Como livrar a humanidade da ameaça da guerra?

Nair Lúcia de Britto

publicado em 02/06/2011

 

 

Foto: Rosali Martins
Nair Lúcia de Britto nasceu em Joanópolis (SP). Passou toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar…
Formada em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) Seu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.
Escreveu vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.
Em São Vicente (SP) foi repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”. Além de prosas, escreve também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

No dia 30 de julho de 1932, às véspera da invasão nazista à Áustria, Albert Einstein (físico alemão) escreveu uma carta a Sigmund Freud (Pai da Psicanálise), fazendo as seguintes perguntas:

Existe alguma forma de livrar a Humanidade da ameaça de guerra?

Como os mecanismos de poder conseguem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de sacrificarem suas vidas?

É possível controlar a evolução da mente do homem de modo a torná-lo

à prova das psicoses do ódio e da destrutividade?

Tais perguntas eram fruto da preocupação do físico, diante da constante

ameaça de uma outra guerra. Não sei quais serão as armas da Terceira Guerra Mundial, mas a Quarta Guerra Mundial será combatida com paus e pedras, declarou ele. E enfatiza sua opinião para o psicanalista que esse tema havia se tornado um assunto de vida ou morte para a civilização, mas todas as tentativas de solucioná-lo haviam se constituído num lamentável fracasso. Enfatiza também seu diagnóstico científico, dizendo: O homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição e esse estado de paixão pode ser elevado à potência de psicose coletiva. Presumia que somente um especialista na ciência dos instintos humanos, como era o caso de Freud, poderia resolver.

Apenas duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana, argumentava o físico que dizia: a fome de poder das classes dominantes não tinha limites. Considerava a guerra como uma forma de expandir interesses pessoais e motivada também pela intolerância religiosa ou perseguições a minorias raciais.

Surpreso, Freud responde à carta de Einstein em setembro de 1932:

Prezado professor Einstein, o que pode ser feito para proteger a Humanidade da maldição da guerra?

A princípio Freud havia entendido ser esse um assunto da competência dos estadistas, mas teve a intuição de que aquela pergunta não fora feita visando interesses da Ciência, mas sim da Filantropia. E que o físico esperava uma resposta com base na Psicanálise.

Freud argumentou que a agressividade e a crueldade existem em muitas pessoas, conforme havia constatado em muitos relatos de pacientes com transtorno de personalidade. Ainda, segundo o psicanalista, os seres humanos são incitados às guerras por vários motivos, entre os quais o desejo de agressão e destruição, aliado a outros impulsos de natureza emotiva e idealista. O desejo de aderir à guerra é efeito do instinto destrutivo.

A solução será contrapor-lhe o “eu” o antagonista mais poderoso: Eros, o instinto do Amor. E, neste ponto, Freud menciona o Novo Testamento:

Ama a teu próximo como a ti mesmo. Assim, os homens partilham seus interesses e produzem comunhão de sentimentos.

Allan Kardec (cujo verdadeiro nome era Denizard Rivail), professor e bacharel em Letras e Ciências (1804-1869) já publicara em 1857 o Livro dos Espíritos; no qual, por sua vez explicou o motivo das guerras (Lei da Destruição):

Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. À medida que o homem progride, a guerra se torna menos frequente porque ele evita suas causas e, quando julga necessária, sabe adicionar-lhe humanidade.

Diz ainda que o homem não tem duas almas, uma boa e outra má; o que existe nele são os bons e os maus instintos. Ou seja, uma natureza animal e outra espiritual. Só a Educação (conjunto de hábitos adquiridos) poderá reformar os homens.

A guerra desaparecerá um dia da face da Terra, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a Lei de Deus; então todos serão irmãos.

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo – RIE, n. 12 (fundada em 1925)
Matão/SP – janeiro de 2010 – articulista: Adilton Pugliese

 

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