Assédio moral e sua relação com o transtorno afetivo bipolar: forma de profilaxia e convalescença

 

Assédio moral e sua relação com o transtorno afetivo bipolar: forma de profilaxia e convalescença

Por Wagner Luiz da Silva

O assédio moral, um risco não visível, é um crime cometido contra pessoas com o fim de manipulação ideológica e comportamental. O criminoso, muitas vezes, induz a pessoa assediada a praticar atos que ela normalmente não praticaria, ou seja, a pessoa assediada faz uma escolha que vai contra a sua própria índole (o suicídio ou raiva descabida, a apatia em demasia, são exemplos).
Entre o assediante e o assediado há uma relação de desequilíbrio de informações, onde, muitas vezes, o assediado não consegue visualizar (risco não visível) com clareza as razões do crime de assédio moral cometido contra ele.
Como tal conduta criminosa é um ato contínuo (o assédio pode ocorrer, em alguns casos ainda na infância ou adolescência, o que pode causar a aceitação de abusos semelhantes no ambiente de trabalho e levar ao desenvolvimento da síndrome de Burn out), o assediado assimila outros abusos e desenvolve um quadro de depressão. Quando não desenvolve quadro depressivo, acaba reproduzindo as atitudes do assediante.
Os professores Doroty Bermudes, Marilena Angeli, Carlos Magno Scouto e Celso Fernandes Batello, em estudo intitulado “Depressão uma Abordagem Iridológica ” (estudo disponibilizado no site: http://www.batello.med.br/ort/ trabalhos/depressao.pdf) afirmam que:

“Muito recentemente a depressão era classificada como reativa ou endógena. Acreditava-se que a depressão reativa era causada por um determinado episódio. A pessoa tornava-se deprimida em reação ao que acontecia em sua vida, como luto, doença grave, demissão do emprego, etc.
A depressão endógena era a que acontecia sem razão óbvia: de acordo com o que a pessoa conseguia se lembrar, nada havia acontecido para fazê-la deprimida. Endógena significa “vir de dentro”, e acreditava-se que essas depressões se deviam a mudanças bioquímicas dentro do corpo, embora ninguém soubesse com certeza o que as provocava. Essas definições são úteis: A depressão é uma forma do que se conhece como um transtorno afetivo ou de humor, porque está primariamente ligada a uma mudança de disposição de humor.
Considerando que uma grande parte da população apresenta manifestações e reações psíquicas de cunho depressivo; considerando ainda que a Iridologia/ Irisdiagnose fornecem informações do psiquismo através de sinais fornecidos pelas áreas cerebrais do mapa Jensen, os autores procuraram investigar as relações entre tais fenômenos depressivos e os sinais iridológicos.” (pág.03) .

Como visto a depressão endógena não tem uma causa clara, o que dificulta a profilaxia e a convalescença da pessoa deprimida. Tal endemia (a depressão endógena) está relacionada com uma espécie de limitação do inconsciente humano.
O assediado, acometido de depressão endógena, reconhece que fez a escolha equivocada por força de uma coerção moral (fruto do desequilíbrio de informações entre as partes) e tomou uma decisão que altera profundamente as suas reais intenções. Ele reconhece que a decisão tomada não corresponde às suas reais intenções. Porém, infelizmente, ao mesmo tempo que o assediado reconhece o equívoco cometido, pensa, erroneamente, que não tem forças para mudar a situação em que está envolvido. Essa é a referida limitação do inconsciente. Nesse caso, ou a pessoa internaliza o assédio e se submete ao assediante ou fica deprimida e por consequência desenvolve o quadro de Transtorno Afetivo Bipolar (objeto deste estudo).
É errado pensar que o tumulto do dia-dia ou as discussões diárias são as causadoras da depressão endógena. O problema está na manipulação que a pessoa sofreu em seu cotidiano e na consciência da decisão equivocada que tomou. Agravam o quadro os abusos que a pessoa continuará sofrendo posteriormente, pois o assédio moral, como já entendido, é um perigo não visível que precipita o desenvolvimento da depressão endógena (que tem caráter biológico).
Seja a profilaxia, seja a recuperação de uma pessoa vítima de assédio que ficou deprimida, não se resolvem tão somente com seções no psicólogo. Como a depressão endógena (precipitada pelo crime de assédio moral) tem uma origem muito profunda e pouco clara, o melhor método para ajudar a pessoa que sofre do mal da depressão ou transtorno afetivo bipolar é o método socrático da maiêutica.
O novo Aurélio descreve a maiêutica como sendo o “processo dialético e pedagógico socrático, em que se multiplicam as perguntas a fim de obter, por indução dos casos particulares e concretos, um conceito geral do objeto em questão” (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Novo Aurélio, Séc.XXI, Dicionário da língua Portuguesa 3ª ed., Ed. Nova Fronteira, Rio de janeiro, 1999, pág. 1256). No sítio http://www.docsystems.med.br: “a maiêutica é um método de ensino socrático no qual o professor se utiliza de perguntas que se multiplicam para levar o aluno a responder às próprias questões. É uma técnica de ensino fantástica, que atinge resultados excelentes. Tem a vantagem de funcionar como verdadeiro exercício mental para o aluno, que, utilizando seus próprios conhecimentos, desenvolve a capacidade associativa, otimizando recursos na estruturação de mecanismos de raciocínio lógico. Também funciona muito bem para bebês.
“O processo da maiêutica pode começar, por exemplo, quando a criança de dois anos pergunta aos pais alguma coisa que já sabe. Frequentemente, crianças pequenas fazem esse tipo de questão. Basta os pais devolverem a pergunta e a criança responderá com um sorriso feliz por constatar que sabe a resposta. Quando faz isto, não está testando os pais ou divertindo-se. Está simplesmente abordando um objeto com uma região do cérebro no qual ele não está registrado. Digamos que está encarando o objeto sob outro ponto de vista. Ao receber de volta a questão, a criança faz um esforço e, utilizando-se de recursos associativos, descobre a região da mente onde definirá o objeto e responde à própria pergunta. “Questões mais elaboradas exigem mais de uma pergunta para atingir o objetivo. A maiêutica, do mesmo modo que a síntese, deve trilhar o caminho lógico, mas, ao contrário desta, pode partir do complexo para o simples, utilizando-se de recursos apropriados. A maiêutica, por ser um processo elaborado, necessita de um pouco de esforço e talento dos pais, como tudo que vale a pena na vida.”
O método maiêutico tem seu ônus, pois a pessoa assediada, infelizmente, só confessa a condição de vítima do assédio quando cobrada ao extremo, seja pelo psicólogo seja por outro. Por isso mesmo o terapeuta que utiliza o método socrático necessita ter em mente que a pessoa assediada possui essa dificuldade e que, ademais, sem perceber, acaba reproduzindo as atitudes de seu agressor.
Pode-se fazer uma analogia com uma pessoa que foi baleada. O processo de retirada da bala pode ser comparado com a “retirada” do assédio moral, pois a pessoa que foi agredida moralmente tem dificuldade em se abrir. Para o método funcionar há necessidade imperiosa de que a pessoa converse.
Quando o assediado reconhece a causa do seu problema, ocorre um equilíbrio emocional. A partir desse momento a convalescença fica mais fácil e a relação entre os envolvidos na relação terapêutica ganha o conteúdo da confiança e da legitimidade.
É importante para o assediado reconhecer que “liberdade não é nada, o difícil é saber ser livre” (O IMORALISTA – ANDRÉ GIDE), ou seja, o assédio moral, como lembra a professora Margarida Barreto, é um fenômeno complexo, pois “é um processo que devasta a vida e não é tão simples o retorno à normalidade, mesmo quando sai do campo minado da auto culpa”.
É importante lembrar que o conceito de assédio moral – com um maior rigor científico – é extremamente complexo, sendo necessário o estudo do crime à luz do caso concreto.

1 Acadêmico de Direito da PUC-Minas, pesquisa Há quatro anos assédio moral e seus efeitos no campo fático, este artigo é um esboço do trabalho de pesquisa acadêmica, que pretendo dar continuidade em nível de Doutorado. As declarações deste artigo têm por fim ajudar pessoas que desenvolveram a doença de transtorno bipolar pelo fato de terem sido vítimas do crime (não conduta delituosa) de assédio moral. Colaborou com a produção do artigo a professora Margarida Barreto.
2 Crime no Brasil só é reconhecido quando existe uma lei que o tipifique, embora o assédio moral não seja um tipo penal, reconheço tal prática como criminosa.
Na síndrome de Burn out, a pessoa não consegue lidar, cotidianamente, com suas demandas e pressões tanto no serviço quanto no ambiente familiar, fazendo com que a pessoa fique desmotivada.
Iridologia é o estudo da íris do olho de modo a diagnosticar doenças. A iridologia baseia-se na presunção de que cada órgão do corpo tem uma correspondência na íris e que se pode determinar se um órgão é ou não saudável examinando a íris em vez do próprio órgão. A iridologia é praticada por um naturopata, um quiropata, um homeopata ou um acunpurista, não por um médico tradicional. Estes vêem a íris como parte do olho que regula a entrada da luz. Não será objeto deste artigo o estudo da iridologia, o presente fragmento nos interessa pois fala de Depressão endógena, que entendo, tem como causa o assédio moral.

Post Author: revistapartes