Bienal Brasileira de Design

I Bienal Brasileira de Design, em São Paulo, abre suas portas para visitação

 

A I Bienal Brasileira de Design, em São Pulo no espaço da Oca, no Parque Ibirapuera, abre suas portas para o público, hoje, dia 20 de junho, podendo ser visitada até o dia 6 de agosto. O evento, cuja solenidade de abertura ocorreu ontem à noite, é uma realização conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC).

 

A partir desta terça-feira, dia 20 de junho, até o dia 6 de agosto, São Paulo sediará a I Bienal Brasileira de Design, no espaço da Oca, no Parque Ibirapuera. O evento é uma realização conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC). A I Bienal Brasileira de Design conta com os nomes de José Mindlin, empresário paulista, como presidente de honra; Plínio Musetti, ex-CEO e presidente da Atlas Schindler S.A, como presidente executivo; e Fabio Magalhães, secretário adjunto da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, como curador geral.

 

A abertura da mostra ocorreu ontem, segunda-feira, dia 19 de junho, no auditório da Oca e contou com a participação, durante a solenidade, do ministro interino do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Ivan Ramalho; do presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo, Carlos Salles; do curador geral da Bienal de Design, Fábio Magalhães; da diretora do Departamento de design do Centro George Pompidou, Marie Jousset; do assessor da Presidência da Petrobras, Irani Varella; do presidente executivo da Bienal, Plínio Musetti; do presidente de honra da Bienal, José Mindlin; entre outras autoridades.

 

Carlos Salles destacou a importância da inovação para o desenvolvimento e competitividade do país, salientando que “estamos avançando em uma série de eventos de inovação, que têm no design um capítulo importantíssimo, pelo seu diferencial competitivo”. Para ele, vivemos uma grande cruzada em favor do Brasil e da inovação, sendo o design o valor agregado que vai fazer a diferença no desenvolvimento brasileiro.

 

Fábio Magalhães falou que “grandes designers nos orgulham para seguir com o design brasileiro”. Segundo o curador-geral, os produtos brasileiros estão sendo mundialmente produzidos e reconhecidos e o objetivo com iniciativas como a Bienal é fazer com que o design seja cada vez mais competitivo. Magalhães acrescenta, “esta Bienal abre o processo para as novas edições. Esta exposição não se encerra nela mesma, ela inicia um ciclo, que poderá identificar outros aspectos do design para que ele avance com maior qualidade e competitividade”.

 

Marie Jousset falou sobre a mostra internacional sobre Charlotte Perriand, destacando que Charlotte teve uma carreira muito forte e participativa e salientou que esta Bienal apresenta seu trabalho de maneira muito representativa. Ao que acrescentou que foi um trabalho conjunto que resultou no belo trabalho presente na exposição.

 

Irani Varella ressaltou que a Petrobras é “a sétima empresa de petróleo no mundo” e que tem em sua base “a internacionalização, que vem se acelerando nos últimos anos”. Para ele, é “através dos valores da cultura brasileira que a Petrobras se sustenta no mercado internacional, fortalecendo sua presença no Brasil e no exterior”.

 

Plínio Musetti enfatizou que Bienal de Design tem características estimulantes para o Brasil, “além da inovação, é também incentivador da criatividade, comunicação e tecnologia”. Musetti comenta que o design agrega valor aos produtos e que o talento brasileiro está exposto na Bienal, permitindo ao mundo inteiro a chance de conhecê-lo.

 

José Mindlin falou que esta Bienal retrata o desenvolvimento do design brasileiro e do desenvolvimento do Brasil, desde a segunda metade do século 20. Segundo ele. “tudo o que se realizou desde a era JK faz do Brasil outra nação. E isto aconteceu também com o design”.

 

Ivan Ramalho citou alguns dados, destacando que “a intenção de realizar esta mostra está na linha estratégica do governo federal, tendo em vista sua forte valorização ao design brasileiro”. Ramalho falou que o País alcançou a marca dos 130 bilhões de dólares de exportações, sendo 70% deste montante de produtos industrializados e cerca de 50% de produtos manufaturados, nos quais o design tem uma importância parcela.

 

I Bienal Brasileira de Design

 

A I Bienal Brasileira de Design tem a missão de difundir e promover o design brasileiro, e torná-lo mais conhecido no País e no exterior. Segundo Fábio Magalhães, “o design agrega valor aos produtos produzidos pela indústria brasileira e é fator importante para o desenvolvimento social, cultural e econômico do Brasil”. Nesse sentido, acrescenta: “a Bienal pretende transformar-se em fórum privilegiado de conhecimento e de debates, envolvendo não apenas designers e empresários, mas toda a sociedade, para que ela seja cada vez mais consciente e crítica frente aos objetos que consome”.

 

Para o curador geral, é crescente o número de empresas brasileiras que estão utilizando o design como modo de desenvolver novas tecnologias, de diminuir custos de produção e melhorar a competitividade de seus produtos mundialmente. O design contribui, também, para o emprego correto dos insumos e, no desenvolvimento dos projetos, procura sempre estabelecer uma relação de sustentabilidade ambiental e de racionalização no consumo de energia para a sua produção.

 

“Graças ao design, inúmeros produtos brasileiros receberam prêmios internacionais e muitos deles estão sendo adotados e produzidos no exterior, com sucesso”, afirma Magalhães. Segundo ele, há uma enorme diversidade de produtos que são apresentados pelo parque industrial brasileiro demonstrando desenvolvimento tecnológico mesmo em áreas de enorme competitividade internacional como as indústrias automotiva, aeronáutica e de equipamento médico.

 

Mostra de Design – Durante a Bienal, será realizada a Mostra de Design, um conjunto de exposições com cerca de 600 peças de design de produto e de comunicação, formando um rico conjunto da produção brasileira na área. Ocupando um espaço de 8.000 m² e abordando nos seus painéis a riqueza e a diversidade da produção do design brasileiro, a mostra volta-se tanto para os aspectos históricos da sua formação como para a contemporaneidade.

 

A exposição ocupa todo o espaço expositivo da Oca e inicia com uma representação da produção popular, no painel Nosso Saber Fazer, sob curadoria de Joice Joppert Leal, que trata das raízes culturais brasileiras e representa uma das fontes para a criação do design. O critério abordado analisa conjuntos temáticos e os modos de produção, restrita aos produtos de produção popular que possuem forte relação com o tema da Bienal que é o design. Sob a mesma curadoria, o painel Um Olhar Sobre a História do Design Brasileiro presta homenagem ao pioneirismo das idéias de Rui Barbosa e das realizações de Santos Dumont e expõe produtos de designers brasileiros que se destacaram a partir do modernismo até o ano 2000. Como destaque, estão os trabalhos considerados, hoje, históricos de John Graz, Warchavchik, Lasar Segall, Flávio de Carvalho, Lívio Levi, Geraldo de Barros, Sérgio Rodrigues, José Zanini, Michel Arnauld, Lucio Costa, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, entre outros.

 

Produção Atual do Design é o painel voltado à produção contemporânea, com a curadoria de Marili Brandão, que procura abordar de modo abrangente a diversidade da produção contemporânea, incluindo objetos realizados nos últimos 6 anos, já no século XXI. O destaque fica com os produtos premiados no Brasil e no exterior e os assinados por Carlos Motta, Enzo Grinover, Fernando Prado, Cláudia Moreira Salles, Guto Índio da Costa, Fernanda Sarmento, Antonio Bernardo, Giovanni Bianco, Etel Carmona, Fernando e Humberto Campana, entre outros.

 

Para o painel Aspectos Tecnológicos, Zoraida Viotti realizou uma curadoria que mostra a complexidade de determinados projetos e a sofisticação dos meios empregados na produção, que muitas vezes envolve procedimentos elaborados e de alta tecnologia para a realização de produtos aparentemente muito simples. No setor de máquinas, de produtos hospitalares, na robótica, na informática, entre outros, os projetos realizados no Brasil usam tecnologia de ponta e são competitivos em nível mundial. Um dos destaques fica por conta dos produtos hospitalares desenvolvidos pelo Hospital Sarah Kubitschek de Brasília.

 

Outro Painel presente nesta Bienal mostra a riqueza e a diversidade do desenho gráfico brasileiro que é detentor de inúmeros prêmios internacionais. Francisco Homem de Melo, curador do segmento de Design Gráfico, procurou, através de 10 painéis, mostrar os diversos aspectos da produção gráfica contemporânea. Fabio Mestriner, curador do painel de Embalagens, apresenta uma síntese rica da produção nacional, mostrando um aspecto cada vez mais significativo na relação homem-objeto e parte importante em todas as estratégias de venda.

 

Exposição Charlotte Perriand

 

A Mostra de Design da Bienal inclui, ainda, uma exposição especial em homenagem a Charlotte Perriand, uma das figuras mais importantes criadoras do design mundial no século XX, organizada pelo Centre Georges Pompidou, de Paris. Traz uma ampla visão da trajetória de sua vida, dos seus projetos e de suas idéias. Charlotte trabalhou no escritório de Le Corbusier e conviveu com arquitetos e designers brasileiros. Trabalhou com Lúcio Costa na Casa do Estudante Brasileiro na Cidade Universitária de Paris, desenvolvendo o mobiliário e os ambientes do edifício. Viveu no Rio de Janeiro, durante um curto período, quando desenhou móveis para o seu “apartamento do Rio”, cujo projeto teve a colaboração de Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, e terá parte exposta na Bienal.

 

Fórum Design Brasil Competitivo

 

Promovido pelo MBC, o Fórum Design Brasil Competitivo integra a programação da Bienal, reunindo um conjunto de seminários a serem realizados no mês de julho, voltados para discutir temáticas associadas à questão do design como fator de competitividade. O Fórum também inclui uma Reunião Plenária de Planejamento Estratégico do Programa Brasileiro de Design (PBD), promovida pelo MDIC, tendo por objetivo a validação da nova Política Nacional de Design e reorganização do PBD, concluindo o planejamento estratégico.

 

Uma missão internacional de jornalistas, formadores de opinião e compradores, originários dos principais mercados de interesse da promoção das exportações brasileiras de serviços de Design está prevista. Ela será viabilizada pela participação da Associação das Empresas Brasileiras de Design (Abedesign), por meio de um convênio com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). A ação inclui a participação do grupo no evento e em visitas às principais empresas e entidades relacionadas ao tema no Brasil, e tem, entre seus objetivos, estimular uma imagem positiva a respeito da produção de design no País.

 

Ação Educativa e Catálogo Design Brasil

 

A mediação com os visitantes é um fator decisivo para o sucesso de uma grande mostra. Para tal, o plano da Ação Educativa prevê atividades com diversos grupos e segmentos sociais. Será também produzido um Catálogo Design Brasil, exibindo as peças expostas na Bienal apresentando seus aspectos técnicos e comerciais.

 

Design e competitividade

Segundo dados da coordenação-geral de Design e Gestão Ambiental do Departamento de Setores Intensivos em Capital e Tecnologia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SDP/MDIC), o design é forte elemento de competitividade empresarial, em especial para os segmentos pressionados pela concorrência internacional. É um diferencial estratégico visto que possibilita a otimização no uso de matéria-prima, melhoria nas fases de projeto e de produção assegurando melhores níveis de satisfação do cliente. O design é o diferencial que propicia maior valor agregado às exportações, promovendo a oferta de produtos diferenciados e inovadores, sendo de fundamental importância para a criação de uma identidade e uma imagem favorável que agrega valor ao produto nacional. 

 

Uma pesquisa divulgada em novembro de 2005 (realizada entre outubro de 2004 e março, com dados referentes ao ano de 2003) pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que as ações de design têm sido fundamentais para elevar a competitividade da indústria brasileira. A pesquisa Indicadores de Competitividade da Indústria Brasileira mostra que, em 2003, cerca de 50% das 743 empresas de micro, pequeno, médio e grande portes entrevistadas investiram em ações de design.

 

Com relação aos investimentos em design, os resultados também apontaram para uma tendência de aumento. Quanto aos recursos aplicados em 2003, a pesquisa mostrou que 18,7% das empresas investiram mais de 2% do faturamento bruto em design. Quanto à percepção dos resultados para a empresa após realizar investimentos em design, a pesquisa apontou que em mais da metade dos casos houve aumento de vendas ou do faturamento bruto. A pesquisa mostra que 55,6% dos estabelecimentos de médio e grande porte constataram que o design ajudou a elevar o faturamento, contra 55,6% de micro e pequenas.

 

O Movimento Brasil Competitivo

 

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) foi criado em novembro de 2001 e é reconhecido como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), voltada ao estímulo e ao fomento do desenvolvimento da sociedade brasileira. Certificado pela ISO 9001:2000 desde novembro de 2004, o MBC tem como objetivo principal viabilizar projetos que visam o aumento da competitividade das organizações e da qualidade de vida da população. Mais informações sobre o Movimento Brasil Competitivo podem ser obtidas no site www.mbc.org.br. 

 

SERVIÇO: I BIENAL BRASILEIRA DE DESIGN

Data: 20 de junho a 6 de agosto de 2006

Local: Espaço da Oca, no Parque Ibirapuera – São Paulo/SP

Horário funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

Entrada Gratuita

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3326.0121 ou pelo e-mail bbd@mbc.org.br.

Post Author: revistapartes