Coleta Seletiva em uma empresa de limpeza pública de Maceió (AL)

Angélica Kelly S. PIMENTEL1 (1); Kássia Karina S. ARAÚJO* (2); Marcela V. ROCHA* (3)

publicado em 03/02/2011 como www.partes.com.br/socioambiental/coletaseletiva.asp

Angélica Kelly S. Pimentel é graduanda em Biologia Licenciatura (UFAL).e-mail: angelicakpimentel@gmail.com
Kássia Karina S. Araújo é Graduanda em Geografia Bacharelado (UFAL), e-mail: kassiaaraujoga@hotmail.com;
Marcela V. Rocha é graduanda em Direito (FAA), e-mail: marcelinhavrocha@hotmail.com

RESUMO

Este artigo aborda a implantação da coleta seletiva em uma empresa de limpeza urbana na cidade de Maceió, com o objetivo de minimizar o descarte inadequado de materiais com grande potencial de reciclagem. Trata-se de um estudo de caso, onde a metodologia utilizada abrange disponibilização de lixeiras, educação ambiental e monitorado nos setores. Com a implantação do projeto o lixo passou a ser separados e os materiais recicláveis doados, trazendo benefícios de ordem social, econômica e ambiental.

Palavras-chave: coleta seletiva, educação ambiental, materiais recicláveis, empresa.
ABSTRACT

This article discusses the selective collect implementation in an urban sanitation company in the city of Maceió, in the objective of minimize the inadequate discard of materials with great potential for recycling. This is a case study where the methodology covers provision of litter bins, environmental education and monitored sectors. By deploying the project the trash began to be separated and recycled materials donated, bringing the benefits of social, economic and environmental.
Keywords: selective collection, environmental education, recyclable materials; company.

 

  1. INTRODUÇÃO

O meio ambiente vem sofrendo modificações desde a pré-história. Mas foi no século XX, que o homem percebeu que os recursos naturais são esgotáveis e a exploração econômica estava resultando em efeitos perversos a natureza e ao homem. A partir daí, os movimentos a favor da proteção do meio ambiente ganharam força, surgindo diversos encontros, conferências, tratados e acordos assinados por diversos países no mundo (CUNHA; GUERRA, 2008). Desta forma, a questão ambiental, tornou-se um tema debatido pelo fato de que um ambiente em equilíbrio reflete na qualidade de vida dos povos. Neste contexto, surgem os problemas com os resíduos sólidos considerados uma grande ameaça ao planeta.

Os resíduos sólidos geralmente são descartados em aterros sanitários ou lixões, assim representando um enorme desperdício de energia e matéria-prima, resultando em problemas ambientais que aumenta com a ausência de gestão ambiental. Sendo assim, a adoção de práticas sustentáveis transforma-se em um instrumento necessário para um meio ambiente equilibrado.

Dentre as ações que visam proteger o meio ambiente está a Coleta Seletiva aliada à educação ambiental como ferramenta para mitigar os efeitos dos descartes inadequados dos resíduos.

Em um estudo de caso realizado em uma Empresa de Limpeza Urbana na cidade de Maceió no Estado de Alagoas, verificou-se o andamento do Projeto “Coleta Seletiva na Empresa”, que tem como objetivo despertar a consciência ambiental dos funcionários através da separação do lixo reciclável e não- reciclável, minimizando o descarte inadequado de materiais com grande potencial de reciclagem e dando-lhes uma destinação adequada.

  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo o dicionário Ferreira (1986, p. 1042) lixo é “tudo o que não presta e se joga fora; coisas inúteis, velhas e sem valor”. já de acordo com a associação brasileira de normas técnicas – ABNT apud Tavares (2010) diz que: o lixo são as sobras das atividades do homem que são considerados inúteis pelos mesmos, assim sendo indesejáveis e/ou descartáveis, podendo está no estado sólido e líquido, desde que não seja passível de tratamento.

O lixo pode ser dividido quanto às características físicas, composição química e origem. As características físicas são divididas em: seco (papéis, plásticos, metais) e molhado (restos de alimentos, cascas e bagaços de frutas e verduras). Quanto à composição química: orgânico (cabelos, restos de alimentos, pó de café) e inorgânico (vidros, borrachas e tecidos). As origens podem ser: domiciliar, comercial, serviços públicos, hospitalar, portos, aeroportos, industrial, radioativo, agrícola e entulhos (REDAÇÃO AMBIENTE BRASIL, 2010).

A ABNT (2004) define resíduos sólidos como aqueles nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

Segundo Zanta e Ferreira (2003) os resíduos sólidos são classificados como: Resíduos perigosos, não inertes e inertes, como mostram o quadro 1.

 

É notório que os resíduos sólidos são produzidos pelas atividades humanas e quando descartado de maneira inadequada pode causar problemas ao meio ambiente e à saúde da população. De acordo com Zanta e Ferreira (2003), o tratamento e o reaproveitamento dos resíduos são ações corretivas e benéficas, assim valorando os resíduos, diminuindo os gastos dos recursos naturais, mitigando a poluição, gerando emprego e renda, aumentando a vida útil dos sistemas de disposição final.

Uma das ações corretivas é a reciclagem, mas para reciclar, é necessário separar os materiais a partir da coleta seletiva que é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis: papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, previamente separados na fonte geradora. Entretanto para funcionar é preciso um trabalho de educação ambiental para sensibilizar as pessoas dos problemas do desperdício de recursos naturais e da poluição causada pelo lixo. A coleta seletiva é a etapa de coleta de materiais recicláveis na própria fonte geradora, acondicionamento e apresentação para coleta em dias e horários pré-determinados, ou mediante entrega em Pontos de Entrega Voluntária, em Postos de Troca, a catadores, a sucateiros ou a entidades beneficentes (BRINGHENTI, 2004).

São muitas as vantagens da coleta seletiva, pois contribui para a melhoria do meio ambiente, na medida em que: mitiga a exploração de recursos naturais; diminui o consumo de energia; ameniza a poluição do solo, água e ar; prolonga a vida útil dos aterros sanitários e lixões; possibilita a reciclagem de materiais que iriam para o lixo; diminui os custos da produção; diminui o desperdício; minimiza os gastos com a limpeza urbana; cria oportunidade de fortalecer organizações comunitárias; e gera emprego e renda pela comercialização dos recicláveis.

Para praticar o sistema de coleta seletiva é importante a utilização de lixeiras com cores simbólicas que diferenciam e identifica os materiais, cada material tem uma cor padrão, como demonstra o quadro 2.

       

       O lixo é responsável por um dos mais graves problemas ambientais de nosso planeta e seu volume vem aumentando intensamente. É importante ressaltar que não adianta apenas separar os resíduos se não for dada uma destinação correta. Dentro desse quadro, a coleta seletiva de lixo aparece não como a solução final, mas como possibilidade para a redução do problema.

A coleta seletiva, pode ser mais simples do que se imagina, é composta apenas da separação do lixo seco e reciclável (papel, plástico e vidro) do lixo úmido (restos de alimentação e papel de banheiros). A destinação final dos resíduos sólidos coletados varia de acordo com o tipo de material gerado, exemplos: materiais como plástico, papel, vidro e metal pode ser doados ou vendidos a uma cooperativa de reciclagem.

3 METODOLOGIA

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

O empreendimento atua na área de Engenharia Am­biental, especialmente no segmento de limpeza ur­bana, tem sua sede em São Paulo e filiais nos Estados de Alagoas, Bahia e Pernambuco. A Empresa recolhe resíduo domiciliar, urbano, hospitalar e comercial; realiza construção e operação de aterros sanitários, remediação de áreas degradadas, varrição de vias públicas, limpeza manual e mecanizada de praias e orla marítima e manutenção de áreas ver­des, dentre outros serviços.

3.2 MÉTODOS

A idéia do “Projeto Coleta Seletiva na Empresa” surgiu pelas estagiárias de gestão ambiental, a partir da observação da grande geração de resíduos recicláveis, onde eram descartados de forma inadequada.

De início, foram feitas vistorias nos setores da parte administrativa para detectar o tipo de lixo produzido no local; foram observadas as características físicas do empreendimento e com base nos dados obtidos ocorreu a elaboração do projeto, no mês de março.

No mês de abril o projeto foi apresentado aos funcionários, junto com um trabalho de educação ambiental e distribuição de folhetos informativos e lixeiras, cada setor recebeu dois tipos de lixeiras, sendo uma para serem depositados materiais recicláveis e a outra para não recicláveis.

Os recicláveis são coletados e armazenados um contêiner de plástico, e depois doados à COOPREL semanalmente, sendo pesados no momento da doação. Já os não recicláveis são coletados pela própria empresa e encaminhados ao aterro sanitário.

O projeto é monitorado duas vezes ao mês através de visitas nos setores, onde são elaborados relatórios de conformidade e não conformidade, realizando ações corretivas para o melhor andamento do mesmo.

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Foi aplicado em uma empresa, um sistema prático e simples de coleta seletiva, o método de separação utilizado foi baseado na praticidade, e conforme o mercado local de recicláveis.

O modelo de coleta seletiva que se conhece é complexo e de alto custo, pois tem divisão de lixeiras para cada tipo de resíduo, podendo ser transformando em um modelo mais convencional que é composta apenas de duas lixeiras para o lixo reciclável e outra para não reciclável.

O modelo de coleta seletiva adotado na empresa foi o convencional. Segundo o TRT (2010), para separar o material, basta ter dois tipos de recipientes: um para o lixo úmido e rejeitos e outro para o reciclável.A implantação da coleta seletiva é um processo contínuo, o qual é ampliado gradativamente. Inicia-se com campanhas informativas de conscientização e orientação para a separação do lixo (SIMONETTO; BORENSTEIN, 2006). Sendo assim, foi necessário disponibilizar dois tipos de lixeiras para cada setor, uma para lixos recicláveis e outra para os não-recicláveis, conforme figura 1.

No começo a separação do lixo não obteve sucesso, os funcionários da empresa possuíam um repertório de hábitos e comportamentos cristalizados, e de difícil reorientação, o que tornou a aplicação da coleta seletiva um desafio.

De acordo com Guerra (2004) a falta de vivência e experiência das pessoas em relação às práticas ambientalmente correta é um dos principais obstáculos a serem superados durante o processo de implantação de um trabalho de educação ambiental.

Com o monitoramento e a educação ambiental contínua, os funcionários começaram a adquirir uma nova prática, descartando os resíduos produzidos no trabalho dentro das lixeiras, conforme suas características. Desta forma, os materiais recicláveis separados são coletados pelos serviços gerais da empresa e depositados em um contêiner de plástico com tampa, exclusivo para o armazenamento dos recicláveis (papel, plástico e papelão) que são levados para a COOPREL que é composta por uma unidade de triagem e lugares para catação; está localizada a 800m da empresa e é formada por 21 cooperados (figura 2).

Os materiais não recicláveis (guardanapo, papel higiênico, embalagens metalizadas e resto de alimentos) são coletados pela própria empresa tendo como destino final o aterro sanitário.

Todo material doado é pesado, contabilizado e assinado pelo receptor da cooperativa, a evolução da quantidade de materiais recicláveis separados por mês pode ser visto no gráfico 1.

 

No mês de junho a empresa doou 8,2kg de materiais com potencial para reciclagem, e as doações foram aumentando em cada mês, apenas no mês setembro ocorreu uma pequena queda de 2,6kg referente ao mês de agosto, entretanto nos próximos meses de outubro, novembro e dezembro de 2010 a empresa elevou a quantidade de material coletado no projeto de maneira progressiva. No ultimo mês do ano a empresa doou aproximadamente 12 vezes mais em relação ao primeiro mês de doação.

É possível detectar que os valores doados em cada mês foram aumentando progressivamente, assim no encaminhar do projeto comprovou-se que os funcionários se conscientizaram e adquiriram novas práticas ambientalmente correta que é de suma importância para o funcionamento da coleta seletiva.

De acordo com Simonetto e Borenstein (2006), o fundamento do processo de coleta seletiva é a separação dos materiais recicláveis do restante do lixo, onde é destinado respectivamente a cooperativa e ao aterro sanitário.

No total, o empreendimento doou 317,4kg de materiais recicláveis a COOPREL, assim trazendo benefícios social, ambiental e econômico, como: redução significativa dos níveis de poluição ambiental; redução desperdício de recursos naturais, através da economia de energia e matérias-primas como também a diminuição dos custos do processo de produção de novos produtos; mitigação do descarte de materiais com alto poder de reciclagem, consequentemente aumentando a vida útil dos aterros sanitários; geração de emprego, assim aumentando a renda familiar com a venda dos materiais; e melhoria da saúde populacional.

Enfim, é possível observar que o custo-benefício da implantação da coleta seletiva em uma empresa é bastante favorável, melhorando a qualidade de vida de todos os envolvidos, diretamente e indiretamente, e aumentando os valores ambientais dos funcionários e da empresa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A coleta seletiva de lixo aparece não como a solução final do descarte inadequado de resíduos, mas como uma das possibilidades da redução do problema, e sua implantação em uma empresa é tarefa fácil quando se têm funcionários e gerentes prontificados a cooperar com o andamento do projeto, pois para atingir bons resultados é preciso a coletividade. De início é necessário ser persistente, pois os funcionários da empresa possuem um repertório de hábitos e comportamentos cristalizados, mas com a educação ambiental contínua é possível alcançar bons resultados.

referências

ABNT. Resíduos sólidos – Classificação. NBR 10004. 2ª ed. 2004. Disponível em: <http://www.aslaa.com.br/legislacoes/NBR%20n%2010004-2004>.pdf. Acesso em 02 dez. 2010.

BRINGHENTI , Jacqueline. Coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos: aspectos operacionais e da participação da população. Tese (Doutorado em Saúde Ambiental). Faculdade de saúde publica de Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

CUNHA, Sandra Baptista da; GUERRA, Antônio José Teixeira. A Questão Ambiental: Diferentes Abordagens. 4ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

DIAS, Sonia Maria. Construindo a Cidadania: Avanços e Limites do Projeto de Coleta Seletiva em Parceria com a Asmare. Dissertação (Mestrado em Geografia) Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2002.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

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SIMONETTO, Eugênio de Oliveira; BORENSTEIN, Denis. Gestão operacional da coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos – abordagem utilizando um sistema de apoio à decisão. Revista gestão e produção v.13, n.3, p.449-461, set.-dez. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104530X2006000300008&Lng=en&nrm=iso&tlng=pt> . Acesso em 12 dez. 2010.

TAVARES, Gracely Ortega. Meio Ambiente: A diferença entre lixo e resíduo. Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. São Paulo, 2005. Disponível em:<http://www.unisite.com.br/Geral/13428/Meio-Ambiente:-A-diferenca-entre-lixo-e-residuo.xhtml>. Acesso em 02 dez. de 2010.

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ZANTA, Viviana Maria; FERREIA, Cynthia Fantoni Alves. Gerenciamento Integrado De Resíduos Sólidos Urbanos. In: CASTILHOS JÚNIOR, Armando Borges de. (coord.). Resíduos Sólidos Urbanos: aterro sustentável para município de pequeno porte. Rio de Janeiro: ABES, Rima, 2003.

1 Tecnólogas em Gestão Ambiental (IFAL/MD); (1) Graduanda em Biologia Licenciatura (UFAL), e-mail: angelicakpimentel@gmail.com; (2) Graduanda em Geografia Bacharelado (UFAL), e-mail: kassiaaraujoga@hotmail.com; (3) Gaduanda em Direito (FAA), e-mail: marcelinhavrocha@hotmail.com.

 Como citar este artigo:

PIMENTEL, Angélica K. dos S.; ARAÚJO, Kássia K. S. de; ROCHA. Marcela V.. Coleta Seletiva em uma Empresa de Limpeza Urbana na Cidade de Maceió. Alagoas: Maceió, 2011.

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