Caminhos para a sustentabilidade pelas vias da Educação Ambiental

Leonardo Oliveira DA SILVA, Elineí Araújo-de-Almeida

publicado em 04/01/2011 como http://www.partes.com.br/socioambiental/sustentabilidadecaminho.asp

 

RESUMO INFORMATIVO:

Leonardo Oliveira DA SILVA
Biólogo, Aluno do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN; E-mail: le.biology@gmail.com

Discute-se muitos sobre aspectos concernentes a Educação Ambiental numa perspectiva transformadora firmando a educação enquanto práxis social, objetivando o estabelecimento de uma consciência crítica e reflexiva com vistas à transformação da realidade tanto ambiental como social. Com base no referencial teórico-metodológico da perspectiva transformadora, buscou-se abordar questões em torno da Educação Ambiental, demonstrando ao mesmo tempo a possibilidade de promover nos sujeitos envolvidos nas experiências práticas, uma melhor percepção sobre a realidade socioambiental.

INTRODUÇÃO

O crescente uso e extração dos recursos naturais tem nos levado cada dia a um verdadeiro colapso de cunho ambiental. A despreocupação das entidades públicas e privadas nos mostra que se faz necessário intensificar o trabalho de conscientização e modificação de postura frente aos absurdos ocasionados ao meio ambiente devido o chamado desenvolvimento.

A questão ambiental deixou de ser somente um “acaso” passando a ser uma preocupação quando se percebe que devido à “falta” de alguns desses recursos naturais o desenvolvimento estava sendo combatido de frente por um “inimigo invisível”.

Assim vários municípios, estados e até países estavam passando por sérios riscos, como por exemplo, cita-se nosso próprio país que há alguns anos atrás quase que “surtava” devido à falta d’água que tirava o potencial gerador de energia das hidrelétricas o que poderia levar o Brasil ao “apagão” e a um grande “desespero” econômico.

De igual modo percebemos que a sociedade também tem sua parcela de culpa, sabe-se que desde o new american way of life, (novo estilo americano de vida), ou seja, expressão utilizada pela mídia do século XVII para mostrar as diferenças da qualidade de vida da população norte-americana.

No entanto percebe-se que desde então a sociedade de um modo geral vive na esfera do consumismo levando ao caótico estado de degradação por não mais se saber o que fazer com a quantidade de resíduos sólidos produzidos diariamente.

A sociedade começou a “desabrochar” para as questões ambientais por volta da década de 60 e 70, quando em Estocolmo, na Suécia foi realizada a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, onde ocorreu a elaboração de um documento chamado de Declaração de Estocolmo, que vinha a ser um conjunto de princípios para o manejo ecologicamente racional do meio ambiente.

Carcino (2007,. P 37) salienta que “esta Declaração representou o início de um dialogo entre países industrializados e países em desenvolvimento a respeito da vinculação que existe entre o crescimento econômico, a poluição dos bens globais (ar, água e oceanos) e o bem estar dos povos de todo mundo”.

Elineí ARAÚJO-DE-ALMEIDA
Professora do Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN; E-mail: elineiaraujo@yahoo.com.br

A falta de compromisso das pessoas com as questões ambientais pode ser de certa forma devido à maneira como elas veem o meio ambiente. Carvalho (2006,. P 35) diz que “essa visão “naturalizada” tende a ver a natureza como o mundo da ordem biológica, essencialmente boa, pacificada, equilibrada, estável em suas interações ecossistêmicas, o qual segue vivendo como autônomo e independente da interação com o mundo cultural humano”.

Contudo sabe-se que de fato há uma interação intrínseca entre o homem a sociedade e este meio ambiente, pois este deve se tornar o agente fundamental na perspectiva de melhora do meio ambiente.

Sendo assim visando uma melhor estruturação dessas vertentes propõem-se a busca de uma transformação da mentalidade ambiental dos indivíduos da sociedade através da educação e assim consequentemente levá-los a mudanças nas atitudes que outrora poderiam ser prejudicial ao meio ambiente tendo em vista que essa mudança levará a um verdadeiro desenvolvimento sustentável.

Vale salientar que os recursos naturais são renováveis, mas não se renovam de uma hora para outra, mas passa por um processo de regeneração longo e duradouro e também se sabe que em alguns casos fica impossibilitada esta regeneração.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL TRANSFORMADORA

Na perspectiva da educação a Educação Ambiental Transformadora vem permear de modo contundente uma emancipação dos indivíduos presentes em “tal” sociedade para que se possam levar a alterações as atividades humanas. Buscando de alguma forma “revolucionar” determinados paradigmas que visa ter como resultado uma transformação integral do ser e dos objetivos que o leva a existir.

Loureiro (2004,. P 90) ressalta que “entendemos falar em Educação Ambiental Transformadora é afirmar a educação quanto práxis social que contribui para o processo de construção de uma sociedade pautada por novos patamares civilizacionais e societários distintos dos atuais, na qual a sustentabilidade da vida, a atuação política consciente e a construção de uma ética que se firme como ecológica seja o seu cerne”.

Desta forma vale utilizar a Educação Ambiental não apenas como uma mera metodologia, mas levar a aplicabilidade desta a uma profundidade onde esta se torne uma ferramenta indispensável para a transformação e levar os indivíduos a ter uma consciência ambiental voltada para uma melhor qualidade de vida.

Assim a partir de um levantamento minucioso de modelos teóricos que dá aplicabilidade para o tema, percebe-se que a utilização da Educação como uma ferramenta transformadora e a utilização de metodologias práticas leva-se a uma modificação na consciência ambiental de indivíduos que se abrem para uma nova perspectiva de contribuição pra bem estar ambiental.

Com isso o entendimento da educação como instrumento mediador de tal transformação busca-se levar os indivíduos que compõem tal sociedade a conhecer a realidade, num processo de sistematização, reflexão e ação; fortalecer a ação coletiva e organizada; articular diferentes saberes na busca por soluções de problemas e compreender o ambiente em toda sua complexidade e a vida em sua totalidade. Freire (1996,. P 11) diz que “a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”.

Enfim, tendo em mente que o ser humano está sempre sujeito a mudanças e a novas experiências, essas metodologias mostram-se eficazes na modificação daquilo que supõe ser uma atividade degradante em novas posturas com atividades que trazem menos danos ao ambiente e aos recursos que o mesmo nos disponibiliza.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mesmo com o passar do tempo a educação ainda se mostra como instrumento infalível na emancipação dos indivíduos, portanto, deve instrumentalizar e preparar este indivíduo para escolher livremente os melhores caminhos para sua própria vida, mas que estes caminhos os façam ingressar em uma sociedade que esteja em comunhão com a natureza.

Sendo assim dentro das perspectivas propostas pela educação ambiental transformadora podemos concluir que a partir de projetos educacionais voltados para as questões socioambientais a educação vai desempenhar um papel fundamental nesta proposta que leva o homem a uma conscientização e os levam a ser participantes do processo de sustentabilidade.

Desta forma haverá uma melhora substancial para determinados fatores que atualmente tem tido como consequências degradantes ao meio ambiente e de igual modo tem levado a danos irreparáveis e estrutura ecológica (em seu termo mais abrangente) da Terra.

REFERÊNCIAS

CARCINO, F. Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores. 4 ed. São Paulo: Senac, 2007.

CARVALHO, I. C. M. Repensando nosso olhar sobre as relações entre sociedade e natureza. In Carvalho, I. C. M. Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2006. (Coleção Docência em Formação).

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 2 ed. São Paulo: EGA, 1996

LOUREIRO, C. F. B. Por uma educação ambiental transformadora. In: LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e fundamentos da educação ambiental. São Paulo: Cortez.

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