A forma de pensar do governo brasileiro com relação ao Turismo

Roberta Celestino Ferreira

publicado em 04/08/2008 como <www.partes.com.br/turismo/rocelestino/formadepensar.asp.>

Roberta Celestino Ferreira é graduada em Bacharelado em Turismo pela Faculdade Piauiense – FAP, pós-graduanda em Projetos Turísticos pela Universidade Gama Filho

A forma de pensar do governo brasileiro durante vários anos foi errônea e não fez incentivos suficientes ao turismo, pois se acreditava na máxima que pelas belezas naturais e culturais do país, este seria o destino preferido pelos turistas ao redor do mundo.
O Turismo é considerado como uma das maiores fontes de renda do mundo. Sem dúvida essa indústria promove milhões de empregos diretos e para muitas indústrias de serviço indiretamente.
A partir de 1994, com o governo de Fernando Henrique Cardoso, começou-se a pensar no turismo como um setor estratégico e capaz de gerar renda e novos empregos.
Através de parcerias com os estados, municípios e setor privado foi implementada a Política Nacional de Turismo e a criação do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo.
O governo implantou o programa “Avança Brasil” que continha 24 programas nacionais para o setor de turismo com investimentos de US$ 650 milhões e possibilidade da criação de cerca de 500 mil novos empregos.
No período do primeiro mandato de Fernando Henrique, houve um faturamento direto e indireto de muitos bilhões de dólares, gerando milhares de novos empregos. Com o aumento de turistas estrangeiros em 1998 fez as cidades turísticas e os pequenos municípios beneficiados pelo programa obterem um crescimento econômico grande gerando um aumento de bilhões de dólares na arrecadação de impostos diretos e indiretos.
O transporte aéreo também demonstrou crescimento, e a capacitação de recursos humanos também foi um dos destaques da Embratur.
O governo se preocupou em promover o turismo brasileiro em outros países através de catálogos e informação nas agências de viagem. Inclusive a promoção de turismo nos países integrantes do Mercosul, por serem superiores aos nossos e por suas posições geográficas, favorecendo o incremento de turismo para o Brasil.
No segundo governo de FHC, deu-se continuidade as políticas públicas iniciadas em seu primeiro pleito, amadurecendo as ideias e corrigindo os erros.
No governo de Lula, as coisas já estavam encaminhadas, tudo estava muito fácil para o novo governo, pois estratégias já estavam consolidadas, o turismo no Brasil já não era mais o mesmo, muita coisa estava sendo feita, só era preciso dar continuidade.
Criar um ministério específico para o turismo acredito que não tenha sido algo muito vantajoso, pois as políticas públicas relativas ao turismo devem ser aplicadas em infraestrutura, e isso se reflete em estrada, saúde, educação, assistência social, esportes, cultura… Mais um órgão público para os brasileiros patrocinarem obrigatoriamente.
Mas criaram o ministério e o mesmo é fato consumado, então deveriam dar prioridade a um ministro (a) que entende de turismo e não para amadores, pois amadores não sabem pegar o fio da meada, atrasam o andamento natural do planejamento estratégico.
O primeiro plano nacional de turismo veio com varias alternativas para se promover o turismo no Brasil, mas muito ambicioso, não primou pelo território e sim por discursos políticos que davam a entender algo muito astucioso.
Acredito que muitos docentes não sabem explicar de fato a política publica do plano nacional de turismo, mas isso é algo a parte. O que se tem de propósito no momento é discutir a participação do governo no desenvolvimento do turismo no Brasil.
Como empreendedor, o governo Lula se mostrou bastante compromissado, pela primeira vez financiamentos turísticos aconteceram com mais facilidade e com grande ênfase.
A Revista Veja de Maio de 2007, trás como um de seus temas: Turismo no Brasil ainda é coisa de amador. Desde 2002, os gastos anuais de turistas estrangeiros no Brasil cresceram 116%. O governo comemora o resultado, mas um estudo encomendado pelo Ministério do Turismo à Unicamp concluiu que a atividade ainda é amadora no país. O trabalho considerou a taxa de crescimento anual do setor e a sua participação no PIB de diversos países. A partir desses dados, classificou-se em quatro graus de competitividade. O Brasil está no pior grupo.
1º – Países em que o turismo cresce acima da média mundial e o setor é muito relevante para a economia: México, Espanha e Grécia.
2º – Países em que o turismo cresce acima da média, mas é pouco relevante para a economia: Chile, China e Índia.
3º – Países em que o turismo, por ser forte demais, não acompanha mais o ritmo de crescimento mundial: França, EUA E Suíça.
4º – Países em que o turismo cresce abaixo da média mundial e é pouco relevante para a economia: Brasil, Argentina e Indonésia.
Mas o governo brasileiro precisa se preocupar mais com o turismo receptivo, a política de turismo deve ser vista como investimento no campo da saúde, educação, cultura e no social, deve estruturar regionalmente a Embratur, implantar disciplinas extracurriculares de turismo e educação, controlar a abertura dos cursos de graduação e pós-graduação, legalizar e regulamentar a profissão do turismólogo.
Muita coisa mudou no Brasil nos últimos 12 anos com relação ao turismo, mas muito ainda se deve ser feito, Investimentos devem ser feitos na infraestrutura, e como o turismo é um fato econômico e social, ao fazer investimentos na área o governo não só favorecerá a economia do país, mas melhorar o nível de vida do brasileiro aumentando o número de empregos e diminuindo a desigualdade social.

* Graduada em Bacharelado em Turismo pela Faculdade Piauiense – FAP, pós-graduanda em Projetos Turísticos pela Universidade Gama Filho

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