai embora/ Ela tem bilhete para montar/ Ela tem bilhete para montar/ Ela tem bilhete para montar,/Mas ela não tem medo.” As letras das músicas de John Lennon e Paul McCartney pareciam despretensiosas perto das dos bolerões e do início das músicas com fundo social que tocavam nas rádios.
Sem dúvida, os bons velhos tempos eram os de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr…

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