Grupos folclóricos e oferta turística: uma reflexão preliminar

Cheila Camila Pereira[1]
Poliana Fabíula Cardozo[2]
publicado em 05/12/2008

Poliana Fabiula Cardozo é bacharel e Mestre em Turismo (Unioeste/UCS), doutoranda em Geografia (UFPR). Docente da disciplina de Planejamento e Organização do Turismo para a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Irati, Pr) e pesquisadora na modalidade continuada na mesma IES.

Considerando a cultura como um conjunto de ideias, conhecimentos e técnicas de comportamentos e atitudes que caracterizam um grupo humano; patrimônio e folclore pode-se a partir daí descrever o turismo cultural uma vez que este pode contribuir para a valorização do patrimônio cultural de um local, fortalecer a cultura de um povo e também buscar, por meio de apresentações folclóricas, retratar os costumes dos antepassados. Assim nota-se que o turismo cultural pode ser uma atividade capaz de atrair visitantes para determinadas regiões. Para que isso aconteça a localidade pode agir de forma a promover eventos, rotas turísticas ou ainda apresentar um produto específico daquela região, os quais devem ser produtos considerados para que consigam atrair grupos interessados e principalmente que consigam sanar suas expectativas sobre a região.

CULTURA E SUAS FORMAS DE TRANSMISSÃO

A cultura pode ser entendida como sendo o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo. Fazem parte da cultura, atividades e manifestações como música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos e formas de organização social. Segundo Santos (1983), a cultura está muito associada a estudo, educação e formação escolar, mas ao falar de cultura pode-se também associá-la às manifestações artísticas como dança e música e, além disso, ela pode ser ainda analisada mediante os meios de comunicação como rádio, cinema e televisão, ou ainda observadas nas festas de carnaval e cerimônias tradicionais como casamento e batizados, além das lendas e crenças de um povo, o modo de vestir, a comida e o idioma.

Já Gastal (2002, p.125) define cultura como “qualquer tipo de manifestação que venha a atar, unir o convívio em sociedade.” É tudo o que o indivíduo adquire a partir do momento em que passa a conviver na presença e na relação com os outros. Uma vez que as diferentes formas de manifestação cultural têm como principal objetivo a busca pelo mantenimento da cultura.

Laraia (2007) atentando a uma outra visão de cultura aborda que existem muitas formas de cultura e que ela pode ser vista de forma diferenciada. Segundo o autor (2007, p.67) “homens de culturas diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas.” O termo “uso de lentes”, tratado pelo autor diz respeito às diferentes formas de olhares relacionados a alguma coisa. Ainda para o autor a herança cultural desenvolvida através de inúmeras gerações condiciona o grupo a reagir de forma depreciativa com relação ao comportamento daqueles que se colocam fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade, como é o caso do homossexualismo. Para estas reflexões de Laraia (2007, p.68), pode-se afirmar que o modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada cultura.

Laraia (2007) também aborda a questão de que o indivíduo participa da cultura de uma forma limitada. Para ele, nenhuma pessoa é capaz de participar de todos os elementos de sua cultura, e isso pode ser visto nas sociedades com alto grau de especialização, ou quanto à sexo e idade. Como por exemplo, uma criança não pode ser considerada apta a realizar atividades de adulto ou o caso de um idoso que já não é mais capaz de desenvolver algumas tarefas.

Analisando as considerações feitas pelos autores com relação à cultura, é importante definir um conceito norteador para este trabalho, sendo assim entende-se baseado nos autores expostos que a cultura pode ser entendida como tudo aquilo que um grupo adquire e passa às novas gerações, e este processo pode acontecer por meio de manifestações como a dança, a música, as vestimentas, os rituais, a língua, hábitos alimentares, arquitetura entre outros. Cada indivíduo busca inserir-se em um grupo com os quais ocorra identificação uma vez que se sabe que estes grupos organizam-se de formas diferenciadas, o que ajuda na grande diversidade cultural existente, e buscam manter hábitos e costumes particulares.

E neste contexto de cultura, também se pode pensar que qualquer forma representativa de cultura como dança, música, monumentos, vestimentas, artesanato, gastronomia etc. pode ser compreendida pelo grupo ou sociedade como um patrimônio cultural visto que por meio deste torna-se uma forma de expor a cultura em questão assim como passa a ser o propagador da mesma. O patrimônio cultural divide-se em tangível e intangível, e considerando o tema proposto, ou seja os grupos, tratar-se-á na sequência do patrimônio cultural intangível ou imaterial.

3.2 – PATRIMÔNIO CULTURAL INTANGÍVEL OU IMATERIAL

Brante e Stolte (2004) colocam que a dança, a literatura, o teatro e a música, assim como os hábitos e os usos das populações fazem parte do patrimônio cultural. No entanto, o homem não produz somente obras de arte, mas produz também ciência, sabedoria, máquinas, história, vestuários, remédios e formas de relacionamento que são parte de sua cultura.

Considera-se também como patrimônio cultural, certas atividades propriamente culturais tais como: visitas a museus, cidades históricas ou roteiros temáticos. Além destes, destacam-se as cidades e as festas, como o exemplo o grande número de turistas que visitam a cidade do Rio de Janeiro por ocasião do carnaval, assim como Caruaru e Campina Grande conhecidas por suas festas juninas. (FUNARI E PINSKI, 2003)

Cardozo (2006) menciona que os produtos culturais étnicos podem ser variados como as obras arquitetônicas, festividades, idiomas, trajes típicos, grupos artísticos de músicas e danças, gastronomia, religiosidade, literatura, dentre outros que conseguem definir a cultura de um povo e/ou demarcar suas fronteiras étnicas e culturais.

Neste sentido, Neves (2003, p.49) aborda o patrimônio como “o conjunto de bens materiais e imateriais representativos da cultura de um grupo ou de uma sociedade.”

Dentro deste contexto, tratar-se-á do patrimônio imaterial que segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, 2008) concretizam-se por meio das manifestações culturais como a dança, o folclore, as comidas típicas, o artesanato, línguas, gestos, festas, tradições orais entre outros. Além de compreender as expressões de vida e tradições que a comunidade, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem de seus ancestrais e passam a seus descendentes. (UNESCO, 2008)

Pode-se considerar que toda bagagem cultural que uma pessoa adquire passa a ser considerada um patrimônio para ela. Este patrimônio cultural pode ser tanto material como imaterial. O patrimônio imaterial é visto por meio das manifestações como as danças, as músicas, o folclore, assim como os hábitos de uma comunidade. Portanto, o patrimônio cultural imaterial faz parte da cultura de uma sociedade, o qual deve ser preservado. E é por meio deste patrimônio, que a cultura de cada grupo se intensifica e agrega a estes um sentimento de pertença, o que fortalece cada vez mais sua identidade.

Sendo assim, uma vez que tratado sobre o patrimônio cultural intangível toma-se como exemplo o folclore, pois por meio de suas danças e músicas, um grupo expõe suas tradições e costumes, objetivando cada vez mais fortalecer sua cultura. Também ele pode ser considerado um intermediador sobre o passado e o presente mostrando os costumes e tradições de antepassados.

 

MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS POR MEIO DE DANÇAS E MÚSICAS

Segundo Vale (1978, p.3) “o vocábulo folclore compõe-se de duas palavras folk = povo e lore = ciência, que significa ciência do povo.” Para ele “folclore é uma manifestação espontânea da alma popular nas letras e artes em geral”.

O I Congresso Brasileiro de Folclore, realizado no Rio de Janeiro em 1951(apud ALMEIDA 1971, p.21) conceitua o estudo do folclore como:

parte integrante das ciências antropológicas e culturais, condena o preconceito de só considerar folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda a sua plenitude, quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.

Para o mesmo Congresso o folclore é constituído,

pela maneira de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou a renovação e conservação do patrimônio científico e artístico.

Logo, percebe-se que o folclore busca retratar os costumes deixados pelos antepassados, e isso pode ser visto e valorizado por meio do comportamento do povo através das danças, músicas, arquitetura, artesanatos, entre outros.

Considerado de grande expressão cultural, o folclore busca histórias e rituais que permitem um contato direto do grupo com as manifestações de identidade além de que consegue impressionar o turista. Neste âmbito, inserem-se os eventos culturais como fator de movimentação turística que procura promover maior contato dos cidadãos aos bens e serviços da cultura.

Dias (2003) considera que todas as definições de folclore remontam à ideia de uma representação do passado, tornando-se uma forma de mostrar o que os antepassados faziam, trajavam, dançavam e cantavam. Para ele, os grupos folclóricos podem ser considerados como veículos de determinada cultura popular, pois traduzem a cultura vivida pelos ancestrais e busca aliar os costumes destes antepassados e fazer a correlação com o presente, procurando por meio destas manifestações, fazer com que os descendentes valorizem cada vez mais a cultura adquirida.

Sendo assim, dentro do contexto de folclore, encontram-se várias formas de manifestações artísticas e culturais. Uma delas pode ser identificada com os grupos folclóricos, que buscam nas danças, músicas, teatro e apresentações, traduzir a herança social que define a identidade cultural de cada povo.

Os grupos folclóricos conseguem buscar por meio da dança e músicas transmitir ao público os costumes vividos por um povo em um tempo passado. Estas manifestações possuem letras e coreografias como, por exemplo, os grupos que apresentam também o frevo e o xaxado, características de grupos folclóricos brasileiros. Se destacam os grupos de danças italianas, ucranianas, polonesas etc. Os grupos de músicas folclóricas também estão presentes em quase todas as manifestações populares.

Nota-se que as manifestações culturais, considerando a importância do folclore mediante as danças, as músicas, os mitos e tradições, conseguem aproximar o indivíduo da sua cultura, além de fazer com que outros adquiram e propaguem maiores conhecimentos da cultura de outros povos.

Assim, percebe-se que o folclore pode ser demonstrado por meio de danças e música, bem como as estórias, lendas e mitos que buscam retratar o cotidiano dos antepassados, os monumentos históricos, museus, cidades históricas e arquitetura. Estes podem ser considerados instrumentos que induzem a aproximação do indivíduo com a sua cultura além de que também pode ser um ícone de atração de visitantes para determinada localidade.

Para isso, abordar-se-á o tema oferta turística, buscando mostrar que é também por meio de atrativos e infraestrutura que se desenvolve uma região. Neste sentido também se busca mostrar as manifestações folclóricas dentro desta oferta e verificar se a comunidade está apta a receber este contingente de visitantes.

CULTURA E FOLCLORE COMO OFERTA TURÍSTICA

Tratar do tema oferta turística neste trabalho é relevante, pois, parece impossível pensar na atividade turística se não houver preparo da destinação para receber os turistas. E para que não haja maiores contratempos com o desenvolvimento do turismo em determinado local, seja ele de cunho natural ou cultural, deve-se dar atenção a este tema, uma vez que a satisfação do turista vem de encontro com o conjunto dos atrativos turísticos, dos equipamentos e serviços e da infraestrutura de apoio turístico que o local visitado dispõe.

Assim, Montejano (2001, p.11) “considera que a oferta turística se baseia em alguns recursos e infraestruturas para atrair e prestar os correspondentes serviços aos turistas.” Para ele, os recursos que se tornam elementos de atração e motivação são os de caráter geográfico, histórico-monumentais e culturais. Já os serviços de infraestrutura dizem respeito aos elementos físicos que compõem o mercado para atender às necessidades dos turistas, e isto diz respeito às vias de comunicação, meios de hospedagens, restaurantes, transportes e instalações recreativas. Além disso, é possível considerar que a oferta turística também se baseia em preços que fazem com que os produtos possam competir no mercado, garantindo a demanda, a rentabilidade e trazendo benefícios para a destinação.

Beni (2002, p. 159) considera a oferta turística como,

o conjunto de equipamentos, bens e serviços de alojamento, de alimentação, de recreação e lazer, de caráter artístico, cultural, social ou de outros tipos, capaz de atrair e assentar numa determinada região, durante um período determinado de tempo, um público visitante.

Para tal, pode-se concordar com Beni (2002) de que a oferta turística é um dos elementos que constituem a matéria prima da atividade turística, e que também é a soma dos bens e serviços vendidos aos turistas. Ela agrega serviços que valorizam a destinação e, além disso, busca satisfazer os turistas por meio de elementos disponíveis no mercado. Muitas destinações, dentro de sua oferta turística conseguem atrair visitantes, mas em contrapartida carecem de hospedagem, alimentação e transporte para satisfazer a necessidade deste turistas. Para isso têm-se o exemplo de Prudentópolis município que possui atrativos naturais e culturais, mas que necessita de infraestrutura para acolher um grande público por um determinado de tempo. Mesmo assim, este fato não deve ser rejeitado, pois é sabido que o município consegue acolher grupos pequenos ou visitantes, o que não desvaloriza o seu cenário turístico e contribui para o crescente desenvolvimento da atividade turística. A partir disso, a comunidade percebe-se a necessidade de estar preparada para atender este público.

Também Bahl (2004) vem mostrar que a diversidade de atrativos que uma localidade possui pode compor produtos diferenciados. Assim também Beni (2002) menciona que para um grupo ser atrativo de oferta ele vem compor roteiros, promover eventos ou ser produto característico do local.

Bahl (2004, p.37) ensina que os atrativos “são recursos que podem ser utilizados como elemento diferenciador, que vai desde a amostragem de materiais característicos que se salientam nas edificações, o artesanato e as diversas manifestações artísticas até o modo de vida da população”.  O autor define atrativo como tudo o que atenta a curiosidade dos turistas.

Mas é importante salientar também que os atrativos por si só não se sustentam, para isso é necessário agregar a eles outros atrativos e combiná-los com facilidades que permitam a permanência e o acesso, e possibilitem o deslocamento do visitante, caso este que ao cabe ao exemplo apontado anteriormente para o município de Prudentópolis, o qual apresenta características de apenas receber visitantes. Sobre esta informação tratar-se-á com maior detalhamento no capítulo cinco.

Sendo assim, os atrativos devem ser elementos diferenciadores de uma destinação, os quais motivem o turista a deslocar até eles. Estes atrativos podem ser elementos naturais e culturais. Em se tratando de atrativos culturais têm-se como exemplo obras de artes, monumentos arquitetônicos, cidades antigas, gastronomia, artesanato, dança e música, entre outros. Esses atrativos são fontes indutoras de desenvolvimento turístico, pois conseguem promover a diferenciação da oferta turística de alguns municípios, e com este processo de decorrente visitação, ocasiona a valorização da cultura local e do patrimônio cultural nela existente.

TURISMO CULTURAL

Barretto (2000) compreende o turismo cultural como todas as formas de turismo que não tenham como principal atrativo o meio natural, mas sim, algum aspecto relacionado à cultura humana. Pode ser tanto relacionado à história, artesanato ou cotidiano, além de outros aspectos que a cultura trata.

A relação cultura e turismo segundo Betti e Igreja (2007, p. 4) “[…] está baseada na existência de pessoas motivadas a conhecer culturas diversas.” De acordo com Meneses (apud BETTI E IGREJA 2007, p.4), “é inerente ao homem a busca por conhecer as diferenças culturais, compreender os seus significados, visitar outros lugares para compreendê-los em sua espacialização histórica e cultural própria”.

Como coloca Gastal (2002, p.121) “para o turismo a cultura não é apenas um pressuposto teórico”, a autora vai encarar a cultura como um insumo para o turismo, quando reflete que “se a cultura incorpora a noção aglutinadora da vida em sociedade, ela explica porque, sob este prisma, ela pode ser considerada um dos principais insumos ao fazer turístico” (GASTAL, 2002, p. 125). A cultura gera manifestações concretas, as quais valorizam tanto as manifestações da arquitetura histórica e as folclóricas, sendo que um roteiro que incluir visitas a museus ou ruínas, receberá o título de turismo cultural, assim como também aqueles roteiros que incluem visitas ao Rio de Janeiro em época de carnaval, ou aqueles com visita ao nordeste em época de festas juninas.

Assim como menciona Agostín Santana (19–), o indivíduo que viaja a um determinado destino leva consigo uma série de expectativas, e muitas vezes acaba se identificando com as culturas existentes nos locais tais como: a gastronomia, o artesanato, a arte, a arquitetura, os elementos materiais da história, as celebrações festivas, a música e a dança.

A comunidade receptora pode apresentar várias atividades culturais ao turista, dentro destas incluem-se as manifestações artísticas como o folclore. Assim, a busca e o interesse dos turistas por estes tipos de atividades fazem com que estas manifestações tenham um (re)surgimento tanto na comunidade local como também nos turistas. Dar-se-á então a devida importância do turismo em determinadas localidades, pois isso ajudará a beneficiar não somente ao turista como também à comunidade na busca pela recuperação da bagagem cultural ou o aprendizado de uma nova cultura.

Entende-se, portanto que a partir do incremento turístico as comunidades passarão a valorizar a sua própria cultura, organizando-se em grupos, cooperativas, associações e escolinhas para apresentações aos turistas, e isso provocará nos visitantes e nos próprios moradores um sentido de orgulho em conhecer ou pertencer a estas culturas que são trazidas por meio dos espetáculos, festivais, danças tradicionais, músicas, cerimônias e bailes. Mediante isso, os órgãos e autoridades também se sentem determinados a fomentar e apoiar o desenvolvimento deste segmento, que consequentemente trará vantagens tanto econômicas como sociais para o desenvolvimento de uma localidade. (KADT 198-).

Quando se pensa em turismo cultural é comum relacioná-lo a grandes museus, no entanto a música e a dança também devem ser valorizadas, pois normalmente estas manifestações buscam retratar as atividades que eram realizadas pelos mais velhos. O artesanato é outro componente do produto turístico cultural que merece destaque, assim como a gastronomia que torna-se essencial para o bom desenvolvimento de qualquer localidade, ainda mais quando se trata de turismo cultural. Com isso o turista, que se desloca para um país, cidade ou município aprimora seus conhecimentos não apenas no que se torna visível, mas também tem a oportunidade de buscar desde o princípio como são feitos os produtos, como é o exemplo do artesanato.

É possível, portanto, verificar que o turismo cultural tem-se destacado pela curiosidade dos turistas em conhecer novas culturas, e isso pode ser verificado por meio do artesanato, música, dança, gastronomia e das manifestações folclóricas. Muitas destinações buscam por meio da dança expor ao turista a cultura ucraniana trazida pelos imigrantes, e uma vez que isso acontece a cultura daqueles grupos e daquela comunidade se fortalece, ao passo que a comunidade prima pelo mantenimento das tradições, assim como busca transmitir às novas gerações a riqueza da cultura ucraniana. O turismo cultural surge como um fator de aproximação entre culturas (do visitante para o visitado), sendo que o turismo se vale dela como atrativo de uma localidade, fazendo com que a destinação valorize a cultura existente, mesmo que seja para o turismo. Portanto, se as pessoas viajam com a motivação de realizar esta atividade consequentemente estarão realizando além do lazer, aquisição de experiências e vivências que são fatores relevantes para o acréscimo da bagagem cultural de cada um.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio deste trabalho, buscou-se mostrar que a cultura pode ser transmitida também mediante os grupos folclóricos sejam eles de dança ou músicas. Existem muitas formas de manifestações culturais, e isso pode ser visto através do comportamento de tais grupos assim como o seu modo de vestir, alimentar, falar, seus hábitos, costumes, além das danças e músicas. Assim também a pesquisa buscou mostrar a importância do turismo cultural como fator indutor de valorização da cultura de um grupo, comunidade ou região.

Contudo, para considerar os grupos folclóricos como integrantes atrativos da oferta turística de uma localidade é necessário que estes estejam disponíveis aos visitantes, mesmo sob agendamento, seja por meio da organização de eventos; roteiros; ou apresentações regulares.

Do contrário, caso os grupos de uma localidade não se apresentam na cidade regularmente, estes podem ser considerados patrimônios da mesma, mas não oferta turística.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Renato. Vivência e projeção do folclore. Rio de Janeiro: Agir, 1971.

BAHL, Miguel. Legados étnicos e oferta turística. Curitiba: Juruá, 2004.

BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. 4ed. Campinas: Papirus, 2000.

BARROCO, Helio Estrela. Turismo cultural como vetor de desenvolvimento com base local. In anais do VIII ENTBL. Curitiba. Novembro, 2004. CD-ROM

BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: SENAC, 2002.

BETTI, Patrícia; IGREJA, Adriana. Turismo cultural: uma alternativa para promoção e valorização do fandango e diversificação da oferta turística em Guaraqueçaba – PR. In: Anais do IX Seminário Internacional de Turismo.Curitiba: Unicenp, 2007.

BRANTE, Andressa. STOLTE, Ângela Cristina. Turismo cultural em Mafra – Santa Catarina: uma forma de valorização do município. In anais do VIII ENTBL. Curitiba. Novembro, 2004. CD-ROM.

CARDOZO, Poliana F. Considerações preliminares sobre produto turístico étnico. Pasos Revista de Turismo y Patrimônio Cultural. Vol.4 nº2 (P. 143-152) 2006.

DIAS, Reinaldo. Sociologia do turismo. São Paulo: Atlas, 2003.

FUNARI, Pedro Paulo; PINSKY, Jaime. Turismo e patrimônio cultural. 4 ed. São Paulo. Contexto, 2003.

GASTAL, Susana.Turismo & Cultura: por uma relação sem diletantismos. In: GASTAL, Susana. Turismo: 9 propostas para um saber-fazer. 2ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Disponível em: www.iphan.gov.br. Acessado em: 22/08/2008.

KADT, Emanuel de. Turismo ¿Pasaporte al desarrollo? Madrid: Ediciones Endymion.198-

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 21 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

MONTEJANO, Jordi M. Estrutura do mercado turístico. 2 ed. Roca. São Paulo, 2001.

SANTANA, Agostín. ¿Nuevas hordas, viejas culturas? La antropología y el turismo. (mimeo) 19-

SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura. 1 ed. São Paulo. Editora Brasiliense, 1983.

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Disponível em: www.unesco.org.br. Acessado em: 22/08/2008

VALE, Flausino Rodrigues: Elementos de folclore musical brasileiro. 3 ed. São Paulo: Brasiliana, 1978.

[1] Bacharel em Turismo graduada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Paraná) e-mail: scheillapereira@hotmail.com.

[2] Bacharel e Mestre em Turismo (Unioeste/UCS). Docente e pesquisadora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Paraná). E-mail: polianacardozo@yahoo.com.br

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