Responsabilidade Socioambiental: um olhar sobre a relação da empresa com o meio ambiente

Responsabilidade Socioambiental: um olhar sobre a relação da empresa com o meio ambiente

Publicado originalmente em 03/02/2011   como: /www.partes.com.br/socioambiental/responsabilidadesocioambiental.asp

Jeanne Christine Mendes Teixeira[i]

Max Leandro de Araújo Brito[ii]

Elane de Oliveiraiii

Jeanne Christine Mendes Teixeira – Mestra em Administração e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: jeanneteixeira@yahoo.com.br

Resumo: O presente artigo objetiva perceber aspectos referentes à relação existente entre a atuação das organizações em relação ao meio ambiente e as ações governamentais desenvolvidas em relação ao mesmo. Caracteriza-se por ser uma pesquisa qualitativa. Faz referências tanto a linha de pensamento que defende que não é papel das organizações assumirem ações que caberiam ao Estado, quanto aborda o aspecto, que defende um posicionamento mais social e responsável das organizações em relação à sociedade.

Palavras-Chave: Responsabilidade Socioambiental. Meio Ambiente, Gestão, Ética.

Abstract: This article aims to understand aspects concerning the relationship between the performance of organizations in relation to the environment and governmental actions undertaken in relation to it. Be characterized by a qualitative research. Makes references as of thought that argues that is not the function of organizations take actions that would fit the state, when adress the issue, which advocates a more social and responsible position of organizations in relation to society.Makes references as seem the line of thought that argues that is not the role of organizations take actions that would fit the state, and address the issue, which advocates a more social and responsible position of organizations in relation to society.

Keywords: Environmental Responsibility, Environment, Management, Ethics.

  1. Introdução
Max Leandro de Araújo Brito é especialista em Educação a Distância pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC, e bacharel em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: maxlabrito@yahoo.com.br .

Se observarmos o homem no decorrer da sua evolução, verifica-se que este, no início da sua existência, adaptou-se ao meio ambiente, utilizando estratégias de sobrevivência que causavam baixo impacto ao ecossistema no qual estavam inseridos. Entretanto, no decorrer da sua história e de forma paralela com o desenvolvimento tecnológico, o homem descobriu que, além de produzir e transportar possuía a capacidade de armazenar. Tal descoberta transformou sua forma de relacionamento e uso, com o meio ambiente. A partir de então, as modificações ambientais, que ocorriam em pequena escala passaram a assumir proporções significativas.

O atual modelo de desenvolvimento socioeconômico está fundamentado sob três aspectos: uso de tecnologias agressivas e poluidoras ao meio ambiente; crescimento econômico ilimitado; e uma cultura social orientada para o consumo e o acúmulo de bens materiais. Esse é o cenário em que as organizações estão inseridas. Porém, com as recentes mudanças ambientais, decorrentes das ações degradadoras do homem para com o meio ambiente, a necessidade de preservação ambiental tem-se tornado algo cada vez mais urgente. Nesse sentido, é frequente as empresas procurarem formas de amenizar o efeito de suas ações tentando adequar-se às necessidades ambientais. Isto é, procurarem meios de agir de maneira responsável com o meio ambiente. Entretanto a responsabilidade socioambiental realizada pelas empresas tem dividido opiniões e sido abordada sobre dois aspectos: para uns não é papel das empresas conduzirem mudanças sociais que caberiam ao Estado; para outros as ações sociais das empresas privadas podem ir além do que é exigido por lei.

Para tanto o presente artigo tem por objetivo perceber aspectos referentes à relação existente entre a atuação das organizações em relação ao meio ambiente e as ações governamentais desenvolvidas em relação ao mesmo. Assim, em função de diversos questionamentos conceituais que envolvem o tema, a metodologia utilizada consiste na revisão da literatura abordando questões sobre meio ambiente, ética, economia e responsabilidade socioambiental caracterizando uma pesquisa qualitativa (ROESCH, 2005).

  1. A temática ambiental
Elane de Oliveira – Mestranda em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN. E-mail:oliveiraelane@yahoo.com.br

A partir da segunda metade do século XX as questões ambientais ganharam destaque no cenário mundial, uma vez que os efeitos dos danos ao meio ambiente decorrentes da ação humana fizeram-se sentir sobre diferentes áreas da sociedade, tais como: na economia, na política, nas organizações e principalmente na pesquisa, mais especificamente no processo de criação de novas tecnologias. A percepção de tais efeitos tem sido reforçada em função da maior incidência de problemas ambientais globais, que vem se agravando com o passar do tempo, como o aquecimento global, a redução da camada de ozônio, a contaminação do solo, a poluição do ar entre outros danos ambientais. Entretanto é importante ressaltar que esses problemas ambientais enfrentados atualmente não são novos, apenas a consciência do tamanho da sua complexidade é que é recente.

A existência de tais problemas ambientais é atribuída a diferentes fatores:

Há certa concordância na comunidade científica e em parcelas significativas da população de que as causas destes problemas ambientais devem-se ao aumento extraordinário da população do planeta, ao consumo individual abusivo de parcelas significativas da população (em especial dos países desenvolvidos e das regiões mais desenvolvidas dos países em desenvolvimento) e a continuação da utilização de processos e tecnologias de produção incompatíveis com a preservação dos recursos naturais. (DIAS, 2007, p.01):

A maneira como a sociedade está estruturada reflete diretamente nas questões ambientais, principalmente na forma como as instituições, quer sejam privadas ou governamentais, atuam na busca dos objetivos organizacionais. As questões ambientais exigem do indivíduo um olhar sistêmico sobre os diversos elementos que constituem a sociedade. É necessário que se investigue o meio ambiente através dos aspectos global, social, organizacional, coletivo e individual, e por meio do enfoque de diferentes áreas como: sociologia, administração, filosofia, geografia, antropologia.

  1. O papel puramente econômico das organizações

Uma forma de identificar a relação  entre as organizações e o meio ambiente está em observar que as empresas estão no meio ambiente sob a forma de emissões de resíduos, perda da biodiversidade e uso constante do patrimônio natural; por sua vez, o meio ambiente está nas empresas como parte do ecossistema em que estas estão inseridas. Partindo dessa forma sistêmica de olhar a relação das empresas com a sociedade:

[…] Os mercados e, portanto, a organização empresarial, não são autônomos com relação ao conjunto da vida social e não podem ser encarados como engrenagens permanentes, dotadas de regras fixas, imunes ao entorno em que se formam e se desenvolvem. Quando se abre a caixa-preta dos mercados, o que há dentro é sociedade, conflitos permanentes em torno de visões de mundo; interesses e formas de organizar a própria atividade privada. (VEIGA, 2009, p.339)

Observando-se os limites da relação entre a dimensão social das atividades que caberiam ao setor público e ao setor privado, algumas correntes de pensamento apontam para a inadequação do termo Responsabilidade Socioambiental por representarem argumentos de significados contrários, visto ser para muitos, a relação entre competitividade e proteção ambiental, elementos conflitantes. Numa perspectiva econômica meio ambiente e mercado aparecem como elementos excludentes e que só passam a ser considerados como interacionais quando exigidos por lei. Estas são as condições que a estrutura capitalista impõe nas relações entre mercado e natureza e que realizar ações de responsabilidade socioambiental não estreitaria as relações entre a dinâmica do mercado e o meio ambiente.

  1. A nova postura das empresas contemporâneas

O ser humano vive dentro de si, o que se denomina de tensão dos contrários. Trata-se de algo que faz parte da natureza humana, sendo caracterizado por polaridades ou relatividades. Essas relatividades normalmente giram em torno de diversas questões, tais como: o bem e o mal, o certo e o errado entre outras. Fazer uma escolha assume para o indivíduo um caráter subjetivo e particularmente perturbador, pois, por ser um elemento que vive em sociedade o ser humano não está sozinho e, na maioria das vezes, para se sentir aceito assume padrões de conduta que caracterizam a sociedade em detrimento daquilo que o caracterizaria. Ou seja, muitas vezes, o indivíduo assume aquilo que ele não é, mas que pretende que os outros acreditem que ele é. Portanto, vive-se constantemente sob a tensão que acompanha o processo de escolha ou de tomada de decisão. Ou se escolhe o que se acredita ser certo, ou opta-se pelo que a sociedade nos seduz e aponta como alternativa padrão.

 A constante repetitividade desse processo de decisão quer seja para algo de grande impacto, como para algo de pequeno efeito, leva o indivíduo a um padrão de comportamento no qual este não avalia mais tão profundamente o impacto que pode vir a decorrer de suas escolhas. Os constantes modelos de comportamento a que a sociedade expõe o indivíduo refletem sobre o valor de suas ações, tanto individuais como coletivas, o que na maioria das vezes, leva o mesmo a valorizar mais o pensar da coletividade do que a dar valor a seu próprio pensar. Como uma forma de equilibrar o processo de escolhas do indivíduo e auxiliar a sua tomada de decisão e suas ações, existe a Ética (STUKART, 2003).

A discussão sobre a ética abrange diversos aspectos da sociedade e suas relações. Dentre eles pode-se destacar a relação entre a administração das organizações e o meio ambiente. Sob esse aspecto, verifica-se e relacionam-se questões quanto à presença das organizações na sociedade, o papel e o efeito das organizações sobre o meio ambiente, sobre a natureza. O comportamento ético dos administradores e a responsabilidade social das organizações estão entre os temas que mais influenciam a administração na atualidade.

A Responsabilidade Socioambiental tem tomado um aspecto relevante, tendo em vista a postura das empresas durante muitos anos, em relação ao meio ambiente. Estas são vistas como principais responsáveis pelas alterações ocorridas na natureza em função da exploração desenfreada dos recursos naturais. Porém, a partir da década de 90, com o evento da Rio 92, algumas empresas resolveram adotar uma postura mais responsável em relação ao meio ambiente, tornando seus processos produtivos mais eficientes em termos ecológicos.

As constantes pressões sofridas pelas empresas provenientes dos órgãos ambientais, dos consumidores e da opinião pública, têm levado as empresas a adotarem uma postura mais proativa em relação à sociedade e ao meio ambiente. Embora alguns empresários ainda mantenham uma visão conservadora em relação à questão ambiental, já se presenciam mudanças significativas, tendo em vista que ações que provocam um impacto ambiental significativo podem afetar a empresa a curto, médio ou longo prazo. Em função dessas circunstâncias o papel das empresas vem, com o passar do tempo, transformando-se e voltando-se para o enfoque da responsabilidade socioambiental, retirando um pouco as empresas do seu papel puramente econômico para assumir uma maior responsabilidade social e ambiental.

  1. Considerações finais

Assim, em função desse olhar sobre o posicionamento das organizações em relação ao meio ambiente e as funções governamentais em relação ao mesmo percebe-se ser necessário, que se estabeleçam limites de atuação em relação às ações cabíveis a cada um dos setores. Pois, a existência de parâmetros não muito claros que delimitem a atuação de ambos favorece aqueles que ainda não estão conscientes da interação entre ações organizacionais e efeitos ambientais a permanecerem em um estado de imobilidade e baixo comprometimento em relação às modificações comportamentais necessárias em relação ao meio ambiente.

Referências

DIAS, Reinaldo. Marketing ambiental: ética, responsabilidade social e competitividade nos negócios. São Paulo: Atlas, 2007.

ROESCH, S. M. A. Projetos de estágio e de pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005.

STUKART, Herbert Lowe. Ética e corrupção: os benefícios da conduta ética na vida pessoal e empresarial. São Paulo: Nobel, 2003.

VEIGA, J.E.(Org.).Economia socioambiental.São Paulo:Senac, 2009.

Como citar este artigo: TEIXEIRA, Jeanne Christine Mendes; BRITO, Max Leandro de Araújo; OLIVEIRA, Elane de. Responsabilidade Socioambiental: um olhar sobre a relação da empresa com o meio ambiente. P@rtes, São Paulo, 2011. Disponível em:<http://www.partes.com.br>. Acesso em:

[i] Mestra em Administração e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: jeanneteixeira@yahoo.com.br

[ii] Mestrando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: maxlabrito@yahoo.com.br

iii Mestranda em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN. E-mail:oliveiraelane@yahoo.com.br

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