Demografia e Questão Ambiental

Miguel de Sousa Freitas*

publicado em 10/12/2010 como www.partes.com.br/socioambiental/demografia.asp


Miguel de Sousa Freitas, Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, Professor da Rede Pública: Estadual do Maranhão e do Piauí

Resumo: Este artigo propõe-se a expor a contribuição dos demógrafos diante as mudanças ocorridas na natureza, socializando o trabalho destes nas suas metodologias, ideologias e contradições, presentes nesse longo processo visando melhorar a condição ambiental. Analisando as consequências desse grande impacto do meio ambiente e entrando na linha de frente de como essa questão tem gerado um problema global que prejudica a própria existência da humanidade se for levado em consideração à preexistência das gerações futuras.  

Palavras-Chave: Meio Ambiente, Demografia, Impactos ambientais, Saúde Pública

A dizimação da natureza atualmente é preocupante, ela desencadeia vários olhares sobre a questão ambiental, na sociedade essa temática é de fundamental importância, não só para os ambientalistas, mas também para toda a população mundial, é necessária maior mobilização e atenção para os problemas ambientais, porque eles extinguem a própria humanidade considerando que o ser humano precisa da natureza para reproduzir-se e é nela que ele encontra a matéria bruta para a finalização ou não de seu produto acabado, porque na natureza podemos fazer uso também de matérias brutas como os vegetais, as frutas e a cobertura vegetal em si, sendo esta importante para o equilíbrio ecológico.

Partindo do princípio que a ciência demográfica se originou do dilema entre dinâmica demográfica e mudança ambiental, aponto que essa relação é acompanhada na sociedade desde a antiguidade, com os gregos e romanos na história, porém anteriormente, a demografia ora confirmava e ora negava a teoria de Malthus. Com o boom da crise ambiental em décadas recentes, os demógrafos não tinham bagagem teórica para se adequar às novas realidades ambientais, só uma década depois é que estes começaram a legitimarem-se com o debate ambiental.

Abstraindo a teoria neomalthusiana, a dificuldade que os demógrafos tiveram foi de responder a indagação de alguns cientistas de outras áreas do pensamento, em relação à posição dos demógrafos com o crescimento populacional, já que os cientistas estavam preocupados com as proporções que este crescimento ocasionou para a crise ambiental, pois os demógrafos ao analisarem as estatísticas do aumento populacional não perceberam essas questões ambientais e outros setores de suma importância para a formação do espaço geográfico.

 A chegada dos anos noventa trouxe consigo uma nova abordagem da questão populacional e o meio ambiente. Antes essa questão era criminalizada, podemos ver isso claramente diante da posição de um delegado brasileiro em Estocolmo em 1972 quando ele falou que a preocupação com o meio ambiente só dizia respeito aos países desenvolvidos segundo ele o ambientalismo é considerado uma ostentação para esses países, pois é um indício de que com o aumento da poluição houve um desenvolvimento econômico, financeiro para os países pertencentes a esse bloco econômico.

Atualmente, a preocupação com o meio ambiente está sendo debatida abundantemente em todos os setores da sociedade, uma vez que há o predomínio do desenvolvimento sustentável, onde está sendo levado em consideração não só a qualidade dos produtos, mas também as formas que estes são extraídos da natureza se foram retirados de maneira responsável, que não extingue a cobertura vegetal e possibilite uma melhor preservação e reposição desses recursos naturais. No Brasil os demógrafos participaram ativamente como consultores do Ministério das Relações Exteriores e também na Associação Brasileira de Estudos Populacionais, elaboração de seminários sobre a temática, participação de Conferências, debatendo as novas questões sobre o ambientalismo em contraposto com as velhas ideologias, métodos contraceptivos para diminuir a taxa de natalidade e a inserção do planejamento familiar.

O planejamento foi visto nos países da América Latina sob a ótica dos países desenvolvidos não de uma forma fundamentada e bem elaborada visando o desenvolvimento econômico, foi atribuída à queda das taxas de natalidade pelas taxas de óbito, onde não negaram as reais desigualdades sociais que contribuíram de fato para esse acontecimento, o planejamento serviu como válvula de escape para conter a população, pois as taxas de crescimento populacional estavam elevadas e não tinham condições de distribuir igualmente as riquezas socialmente produzidas, por isso o planejamento familiar serviu para amenizar essas desigualdades sendo este imediatista sem curar a raiz dos problemas sociais.

As velhas capas do discurso sobre crescimento populacional foram substituídas por questões atuais como: o prolongamento da longevidade do ser humano, o futuro das gerações posteriores, a preocupação com as reservas naturais, as frequentes alterações climáticas, enchentes, terremotos, escorregamentos, erosão, desertificação, poluição, degelo das camadas polares, mudanças nos ciclos reprodutivos de várias espécies em diferentes regiões do mundo. À proporção que a natureza respondeu às imposições errôneas dos homens no tratamento com esta, o crescimento populacional e o meio ambiente tiveram importância na explicação dos impactos sofridos pela natureza, é importante ressaltar que segundo Daniel Joseph Hogan o vilão da história não é o crescimento da população, mas sim que este é considerado um fator agravante para tal questão ambiental.

Uma das problemáticas da relação entre população e meio ambiente são as doenças que castigam principalmente as crianças e os idosos, já que essa categoria apresenta uma menor defesa no organismo para as doenças ocasionadas com as práticas de mau uso da natureza, são exemplos de patologias: o estresse principalmente é afetado nas pessoas que têm um ritmo de vida acelerado e que trabalham rotineiramente, disenterias nas crianças, obesidade, as altas taxas de homicídio sendo os homens os maiores praticantes para o aumento desse índice, osteoporose nos idosos atualmente essas taxas tendem a crescer devido à degradação da natureza e adição de substâncias químicas em alimentos como é o exemplo dos refrigerantes, ou seja, com os desgastes ambientais as pessoas ficam sujeitas a doenças mais frequentemente.

O Brasil é um país com uma rica biodiversidade, possui uma variedade de biomas muito importante para o equilíbrio ecológico, a Amazônia constitui o maior banco genético da diversidade terrestre, os impactos ambientais brasileiros são brandos em comparação com o de países como Estados Unidos, China e Japão que também atuam como os maiores poluidores do meio ambiente, porém somos constantemente vitimados pelos impactos ambientais como a seca que assola principalmente a região nordeste do país, as crescentes desertificações posso citar o que está acontecendo no Piauí na região de Gilbués, o exemplo do furacão Catarina em 2002 no sul do Brasil, as enchentes como a que aconteceu em Santa Catarina que teve uma grande mobilização e campanha visando à melhoria das pessoas desabrigadas e além dos desastres ambientais ainda vem imbricadas as suas respectivas consequências que são: fome, miséria, falta de água potável, proliferação de doenças, prejuízos financeiros e não matérias como a morte de pessoas que se encontram nas regiões propícias a riscos ecológicos.

Segundo Blaikie o problema enfrentado pelos ambientalistas para prever e prover à população da ocorrência de desastres ambientais seria a dificuldade de controlar longas extensões de terra sobre os impactos, problemas de escala, incerteza e complexidade, falta de tempo já que os desastres ocorrem repentinamente, todos esses empecilhos problematizam a questão ambiental, pois são barreiras que não seriam apenas responsáveis para essa questão não só os ambientalistas, mas sim uma conscientização da população e respeito para com a natureza, o uso de novas tecnologias mais rápidas eficientes e precisas executariam funções, mas desejadas para combater o desgaste ecológico.

Portanto, é importante que a população se conscientize dos problemas ambientais atuando com medidas simples como: economizar água, não derrubar árvores, os arquitetos na elaboração de projetos como edifícios, casas, desenvolver dentro de uma com uma visão de arquitetura bioclimática para que haja um equilíbrio entre a área edificada e a área vegetal, não deixar dejetos e lixos em locais impróprios, pois esses resíduos podem causar doenças e tapar bueiros impedindo o escoamento da água ocasionada pelas chuvas, redução de carros poluentes do ar, quando for ao supermercado preferir as sacolas de papel ou as sacolas ecológicas, pois o plástico para se decompor na natureza demora vários anos e manter o crescimento populacional visando o crescimento das riquezas socialmente produzidas.

Referências Bibliográficas

 

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*Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, Professor da Rede Pública: Estadual do Maranhão e do Piauí.E-mail: qdmisofre@gmail.com

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