Filme “Amantes (Two lovers)” e sua contribuição às singelezas da vida

Fernanda Gabriela Soares dos Santos Décio Luciano Squarcieri de Oliveira1

publicado em 04/01/2010 como <www.partes.com.br/educacao/amantes.asp>

“É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer.”

Nando Reis

Fernanda Gabriela Soares dos Santos tem licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria. Especialista em Gestão Educacional/UFSM, Mestranda em Educação/UFSM, Professora da Rede Municipal de Formigueiro – RS, Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Imaginário Social – GEPEIS – UFSM. fernandagssantos@yahoo.com.br

O convite que aqui fazemos ao leitor, para assistir essa sutil história foi o mesmo que fizemos aos nossos amigos. Não é um filme para provocar diferentes emoções, nem tampouco recheado de efeitos especiais. Não é isso que a película nos provoca e atina. É um filme delicado, mas denso sob o ponto de vista que é a história de um rapaz depressivo.

Tal personagem facilmente cairia na caricatura se não fosse interpretado pelo (Por que não dizer?) brilhante Joaquin Phoenix, sempre magistral em seus personagens, superando-se a cada filme, construiu um personagem que se não nos apaixona pelo seu olhar nos humaniza pelas atitudes sinceras. Em função do diagnóstico de bipolar e de uma tentativa de suicídio, os pais sempre o estão cuidando, sobretudo a mãe. Diálogos meticulosos com o filho que já buscou o suicídio como forma de aliviar a dor de uma ruptura amorosa.

Eis que então surge dois novos sopros de vida, quase concomitantemente no caminho deste solitário: uma vizinha que tem um envolvimento complicado com um homem casado. Linda e com uma vida truculenta. Por outro lado, seus pais apresentam-lhe a filha de grandes amigos, também linda, mas comportada. Soma-se ainda a paixão desta última por ele, que sonha com a construção de uma vida a dois.

Quem então escolher? Como saber qual das duas será a melhor companheira, esse é um dos ápices do filme. Situação totalmente humana, sem nada inesperado, nem grandes surpresas. Embora torçamos para uma delas, é pela outra que seu coração bate mais forte…

A verdade é que eles sempre foram semelhantes, se interessavam pelas mesmas coisas – mesmo quando discutiam agressivamente, quando se escondiam em longos silêncios – e agiam seguindo aquela espontânea coincidência que deixava todos os outros (os objetos, os amigos, o mundo) de fora, despretensiosamente. Mas ela e eu sem dúvida somos outra combinação, e precisamos conversar. Para nós não existe o amparo do silêncio; eu quase diria que, quando o temos, a conversa sobre trivialidades próprias e alheias nos protege dos horríveis espaços em branco em que tendemos ao mesmo tempo a nos entreolhar e a fugir dos olhares, sem saber o que fazer com o silêncio do outro. (BENEDETTI, 2007, p.11)

Décio Luciano Squarcieri de Oliveira é Graduado em História – Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria. Especialista em História do Brasil/UFSM, Mestrando em Educação/UFSM, Professor Pesquisador I da Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFSM, Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Imaginário Social – GEPEIS – UFSM. decioluciano@yahoo.com.br

E, tal como não raro nossos filhos fazem conosco, a opção dele é a mais sinuosa. É a mulher complicada, sem regras, que o envolve. Ele então arma uma situação para que ambos possam fugir, vai largar tudo por ela, porém nesse momento ela opta pelo homem casado, o qual, tal como outras vezes, prometera-lhe largar a esposa e ficar com ela.

O protagonista volta então para casa e fica com a outra. Sorri para ela. Sua mãe e ele se entreolham, sua mãe está a par da situação, porém, não o julga, apenas torce para que ele seja feliz. Agora já não há duas opções, só ela, e não exatamente a que ele escolheu.

Decisão essa que cada um de nós passa o tempo inteiro, nas decisões relativas ao amor, ao trabalho, ás amizades, às finanças. Quantas vezes não questionamos se o caminho escolhido realmente foi o melhor?

E pior é quando deixamos de nos questiona, quando vivemos a vida no automático, como a brincadeira de Chaplin em “Tempos Modernos”, essa é a grande questão. Seria muito fácil se apenas executássemos, mas não, fomos feitos de amor, por isso podemos arriscar e voltar atrás. E isso é muito bom.

Tamanhos os questionamentos e inquietudes que o filme nos deixou que, ao contrário de outros que gostamos, não vamos exibi-lo aos nossos alunos. Por nenhum outro motivo senão a pouca idade deles. É muita inquietação para a juventude. Deixaremos para nós as dúvidas da vida e aos leitores o convite para o filme.

REFERÊNCIAS

BENEDETTI, Mario. Quem de nós: uma História de amor. Tradução: Maria Alzira Brum Lemos. Rio de Janeiro: Record, 2007.

 Professora de Filosofia da rede Municipal de Formigueiro, RS, Mestranda em Educação pela UFSM,fernandagssantos@yahoo.com.br.

Professor da Universidade Aberta do Brasil- UAB, mestrando em Educação pela UFSM, membro do GEPEIS(Grupo de Pesquisa em Educação e Imaginário Social),decioluciano@yahoo.com.br.1

Como citar este artigo: OLIVEIRA, Décio Luciano Squarcieri., SANTOS, Fernanda Gabriela Soares, Filme “Amantes (Two lovers)” e sua contribuição às singelezas da vida P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica. janeiro de 2010. Disponível em <>. Acesso em _/_/_.

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