Cerrado, coração do nosso Brasil

José Reinaldo F. Martins Filho

publicado em 10/02/2011 como www.partes.com.br/reflexao/cerrado.asp

 

osé Reinaldo Felipe Martins Filho é graduado em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz – Associação Sedes Sapientiae. Membro do Grupo de estudos VIVA VOX: Grupo de pesquisas em filosofia clássica e contemporânea – Universidade Federal do Sergipe. Membro adjunto da SBF – Sociedade Brasileira de Fenomenologia. Atua com pesquisas em filosofia, com ênfase em filosofia contemporânea: filosofia da existência, alteridade e intersubjetividade, ética, ontologia e metafísica. É músico e pesquisador sobre a relação entre música e religião e música e filosofia. Possui competências em línguas clássicas – grego e latim – e contemporâneas. Também escreve reflexões no âmbito interdisciplinar, pondo em confronto e relação ciências como a política, a educação, a religião e a psicologia. Possui especial dedicação à fenomenologia, sobretudo nos seus expoentes Edmund Husserl, Martin Heidegger, Emmanuel Lévinas e Jean Luc Marion.

Num país de tantos ritmos, caras e cores, sabores se multiplicam e paisagens se configuram numa harmonia sem igual. Eis, pois, a tão bela natureza à qual cabemos guardar.

Dentre todos, ali está, o singelo e sereno cerrado. Singelo no modo pelo qual se expressa; sereno nos rostos dos tantos e tantas que nele se integram: o cerrado, tão comum ao nosso povo e nós, os brasileiros, tão responsáveis por sua conservação.

Do coração do Brasil faz-se ecoar ao mundo, pois no grito do bravo sua voz acena. De suas terras brotam rios, veias vitais de nossa terra brasileira. É terra do lobo guará, guardião das noites e das matas. Do tamanduá bandeira, com seus cupins e formigueiros; da ema e do tatu, da cotia e do quati.

De outros tantos, muitos outros, milhares, talvez, dentre bichos e frutos, encostas e açudes. Lar do Jeca Tatu, do Pai do Mato, da Mãe do Rio, da Caipora e da cultura brasileira, aqui forjada e transmitida por gerações que se sucedem. Quase todos solitários e esquecidos. Andarilhos pelas terras de um bioma maltratado. São queimadas que dizimam suas matas. São abates que mutilam seus animais.

Índios não se veem. Dura pena para um lugar tão rico: rico em histórias e sentido, rico em sua biodiversidade. Nada senão o reflexo de uma orfandade há muito menosprezada.

Subtraída nossa responsabilidade, a quem acorrerá o cerrado?  Clama, oh cerrado! Clama por justiça, cuidado e zelo! Renova em nós a confiança e devolve-nos tuas riquezas, pois da cinza renascerá a verdura que irá se alastrar por teus tortuosos troncos, de um canto ao outro, levando esperança, luz e novo pulsar a ti, que és o coração do nosso Brasil.

 

MARTINS FILHO, J.R.F. Cerrado, coração do nosso Brasil. In.: Revista P@rtes (São Paulo), fevereiro de 2011. Disponível em <

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