Uma reflexão sobre a construção do imaginário da região meio oeste de Santa Catarina com base na utilização dos recursos hídricos

Iara Pertille[1]

publicado em 19/06/2008 como www.partes.com.br/socioambiental/artigos/imaginariosc.asp

Resumo: este artigo pretende chamar atenção  sobre a importância e necessidade de se implantar alternativas  de recuperação e preservação  dos recursos hídricos  da região meio oeste de Santa Catarina. Para isso se propõe que seja iniciado por meio de um planejamento  seguindo as diretrizes do ecoturismo  aliado  à  identificação do imaginário coletivo  e sua interface com esses recursos para que  possa ter uma atividade turística  duradoura e que satisfaça os desejos dos visitantes.

Palavras chaves: Ecoturismo, recursos hídricos, imaginário, região meio oeste de Santa Catarina.

  1. Introdução

            Os recursos hídricos vêm sendo utilizados pela população de forma descontrolada. Em alguns lugares do mundo  já se encontra  escasso, no Brasil também estamos sentindo os efeitos do uso desenfreado desses recursos tendo na contaminação da água um dos maiores problemas que nos limita o uso.

O objetivo deste estudo é refletir sobre o uso dos recursos hídricos para o Turismo e como este pode ser uma alternativa de fomento à recuperação e conservação destes recursos na região meio oeste  catarinense e a necessidade de se iniciar  o  planejamento seguindo os princípios do ecoturismo para se ter uma atividade sustentável  e enfocando também  nesse processo os aspectos subjetivos como a identificação do imaginário do visitante, sua interface com os recursos hídricos, o que os motiva a conhecer esses lugares.

  1. Turismo: a evolução e o imaginário.

            “Em poucos séculos, os seres humanos transformaram, em alguma medida, cada canto da Terra. No entanto as áreas naturais estão isoladas num oceano de natureza humana” (Wearing e Neil, 2001, p.154).

O turismo é atividade multissetorial, isto é, pode ser gerado e atingir diversas atividades, tanto econômica, ambiental, social e cultural, por isso ele é complexo e considerado um fenômeno holístico, segundo a vivência humana, pois ele consiste em deslocamentos voluntários dos indivíduos que buscam satisfazer as mais diversas necessidades, como diversão, descanso, conhecimento de outras culturas, entre outras. É também um dos setores econômicos, que mais cresce.

            De acordo com a Agência Nacional de Águas – ANA, no caderno de recursos hídricos – Turismo e o lazer e sua interface com o setor de recursos hídricos (2005, p. 01) “a indústria do Turismo é na atualidade a atividade que apresenta os mais elevados índices de crescimento no contexto econômico mundial. Movimenta cerca de US$ 3,5 trilhões anualmente e apenas na última década, expandiu suas atividades em torno de 57%”. Esta discorre também que “o turismo deverá se transformar em um agente de valorização e conservação do patrimônio ambiental, cultural, fortalecendo o princípio da sustentabilidade”.

             Complementando, Wearing e Neil (2001, p. 154) expressam que “o Turismo baseado na natureza, conforme o World Resouces Institute está crescendo em até 30%, enquanto o turismo geral vem crescendo a uma taxa aproximada de 4%”.

            Conforme Ruschamann:

Foi a partir do século XX e mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial, que o Turismo evoluiu, como conseqüência dos aspectos relacionados à produtividade empresarial, ao poder de compra e ao bem estar resultante da restauração da paz no mundo. (1999 p.13).

            A partir desse período as evoluções tecnológicas nas comunicações e nos transportes facilitaram o aumento da procura por viagens, e aumento significativo na oferta de produtos turísticos. Os desejos imateriais da sociedade passaram a ser considerados como necessidades, tendo desta forma maior procura pelo lazer, buscando através das viagens, novas experiências e aventuras.

Considerando este crescimento, em especial a modalidade do Ecoturismo, que utiliza os recursos naturais e os transforma em produtos turísticos para atender essa demanda crescente, cada vez mais se buscam ambientes naturais para passar seu tempo livre, pois deseja ter contato com o “in natura”, um ambiente limpo, preservado de qualidade.

Ruschmann descreve que:

 

O Turismo contemporâneo é um grande consumidor da natureza e sua evolução, nas últimas décadas, ocorreu como conseqüência da ‘busca do verde’ e da ‘fuga’ dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos por pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu tempo de lazer.(1999, p.20 )

Portanto, com a oferta e a demanda ecoturística em alta, é possível avaliar que o produto turístico para se consolidar no mercado tem que oferecer um diferencial que atraia as expectativas e os anseios do turista. Deve ter uma imagem que transmita a inversão do cotidiano e a possibilidade de um rejuvenescimento.

A disposição tanto financeira como tempo-espacial dos “homens-turistas” requer uma contrapartida imediata e transformadora, uma energia para a sobrevivência, que para Krippendorf (1989), está exatamente no objetivo principal do viajante, sair do “stress” gerado pelo cotidiano, principalmente pelo trabalho, e vivenciar uma experiência imaginária e prazerosa que forneça uma energia para seu retorno.

Essa experiência, portanto, é proporcionada na vivência de locais diferentes, com costumes, gastronomias, vestimentas e idiomas ou mesmo jeito de falar diferenciado do “homem-turista”. E é exatamente isto que faz o produto ser um atrativo, estabelecer uma ligação do imaginário do turista com a vivência do local.

Este “vivenciar o Turismo” é estar no seu tempo de lazer, livre de suas obrigações, então mais apto a desfrutar momentos diferentes desta amostra cultural. Porque em tempo de turismo o ser humano está mais sensível e por isso absorve mais e aprende mais com as coisas ao redor.

Um exemplo prático,  simples, mas eficaz, porque no turismo a simplicidade natural é que se torna eficaz. É a seguinte:

 Um turista conduzido por um guia local (podendo neste caso ser um antigo morador, um nativo) ao percorrer uma trilha em uma área natural, de repente, se depara com uma imensa e antiga árvore, então fica boquiaberto. O guia ao olhá-lo percebe a perplexidade e comenta: “Tá vendo esta árvore, moço! Foram anos para crescer e se tornar tão grande, anos de sombra, frutos, abrigo e beleza. Sua força, porém, há centenas de anos para nossa comunidade, é mais importante quando a transformamos em canoa. Pois do seu tronco fazemos nosso meio de transporte e por isso nosso alimento. E é exatamente o peixe que retiramos do rio com esta canoa que também alimentamos os nossos turistas”.

Neste singelo exemplo, o visitante deparou-se com informações que jamais poderia obter em outro local. Pois a árvore é para aquele povo, sua fonte de sustento, e só ali o homem-turista poderia sentir com intensidade este significado.

Só observando o tamanho do verde, poderia sentir o esplendor da árvore, e visualizando a beleza do rio, compreender a importância para a sobrevivência de uma comunidade. Pois em nenhum outro lugar haveria uma espécie de árvore como aquela, um povo como aquele, uma sabedoria como aquela. Aqueles costumes são únicos, aquela cultura é única, sua história única. A vivência naquele local, para o turista ocorreu uma experiência única. Um encontro do imaginário, um agregar de valores, que está embutido no próprio produto e que não será encontrado em outro lugar.

O ecoturismo pode ser uma oportunidade de desenvolvimento, de conservação dos recursos hídricos, visto que este tipo de turismo pode ser uma maneira de utilizá-lo de forma consciente enfatizando os valores ambientais, contribuindo para uma mudança no modo como a natureza é vista pela sociedade, que atualmente tem uma visão antropocêntrica, ou seja, não se sente parte do meio ambiente e acredita que este é para ser usufruído indiscriminadamente.

É de extrema importância considerar o imaginário coletivo durante o  planejamento de uma atividade ecoturística  para que esta seja duradoura, e atenda aos desejos dos seus visitantes e comunidade local, procurando, ao mesmo tempo, enfocar uma noção de sustentabilidade à atividade.

“O imaginário enuncia uma forma de futuro a construir e, nesse sentido, é uma fonte geradora de ação. Projeta a utopia ou um conjunto de imagens, valores, e expectativas que vão além da realidade, pois estão na esfera do potencial e do possível”. (CORIOLANO, 2002, p. 6)

  1. Recursos hídricos como atrativo do ecoturismo

            A água simboliza a vida, essencial à sobrevivência humana e de outras espécies. O Brasil é o país que mais tem água disponível no mundo, possui também o maior reservatório subterrâneo de água – Aqüífero Guarani. Segundo a organização não governamental WWF Brasil (2004, p. 59) “mais de 97% das águas do planeta são salgadas e que 2% estão congeladas nas calotas polares. Portanto, menos de 1% da água doce do mundo está disponível para uso, parte em forma de água subterrânea e em parte superficial. Deste total o Brasil possui algo em torno de 17%”.

            Mesmo possuindo toda essa água não estamos livres da escassez. Com o crescimento dos estudos sobre essa problemática salienta-se a necessidade de mudança de comportamento, porém a sociedade tem demonstrado pouca preocupação em proteger e conservar esse recurso natural finito.

 Segundo  Jensen,

A preocupação com a gua dá-se pelo fato de que os países em desenvolvimento, segundo a ONU, ainda possuem atitudes errôneas, onde cerca de 90% dos esgotos sem tratamento, são lançados nas águas, e uma das conseqüências disso é que 80% das doenças estão relacionadas com essa água de baixa qualidade. Tanto pelo fato da má administração da água como a crescente demanda por esse elemento, a qualidade da água passou a ser tão importante quanto sua quantidade e em muitas situações essa qualidade requerida passou a ser uma oportunidade de desenvolvimento. (2004, p. 6 e 7).

                        Na Política Nacional de recursos hídricos (Lei Federal Nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997) no seu artigo 1º item I destaca como fundamento principal desta política “proporcionar o uso múltiplo das águas”, complementando no ítem VI dispõe que “a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades”.

Deixando claro desta forma que os “usos múltiplos” bem como a gestão desses recursos inclui o Turismo, podendo este ser uma maneira de usufruí-lo, porém observando os princípios de conservação e preservação.

Outra resolução que tange a questão do Turismo é a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, (CONAMA) Nº 20 de 18 de junho 1986 que, classifica as águas em doces, salobras e salinas e estabelece os padrões de qualidade de água dos corpos hídricos brasileiros visando assegurar o uso. É nesse aspecto que podemos relacionar com o Turismo, pois a qualidade da água é importantíssima, principalmente quando acontece atividade de contato primária, ou seja, a balneabilidade. Conforme a Agência Nacional das Águas- ANA,

percebe-se que no Brasil, a população costuma tirar férias em locais relacionados com água, como praias, lagos, rios, estâncias hidrominerais. Desta forma, as diversas regiões que têm recursos hídricos próprios para a balneabilidade entram em um processo de expansão das atividades econômicas ligadas ao setor terciário e à demanda de lazer e populações urbanas. (2005 p. 01).

A ANA expressa também que “o Turismo associado aos recursos hídricos podem ser agrupados em 3 segmentos: 1º o Turismo e lazer no litoral, 2º o Turismo ecológico e a pesca e 3º o Turismo e lazer nos lagos e reservatórios interiores. (2005, p. 02)            Na Política Nacional de Turismo (Lei Federal Nº 8.181 de 1999) regulamentada pelo Decreto N º 448 de 14 de fevereiro de 1992, umas das diretrizes do planejamento do Turismo coloca que: “ a prática do Turismo como forma de promover a valorização e a preservação do patrimônio natural e cultural do País”. Dentre os objetivos desta política destacamos o que descreve que “estimular o aproveitamento turístico dos recursos naturais e culturais que integram o patrimônio turístico, com vistas à sua valorização e conservação.

                        Com base nestes dispositivos legais, vemos a estreita relação entre recursos hídricos e Turismo, e a necessidade de estudos sobre suas interfaces, podendo ser através do Turismo planejado promover responsabilidade para com o meio natural.

 

 

  1. Recursos hídricos e o imaginário

“É água do céu, da nuvem em véu,
que vem p’ra formar
os rios e vazantes, os lagos brilhantes,
as ondas do mar.” (Chacon, 2004).

Água não pode mais ser vista apenas como um recurso, pois desta forma entende-se como algo apropriado, limitando-se a uma visão econômica, mercantilista, devemos passar a considerar os recursos hídricos como um “bem natural” fundamental para a sobrevivência de vida humana bem como a todas as formas de vida, não há vida sem água.

Á água, nas mais diversas religiões tem significado sagrado, vai além do material, pois como exemplo para a Igreja Católica Apostólica Romana, ela simboliza nascimento para uma vida nova no ato do batismo ao serem banhadas pela água as pessoas são purificadas e incorporadas a comunidade de Jesus Cristo.

            Moreira (2004) complementa:

No princípio era a água; e a água se fez “carne”: criaturas todas do universo. Não somos apenas filhos e filhas da água. Somos mais. Somos água que sente, que canta, que pensa, que ama, que deseja, que cria (…).

As grandes civilizações da história da humanidade surgiram em torno da água. São Francisco: “Irmã água”.  A água encontra na maioria das religiões uma dimensão sagrada. Em todas as religiões e tradições espirituais, a água tem um significado mais rico do que o seu conteúdo material; simboliza a vida. A água, na sua ternura, supera a força do fogo e impede o incêndio. Na Umbanda, a água aparece como medicamento (água fluídica ou magnetizada pelas pessoas, pelos médiuns ou pelos espíritos). Para os povos indígenas, a água é sagrada. Os povos do semi-árido veneram a água como tesouro escondido ao que almejam e do qual dependem. Nesta região, orvalho, chuva e água, são sinais da ação benéfica do céu.

Desta forma desde a procura do homem pela água, é um instinto ancestral, pois no seu imaginário acredita-se que é o contato com a natureza e em especial com a água que acontece a purificação espiritual, renovação, alívio do stress causado pela rotina.

A Campanha da Fraternidade 2004 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB veio a reforçar a necessidade de  sensibilizar a população brasileira para a conservação dos bens naturais tendo como lema desta campanha “Água Fonte de Vida” onde destacamos alguns objetivos: “1º – conhecer a realidade hídrica do Brasil a partir da realidade local; 2º – desenvolver uma mística ecológica que resgate o valor da água nos seus fundamentos mais profundos”; e nesse contexto que o texto base da Campanha expressa a necessidade e importância de se modificar alguns conceitos, como no caso alterar a os ‘múltiplos usos’ que consta na Política Nacional dos Recursos Hídricos (Lei Federal Nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997) desse bem natural para “múltiplos valores da água” onde o valor supremo da água é o biológico, seguido do valor social. É colocado também a sugestão de mudança desta lei acima mencionada para “Lei do Patrimônio Hídrico Brasileiro” passando a dar mais ênfase  ao uso qualitativo e não quantitativo.

Sendo a água um bem natural finito, podendo acabar num futuro próximo, temos a urgência em criar atividades sustentáveis que possam minimizar esse problema.

A solução de toda a humanidade é uma solução mais profunda: uma relação de amor e carinho com a mãe Terra e a “irmã Água”, como gostava de chamar Francisco de Assis. A veneração à natureza, aprofundada pelas religiões dos povos da floresta (…). (MOREIRA, 2004).

Desta forma acredita-se que através do Turismo pode-se planejar atividades que atinjam   o imaginário dos turistas trabalhando no mundo da representação simbólica para  alcançar um equilíbrio entre as motivações, desejos dos visitantes que procuram atrativos turísticos em áreas naturais, aliadas à conservação dos recursos hídricos.

O imaginário social, porém, se constituiria numa série de imagens carregadas de sentimentos e emoções, (…) Para melhor apreender essas relações, vale ressaltar a afirmação de Tevês (1992), (…) as modificações ocorridas no homem não são frutos somente das formas de produção e subsistência, mas também das articulações do seu imaginário (SOUSA E DUTRA, 2002).

  1. O potencial turístico da Bacia do Rio Chapecó na região meio oeste de Santa Catarina

            De acordo com o Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina – Cepa/SC (2003, p.17) “A mesorregião Oeste tem sua economia sustentada basicamente pela atividade agrícola e pela transformação dos seus produtos, conferindo-lhes um alto grau de dependência econômica do setor agropecuário”, tendo como atividades econômicas mais importantes à predominância da produção de grãos, suinocultura e a avicultura.

            Observa-se um contínuo aumento do esgotamento dos recursos naturais provocado pelo uso excessivo e inadequado de agrotóxicos, usos e manejo inadequado do solo (erosão), diminuição da cobertura de mata, poluição da água devido à alta pela concentração dos dejetos de suínos.

            Os recursos hídricos da região também vêm sofrendo profundas alterações, em conseqüência do aumento crescente de demanda, como a agricultura, pecuária, indústria, setor energético bem como consumo humano. Desta forma, esses “usos” sem medidas de controle e monitoramento acabam comprometendo seriamente a qualidade da água na região, delimitando seu uso para o Turismo.

            Conforme Rodrigues, “a água potável e seus diferentes usos estão concorrendo com o lugar para o depósito das águas usadas que não são adequadas e suficientemente tratadas”.(2000, p. 178).

            De acordo com o Programa de usos múltiplos do reservatório do aproveitamento Hidrelétrico Quebra-Queixo, realizado pelo Consórcio Quebra-Queixo, ETS Engenharia e Companhia Energética Chapecó (2000, p. 11),  “o rio Chapecó tem uma área de drenagem de 8.190 Km2, atravessando territórios de 37 municípios, sendo o principal rio da região, tendo como  afluentes os rios Chapecozinho, Saudades e Burro Branco”.

             Consta ainda desse trabalho, que “os atrativos naturais da região concentram-se no potencial dos rios Chapecó e Chapecozinho com suas ‘prainhas’, grutas, artesanato indígena, cascatas, despraiados, quedas de água, etc. Mas poucos dispõem de infra-estrutura, o que dificulta um melhor aproveitamento dos mesmos”. (2000,p. 09)

  1. Preservação dos recursos hídricos por meio do planejamento nos moldes do Ecoturismo e da percepção do imaginário

            É necessário diversificar  as formas de  desenvolvimento  desta região, porém   levando- se em conta seu ecossistema natural e sua capacidade de  recomposição. Faz- se necessário criar formas  de desenvolvimento regional,  que sejam sustentáveis, conservando  os recursos naturais e que ao mesmo tempo também seja viável economicamente e socialmente. Desta  maneira o Ecoturismo aparece  como modelo mais apropriado para o planejamento do Turismo  nos recursos hídricos da respectiva região.

             Segundo Wearing e Neil “O planejamento envolve a antecipação e a regulamentação das mudanças, estimulando o desenvolvimento adequado, de modo que se aumentem os benefícios sociais, econômicos e ambientais do processo real” (2001, p.38). Complementando o exposto, Boiteux e Werner expressam que “O Turismo não pode ser entendido apenas como um gerador de dinheiro novo, mas também como um grande agregador social de valores à comunidade, como um “abre-alas” de uma nova era de benfeitorias para toda a população. (2001, p. 74).

            Ruschamann destaca ainda que “as chances de preservação e desenvolvimento  harmonioso, portanto, são maiores para as atrações turísticas  potenciais – aquelas onde ainda não se implantaram os equipamentos específicos da atividade, apesar  de sua grande atratividade natural e /ou sociocultural” (1999, p. 164).

            O planejamento sustentável, com efeitos duradouros das atividades turísticas no meio natural deve manter um equilíbrio entre a oferta – capacidade  do meio físico e  a demanda – os desejos dos visitantes.

            A região meio oeste possui pontos de lazer situados ao longo do rio Chapecó, porém a atividade turística ainda é incipiente. Sendo assim, torna-se de fundamental importância um estudo que possa diagnosticar e propor melhorias para se tornarem atrativos ecoturísticos bem estruturados e que contemplem o ideal de paraíso idealizado no imaginário dos visitantes.

O imaginário deve ser incorporado ao produto muito antes, já na sua fase de planejamento: os planejadores, hoje, devem conhecer muito bem o que vai no coração das pessoas, seus desejos e anseios, e materializá-los em produtos, sejam urbanos, ecológicos ou rurais. O ecológico deve alcançar para alem da idéia do paraíso e, aliás, já há produtos que estão buscando alternativas, como a de aproximar turismo  e educação ambiental, agregando  ao produto essa idéia de aprendizado  técnico e exercício  de comportamento  e atitudes conservacionistas politicamente corretos. (GASTAL, S. Turismo: Imagens e Imaginários, s.d. no prelo [2] ).

  1. Considerações Finais

            Este trabalho procura demonstrar a necessidade de se estabelecer alternativas de recuperação e de preservação dos recursos hídricos  da região meio oeste de Santa Catarina .

            Desta forma, acredita-se que o ecoturismo, modalidade de Turismo mais procurada pelos turistas na atualidade possa ser uma alternativa de uso sustentável desse patrimônio natural que á água.    Tendo a água um significado não apenas material, nas mais diversas culturas e religiões, e de forte poder de atração, a manutenção da qualidade  das águas e seu resceptivo uso requer   uma mudança de pensamento,  onde o próprio ser humano se reidentifique, sentindo o que dele é nato, encontrar-se com a natureza, ele é parte dela e ali que encontra a paz. Esse reencontro  pode acontecer através do  Turismo podendo este  ser uma beneficiador do elemento hídrico.

              Acredita-se  que  a produção de um  imaginário  coletivo embasado no princípios do Ecoturismo possa se estimular a  revalorização  desse bem natural  pois o “imaginário não atinge apenas o racional, é capaz  de despertar  as vontades, as emoções e as paixões “ (COROLIANO, 2002, p.5)

             Portanto o imaginário coletivo trabalhado por meio do Turismo para o uso sustentável dos recursos hídricos  precisa ser construído, visto que o imaginário possui um força transformadora  favorecendo  a sensibilização dos núcleos receptores e visitantes para a preservação  deste bem natural  vital para nossa sobrevivência.

 

  1. Referências Bibliográficas

 

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Iara Pertille é Mestranda em Turismo – Universidade de Caxias do Sul – RS

Artigo da disciplina Imagem e imaginários no Turismo ministrada pela Professora Dra. Susana de Araújo Gasta

IARA PERTILLE = iarapertille@hotmail.com

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