Geografia e ambiente empresarial contemporâneo: o caso das relações de cooperação no Arranjo Produtivo Local do Tricot de Imbituva-PR

Zaqueu Luiz Bobato e Roberto França da Silva Junior

15/10/2011 como www.partes.com.br/reflexao/geografiaeambienteempresarial.asp

Zaqueu Luiz Bobato é Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela Unicentro e é mestrando em Geografia “Gestão do Território” pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

GEOGRAFIA E AMBIENTE EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEO: O CASO DAS RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO NO ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DO TRICOT DE IMBITUVA-PR

 

Zaqueu Luiz Bobato[1]

Roberto França da Silva Junior[2]

 

Resumo

O presente artigo aborda as relações de cooperação que se evidenciam no Arranjo Produtivo Local (APL) do tricot de Imbituva, uma pequena cidade paranaense. Para tanto, será levado em consideração os processos característicos da atual fase do sistema capitalista, onde as redes assumem crucial importância, dando diversas formas ao território.

Palavras-chave: APL, cooperação, redes, território.

 

Resumen

Este artículo analiza las relaciones de cooperación que son evidentes en el Arreglo Productivo Local (APL) del tricot/ tejido de punto de Imbituva, una pequeña ciudad del Paraná. Para ello, se tendrán en cuenta las características de los procesos de la fase actual del sistema capitalista, donde la importancia de las redes es crucial, dando diversas/ distintas formas en el territorio.

Palabras-clave: APL, la cooperación, la creación de redes/ las redes, el territorio. 

 

Introdução

Roberto França da Silva Junior é professor do departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Irati-Pr. Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp, Faculdade de Ciências e Tecnologia). E-mail: rofranssa@gmail.com.

Imbituva foi estabelecida pelo Instituto paranaense de desenvolvimento econômico e social (Ipardes) como uma das cidades do Paraná que possui Arranjo Produtivo Local (APL), por historicamente ter se especializado no ramo do tricot.  Em 2009, Imbituva contava com uma concentração espacial de 40 empresas sendo coordenada pela Associação das Malharias de Imbituva (Imbitumalhas), uma instituição fundada em 1987 com o objetivo de consolidar ações de cooperação entre seus membros, assim como, promover a Feira de malhas de tricot de Imbituva (Femai). Para o Ipardes (2006, p.8), um Arranjo Produtivo Local, “pode ser definido como um aglomerado de agentes econômicos, políticos e sociais que operam em atividades correlatas, estão localizados em um mesmo território e apresentam vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem”.

Em meio as peculiaridades existentes no APL em questão, observa-se a falta de cooperação como um dos principais entraves ao desenvolvimento do ramo. Portanto, pensando as relações de cooperação acredita-se que estas podem ser realizadas de forma articulada no território, ou seja, em redes, pois esta característica vem assumindo crucial importância nos diversos compartimentos do espaço geográfico em sua totalidade.

 

Materiais e Métodos

 

Para a elaboração deste artigo foi necessário a realização de pesquisa bibliográfica em bibliotecas convencionais, bibliotecas virtuais de instituições de ensino superior e em sites de instituições de pesquisas. Além da pesquisa bibliográfica fora realizado trabalhos de campo para observação, dados, e, informações, através da observação e aplicação de questionários.

Clarifica-se que o método que dá suporte ao presente artigo é o dialético, pois este permite entender melhor a problemática da pesquisa, haja vista que as contradições existentes no âmbito do setor, bem como, a dinâmica dos fatos expressos em uma totalidade (contexto histórico, social, político e econômico), dão impulso a esta pesquisa.

 

As redes de cooperação em um cenário de intensa globalização

 

As relações que se delineiam no espaço territorializado pelos empresários que confeccionam roupas de tricot são bastante complexas. Com efeito, propõe-se aqui discutir as relações de cooperação entre as empresas do setor, tendo em vista que nas últimas décadas do século XX, o ambiente empresarial vem enfrentando profundas transformações e reestruturações produtivas que são decorrentes de um conjunto de transformações técnicas, políticas e econômicas. Percebe-se assim, que a dinâmica competitiva está cada vez mais intensa e veloz. Os paradigmas de aprendizagem coletiva, cooperação e dinâmica inovativa das empresas são relevantes para compreender os novos desafios do capitalismo no período da globalização. Ressalta-se que com as transformações em curso, faz-se necessário que as empresas do segmento do tricot de Imbituva se articulem e estabeleçam cooperação entre si, uma vez que a cooperação gera vantagens competitivas.

Segundo Cezarino e Campomar (2006), na atual fase do sistema capitalista, marcado pela crescente globalização da economia, as micro, pequenas e médias empresas sofrem impactos ainda mais intensos. Sendo assim, torna-se condição sine qua non que estas se organizem, a fim de desenvolverem trabalho cooperado. De acordo com Lundvall (1988, apud CEZARINO e CAMPOMAR, 2006), as empresas conseguem ser competitivas através de interações com outras firmas. Enfim, a articulação de empresas em redes possibilita um ambiente inovador, aonde as informações, trocas de experiências, fluem de forma mais intensa, gerando benefícios coletivos que refletirão em desenvolvimento para o empresariado.

Na ciência geográfica compreender a noção de redes é importante, pois, o espaço geográfico comporta diversas formas de organização que foram e vêm sendo adotados pelos mais diversos atores sociais. As redes são formas expressas, que representam uma articulação territorial. Na atual fase do sistema capitalista as redes assumiram as mais variadas formas constituindo-se de uma materialidade e uma vasta imaterialidade. De acordo com Santos (2006), as redes, em muitos casos, são abstrações.

Para Thesing ([2005?], p. 5):

 

 

Uma das novas tendências que vem conquistando um espaço privilegiado no processo de reestruturação empresarial é a que diz respeito a um novo processo associativo, intra e interempresariais. Empresas associam-se formando redes de cooperação, com a finalidade de promover a modernização tecnológica e gerencial, através de investimentos compartilhados e ações de cooperação (…).

 

Para Carrão ([2002?] p. 3) as redes de cooperação:

 

 

(…) são estruturas resultantes do relacionamento cooperado entre empresas, com ênfase no enfoque coletivo. Consideradas entidades complexas, são uma configuração particular de organização cujos membros têm sua autonomia respeitada, ainda que ligados por objetivos comuns.

 

Com base em Carrão, conceitua-se no presente artigo uma rede de cooperação, sendo um modelo de organização e articulação, que propicia desenvolvimento, processos de aprendizagem coletiva, permitindo a geração de outros benefícios como: ampliação de mercados, e, o próprio fortalecimento do processo de inovação.

Segundo Thesing ([2005?] p. 6):

 

(…) formação de redes é uma forma de as empresas se organizarem para competirem em escala local, regional e global, sem terem que arcar sozinhas com os custos e investimentos, as incertezas e riscos, presentes no movimento de globalização da economia (…).

 

 

Pode-se dizer que a articulação em redes possibilita obter soluções coletivas, que se fossem tomadas isoladamente seriam impossíveis. De acordo com informações disponibilizadas na secretaria da Imbitumalhas, no ano de 2008 os empresários do ramo se articularam, e juntos realizaram compras de matérias-primas. Através de uma rede de cooperação, os empresários conseguiram fazer compras a menores preços, ocasionando um ganho coletivo. As empresas que aderiram a Central de Negócios (CN) para realizarem as compras, obtiveram maior ganho se comparadas com aquelas que optaram por realizarem as compras individualmente.

Ariel Neiverth, empresário do ramo e coordenador do “Projeto APL Imbituva”, em entrevista realizada no mês de maio de 2009, relatou que a CN evidenciou as vantagens que se tem das empresas trabalharem de forma cooperada, pois, a compra por meio da CN, possibilitou ganhos coletivos. Com a união de parte do empresariado, as empresas ganharam “poder de barganha” frente aos vendedores de matérias-primas, obtendo descontos. Esse ganho na compra de matérias-primas refletiu no barateamento das peças confeccionadas.

 

Considerações finais

 

Apesar de serem identificadas algumas relações de cooperação dentro do circuito das empresas do tricot de Imbituva, ficou nítido que a implantação de relações de cooperação é difícil de ser assimilada pelo empresariado local do ramo em questão. Para haver um maior fortalecimento do circuito, será necessário empreender contínuos esforços para a implantação de redes de cooperação entre as empresas. Para maior fomento à cooperação empresarial, é preciso também, maior participação da esfera pública, assim como, da própria Imbitumalhas.

 

Referências

 

CEZARINO, L. O.; CAMPOMAR, M. C. Vantagem competitiva para micro, pequenas e médias empresas: clusters e APLs. 2006.

CARRÃO, A. M. R. A cooperação empresarial como fator de fortalecimento das empresas de pequeno porte. PhD. UNIMEP, [2002?].

 

IPARDES. Identificação, caracterização, construção de tipologia e apoio na formulação de políticas para arranjos produtivos locais (APLS) do Estado do Paraná: Diretrizes para políticas de apoio aos arranjos produtivos locais/ Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. – Curitiba: IPARDES, 2006.

SANTOS, M. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 4. ed. 2. reimpr. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

THESING, N. J. Redes de Cooperação: novas formas de pensar e agir. 2005.

 

 

[1] Professor do departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Irati-Pr. Graduado em Geografia pela Unicentro (2009) e Mestrando em Gestão do Território pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

[2] Professor do departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Irati-Pr. Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp, Faculdade de Ciências e Tecnologia) E-mail: rofranssa@gmail.com.

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