Fatores Inibidores do Turismo na Melhor Idade

Francisco Cleber Teles dos Santos Filho; Stefânia Roberto Leite; Vera Lucia Barreto Motta

publicado em 02/09/2008 como www.partes.com.br/turismo/fatoresinibidores.asp

A Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade da Paraíba – ABCMI-PB, é um programa implantado pela Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, na década de oitenta a nível nacional, direcionado para maiores de 50 anos, dentro do conceito sociológico de existência de “tempo livre”, essencial para o desenvolvimento do turismo. Considerando-se a teoria do comportamento do consumidor, existem fatores que influenciam o processo de compra (inclusive de uma viagem), destacando-se os fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos, que interagem com os estágios do processo de decisão.

Tendo em vista as considerações abordadas, denotou-se a necessidade de buscar respostas para o seguinte problema: Quais são os fatores influenciadores do comportamento de compra que inibem a melhor idade de viajar com maior frequência?

Segundo a OMT (2001) o turismo no Brasil vem obtendo crescimento constante nos últimos 8 anos, tendo aumentado sua receita em 95% tornando-se hoje uma das atividades que mais cresce no pais.

Nas palavras de Ruschmann (1995, p.26) o produto turístico é: “A amálgama de elementos tangíveis e intangíveis, centralizados numa atividade específica e numa determinada destinação, as facilidades e as formas de acesso, das quais o turista compra a combinação de atividades e arranjos.”.

O perfil demográfico do país vem mudando radicalmente. O Brasil antes retratado como país de jovens vem envelhecendo rapidamente e o turismo como atividade econômica ou sociocultural, também é influenciado por essas mudanças, sendo assim, imprescindível criar políticas que se adequem ao novo mercado que está surgindo.

Na concepção de Fromer e Vieira (2003, p.20), não obstante o idoso ser frequentemente identificado como indivíduo experiente, sábio e sensato, prevalece com maior intensidade a imagem que associa a decadência, incapacidade e a decrepitude.

Na concepção de SOARES (2006) terceira idade não tem restrições de calendário e costuma adquirir pacotes turísticos completos que incluam hospedagem, alimentação e passeios.

Uma das grandes funções da ABCMI é proporciona oportunidades reais de lazer, turismo e cultura, contribuindo para a valorização e melhoria da qualidade de vida dos idosos, e dentre as preocupações da Associação, inclui-se as viagens oferecidas pelas agências de viagens, e seu atendimento às necessidades específicas desse grupo.

Considerando que este estudo tem como objetivo conhecer quais são os fatores inibidores da demanda às viagens pelos associados nos Clubes da Melhor Idade da ABCMI-PB, foi realizada uma pesquisa exploratória utilizando técnicas de pesquisa tanto quantitativa, quanto qualitativa, através da aplicação de entrevistas, e de observação simples.

Os Clubes da ABCMI-PB pesquisados são formado na sua maioria por integrantes do sexo feminino, com idade entre 61 e 80 anos, viúvos, católicos, aposentados e pensionistas com o ensino médio completo e renda media de 3 salários mínimos.

Analisando os dados da Tabela XVIII, observamos que dentre as mulheres um total de 30,77% realizam mais de três viagens ao ano, enquanto que entre os homens 71,43% realizam apenas uma viagem ao ano, mostrando que além de ter um numero mais expressivo de mulheres entre seus membros, essas costumam viajar muito mais que os homens.

Ficou constatado que 50,5% dos entrevistados recebem incentivo das pessoas com quem eles moram para a realização de viagens, sendo que a maioria deste são de idosos com faixa etária entre 61 a 80 anos com um total de 76,6%, e apenas 1,1% afirmou que a(s) pessoa(s) com quem ele mora não permitem que ele viaje, o mesmo justificou que o motivo para tal proibição se da devido a sua saúde debilitada, enfatiza-se que este encontra-se enquadrado na faixa etária entre 71 e 80 anos.

Dentre os viúvos 64% preferem a companhia dos membros da ABCMI-PB, isto se justifica principalmente pelo fato dessas pessoas terem círculos restritos de amizade, principalmente pelo pouco tempo passado fora de casa, já os que viajam com familiares a maioria é casada, e leva seu cônjuge ou filhos como companhia, embora estes representem apenas um total de 24% dos entrevistados, já os solteiros estão divididos entre ABCMI-PB e família, visto que a incompatibilidade de tempo disponível entre a família com o vasto tempo livre do entrevistado.

De acordo com os resultados apresentados na Tabela XXI, para os entrevistados com nível de escolaridade ensino médio completo, o maior atrativo de realizar um viagem está nos novos lugares para conhecer (28,2%), visitar parente e amigos (15,2%) e viver mais intensamente(13%). Destaca-se nessa parcela de entrevistados o baixo interesse em realizar viagens para tratamento médico(4,3%) e pela busca por novos conhecimentos(8,6%).

Já nos que concluirão o curso superior foi constatada grande semelhança quanto ao que concluíram apenas o nível médio, sendo conhecer novos lugares (29,7%) o maior atrativo para essa faixa de entrevistados, seguida por viver a vida mais intensamente (27%). É importante salientar o aumento do interesse por adquirir novos conhecimentos que nesse grupo ficou em 10,8%, tendo destaque as pessoas que trabalham com artesanato e decoração, que buscam através das viagens, novas técnicas, tendências e principalmente inspiração.

O cruzamento entre a ocupação atual e os tipos de viagem que gostariam de realizar, os aposentados ou pensionistas preferem realizar viagens a nível nacional (43,4%) devido na maioria dos casos a vontade de conhecer melhor as belezas naturais do nosso pais e a sua tão diversificada cultura, enquanto os que preferem viagens internacionais (36,8%), tem como motivo a curiosidade em conhecer outros países, e diversos pontos turísticos como a Torre Eiffel e as famosas vitrines de New York.  Os que preferem viajar dentro do estado são 14,4%. Conhecer o litoral sul e as inconfundíveis praias paraibanas, como Tambaba e Praia do Sol, as quais são pouco habitadas e preservadas em sua maior parte, ressalta-se as pessoas impossibilitadas de fazerem viagens longas devido as doenças ou responsabilidades com outras pessoas, preferindo viagens curtas.

Dentre os que possuem renda superior a quatro salários mínimos o que mais impede de viajar são os motivos ligados a saúde (40%), e a falta de recursos (26,6%) e outros motivos que não constam no questionário (23,3%). Embora a renda possa ser considerava elevada e suficiente para a realização das viagens desejadas, despesas principalmente com saúde e com família impedem que possa ser retirada constantemente de sua renda uma quantia especifica para a realização de viagens.

Em todas as outras faixas de renda, o fator financeiro foi sempre apontado como principal ponto para a não realização de viagens, seguido quase sempre por problemas de saúde, mostrando que estes atualmente são os grandes fatores inibidores da realização de viagens pelos nossos entrevistados.

O cruzamento entre a religião que professa e quem são os incentivadores das viagens revelou que: Dentre os cristãos os sócios da ABMCI-PB foram indicados como principais incentivadores a realização de viagens (55%). Os que pertencem a outra religião também apontaram a ABCMI-PB como principal agente incentivador.

Nos fatores pessoais, encontra-se o maior inibidor de toda a pesquisa, o fator financeiro, este foi o mais lembrado pelos entrevistados, principalmente devido a proporção entre renda e despesas, visto que embora a faixa de renda seja de três salários, a grande quantidade de despesas com familiares faz com que não seja viável a realização de viagens. Saúde é outro grande inibidor detectado pela pesquisa, principalmente pelo medo de pioras significativas longe dos membros de sua família. Doenças como labirintite e tratamentos como hemodiálise, também foram citadas como empecilho. O cansaço adquirido com o tempo, e que encontra-se em nível relevante na terceira idade também foi apontado como fator inibidor em nossa pesquisa.

Quanto ao fator cultural, o preconceito apresentado pela independência da terceira idade foi o fator inibidor mais apontado nesta parte, visto que existe um grande “tabu” a ser quebrado quanto à funcionalidade e utilidade dos membros da terceira idade, hoje a terceira idade não hesita em trocar sua cadeira de balanço por um passaporte, mas precisa ainda de um maior apoio e compreensão das pessoas que o cercam.

 

REFERÊNCIAS

FROMER, Betty e VIEIRA, Débora Duarte; Turismo e Terceira Idade; coleção ABC do Turismo; 2 ed. São Paulo; Alph, 2004.

MOTTA, Vera Lucia Barreto.  Estratégias de marketing das agências de viagens da Paraíba direcionadas ao segmento da Melhor Idade.  2004. 278 p. Tese (Doutorado em Administração) Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2004.

Organização Mundial do Turismo. Introdução ao Turismo, São Paulo, Roca, 2001.

RUSCHAMANN, Doris Van de Meene; Marketing Turístico: um enfoque promocional; coleção Turismo; 2 ed.; Campinas-SP; Papirus, 1995.

SOARES, José Alexsandro Galdino . Importância da Mulher da Terceira Idade Para O Desenvolvimento do Turismo Em Campina Grande – Paraíba.2006.57p Relatório Final apresentado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq/UEPB,2006.

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