Lucros dos Banqueiros X Melhorias para a Maioria da População

Por William Jorge Gerab

publicado em 13/08/2007
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Sociólogo, com especialização em Gestão Ambiental e funcionário público municipal aposentado.
wjgerab@terra.com.br

É impressionante como nos últimos 12 anos e oito meses os Presidentes da República de plantão são ciosos de resguardar os interesses dos banqueiros.  O atual Presidente, em segundo mandato, cutuca o seu predecessor (mandatário por oito anos) por ter ajudado os banqueiros com um tal Proer, enquanto ele próprio estaria se saindo melhor, pois os lucros dos bancos tornam essa ajuda, ridiculamente, desnecessária. Trata-se, portanto, de uma disputa para ver quem demonstra maior identidade de interesses e de classe com os banqueiros. Na verdade, ambos parecem tentar exibir vocação e talento de banqueiros.

 

Isso demonstra que, se é que há mesmo alguma melhoria econômica no país, os bancos estão funcionando como uma esponja ultra-eficiente, não deixando algo para quase ninguém. As taxas dos mais diversos tipos de empréstimo são exorbitantes, a ponto dos próprios executivos operacionais da área comentarem, a boca pequena, que “a pessoa que precisa de empréstimo pessoal já está morta, financeiramente”. Só as taxas pelos serviços fornecem 15% ou mais dos fabulosos lucros bancários, que ultrapassam os 4 bilhões, nos bancos maiores.

 

A falta de sensibilidade é tanta que se atribui a melhora desse setor a resultados, que também estão prejudicando a camadas sociais pobres e alvos de agressões econômicas, como a maioria dos aposentados, que precisam de empréstimos e estão se tornando inadimplentes e aos supostos novos contribuintes do INSS, que, pelos planos dos governantes, só poderão usufruir dos resultados das suas contribuições quando estiverem próximos do falecimento (65 ou 67 anos). Gabam-se, ainda, do “atual crescimento econômico do país”, o qual, como é de amplo conhecimento, tem sido um dos baixos, dentre os países com o potencial econômico do Brasil, num contexto em que a economia mundial está sendo favorável ao crescimento de todos.

 

Como podem os bancos e seus proprietários serem favorecidos, enquanto a miséria graça pelo país e a precariedade dos serviços essenciais (saúde, segurança, moradia, educação, transporte, sistema viário) é uma evidência. Numa situação de crise fictícia, na qual se tivesse que escolher, o que faria mais falta à maioria da população brasileira, o combate à miséria e a melhoria dos serviços públicos essenciais ou os bancos privados? Talvez, esses bancos não fizessem tanta falta, se levarmos em conta que, além do banco regulador, o Banco Central, temos dois bancos comerciais federais, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, aos quais poderiam ser somados diversos bancos estatais de nível estadual, sem contar com a possibilidade, numa crise imaginária como a que foi sugerida, de requisição dos equipamentos e da logística dos próprios bancos privados.

 

Resumindo, pelo o que acontece com os bancos privados e com outras parcelas das elites econômicas no Brasil (os grandes capitais dos agronegócios e das multinacionais), pode-se dizer que as dificuldades pelas quais passa a maioria da população brasileira é resultado direto das escolhas dos titulares das instâncias (municipais, estaduais e federal) dos poderes constituídos, sempre sob a influência dessas elites, durante toda a história do país. O peso da máquina do Estado, construção secular, da qual se servem os governos, também, não é pequeno. Mas, esse fato apenas comprova a afirmação anterior, já que não nunca se verificou qualquer esforço significativo para modificar essa máquina. Como é claro, o atual governo não foge à regra.

 

Um abraço,

William.

13/08/2007

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