A cultura como estratégia para construção de cidadania

Rosane  Magaly Martins

publicado em 08/10/2007

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Rosane Magaly Martins é presidente do Conselho de Cultura de Blumenau 2006/07

Pela segunda vez em quase 27 anos de existência do Conselho de Cultura de Blumenau artistas e produtores culturais reuniram-se em conferencia, para discutir, analisar e deliberar sobre os caminhos a serem trilhados coletivamente e desenvolver as políticas culturais em nosso município. A 2ª Conferência Municipal de Cultura reveste-se de importância por diversos motivos. O primeiro, por trazer para Blumenau pela primeira vez em sua história, o presidente da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), Celso Frateschi, para que fizesse a conferência de abertura. A segunda pela realização neste mesmo momento do 1º Fórum de Entidades Regionais, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Governo de Santa Catarina, com o intuito de ampliar as ações culturais na grande região metropolitana de Blumenau, de todo o entorno do Vale do Itajaí. Aproveitar experiências exitosas, auxiliar aquele que estão com dificuldades similares, discutir sobre a circulação do produto cultural entre estas cidades e entidades, criar um calendário regional de arte e cultura foram pontos debatidos no fórum. E em terceiro, a importância da Conferência no momento de transição na direção da Fundação Cultural de Blumenau, onde os resultados da Conferência poderão nortear suas ações, caso seja sensível aos apelos aqui contidos.

A cultura de nosso país passa por um momento importante, onde o artista deixa de ser apenas um “pedinte” e estar com o “pires na mão” e ele percebe que a cultura é estratégica para o desenvolvimento do cidadão, assim como a arte é uma forma sofisticada de relacionamento e que envolve todos os sentidos humanos. O presidente da Funarte destacou na Conferência que os artistas são imprescindíveis à existência da coletividade justamente por serem extremamente críticos, audaciosos e de percepção aguçada.

Desta forma, a cultura deverá ser encarada como eixo estratégico para o desenvolvimento social, e deveremos buscar caminhos que construam a cultura como Política de Estado e não cultura como Política de Governo, que fica a mercê de quem assuma funções diretivas. Do mesmo modo os nossos artistas também devem aprofundar o olhar para a sua produção, a difusão de suas ações, criação de infraestrutura cultural e política para a formação de público. Da mesma maneira percebe-se que a Cultura não poderá, jamais, atuar de maneira isolada e é cada vez mais premente a necessidade de estreitar laços e relação com a educação, percebendo-se que a arte possui utilidade e necessidade, e deve ser encarada com seriedade pelos educadores.

Nossos artistas são importantes aliado para o desenvolvimento da cidadania e de uma cidade efetivamente consolidada em pilares de arte e cultura estáveis, respeitosos sobre os quais ninguém jamais irá subjugar tais cidadãos.

Percebe-se os raios e os perfumes da primavera invadindo Blumenau. Inebriados com os novos aromas, que sejamos construtores deste novo tempo. Aproximar governos, maximizar as ações e estratégias culturais, democratizar as decisões e inserir artistas e produtores culturais num cenário de dignidade. Transformar sonho em realidade. Transformar obstáculo em aprendizagem. Criar novos cenários. Construir novos caminhos. Navegar outros mares, outros ares. Sem perder a ternura. Jamais.

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