O espaço dado à Educação Ambiental nos Livros Didáticos e as Mudanças Didáticas no Ensino de Ciências: perspectivas inovadoras rumo ao desenvolvimento da reflexão socioambiental e da consciência ecológico-preventiva

Silvio Profirio da Silva

10/12/2011

 

RESUMO: Durante muito tempo, o ensino de Ciências foi orientado por uma concepção puramente tradicional, que centrava-se em conceitos e definições. O que excluía a possibilidade de o aluno refletir acerca de questões de cunho social. Nas últimas décadas, a temática ambiental tem sido objeto de inúmeros estudos. Este trabalho tem por objetivo abordar as mudanças didáticas e pedagógicas no Ensino de Ciências. O que culminou no espaço dado à Educação Ambiental nos livros didáticos, a fim de promover a reflexão socioambiental e, por conseguinte, o desenvolvimento da consciência ecológico-preventiva.

PALAVRAS CHAVE: Educação Ambiental, livro didático, ensino de Ciências, mudanças, perspectivas.

RESUMEN: Durante mucho tiempo, la enseñanza de la ciencia fue impulsado por una concepción puramente tradicional, que se centró en los conceptos y definiciones. Lo que excluye la posibilidad de los estudiantes a reflexionar sobre los temas sociales. En las últimas décadas, el tema ambiental ha sido objeto de numerosos estudios. Este trabajo tiene como objetivo abordar los cambios educativos y pedagógicos en la enseñanza de la ciencia. Lo que culminó en el espacio dado a la educación ambiental en los libros de texto, para promover para promover la reflexión socioambiental e, despues, el desarrollo de la conciencia ecológica y de prevención.

PALABRAS CLAVE: Educación Ambiental, libros de texto, enseñanza de las ciencias, cambios, perspectivas.

1. Palavras Iniciais

Durante muito tempo, o ensino, em perspectiva geral, foi norteado por uma concepção predominantemente tradicional, que concedia primazia a metodologias com um fim em si mesmas e, sobretudo, desvinculadas do campo social [fora dos padrões do contexto social]. Dentro dessa perspectiva, o ensino de Ciências, nas escolas brasileiras, foi orientado por uma concepção puramente teórica e conceitual, que centrava-se, predominantemente, em conceitos e definições. Estes, por sua vez, deveriam se reproduzidos na íntegra pelos alunos com o propósito de evidenciar sua “aprendizagem”. Diante dessa postura didática, excluia-se a possibilidade de o aluno refletir acerca de questões de cunho social que envolvem a coletividade e que comprometem o futuro de suas gerações posteriores, como é o caso da Questão Ambiental. Tal postura esteve refletida, durante décadas, não só na metodologia de ensino de Ciências e, sobretudo, na organização estrutural e conteudística dos livros didáticos dessa disciplina.

De acordo com Abilio et al (2010, p. 171), a Educação Ambiental pode propiciar uma nova percepção nas relações entre o homem e a natureza, assim como reforçar a necessidade de o homem agir como cidadão na busca de soluções para problemas locorregionais”. Contudo, nem sempre essa temática foi priorizada nos muros escolares. Todos sabem que, durante muito tempo, a reflexão sobre temáticas de cunho social foi uma realidade que não esteve presente nos bancos escolares brasileiros, na medida em os processos de ensino e de aprendizagem estavam voltados para a perspectiva tradicional do ensino. Tal postura excluía desse espaço o desenvolvimento de práticas didático-pedagógicas atreladas à realidade social.

Nas últimas décadas, a temática/ problemática ambiental tem sido objeto de inúmeros estudos e pesquisas, ocasionando, assim, um intenso debate acerca dos efeitos das ações praticadas pelo homem em face da natureza. Ao lado da eclosão desses debates, surgem, também, diversos programas/ projetos com o objetivo de levar a espécie humana a se conscientizar acerca da extrema importância da conservação e preservação dos recursos naturais, como também levá-los a perceber as implicação e os reflexos que surgem como fruto de suas ações em relação à natureza. Diante dos dramas originados pela falta de uma consciência ecológica/ preventiva que equilibre o desenvolvimento econômico e natural com os quais o planeta convive, nos dias atuais, com uma situação calamitosa que compromete o futuro da raça humana. Dito de outra forma, em função do capitalismo desenfreado do homem que não articula/ atrela os aspectos econômicos/ materiais ao convívio com a natureza, ocorre a situação nada animadora na qual se encontra o planeta terra.

Por esse motivo, têm sido frequente, nos últimos anos, a promoção de diversos estudos que tecem argumentos acerca da problemática ambiental com o propósito de propiciar a conscientização do indivíduo face a preservação da natureza. É nesse cenário que se fala em Educação Ambiental. Todos esses estudos acerca dos problemas ambientais têm, continuamente, se refletido no âmbito educacional, levando para a escola uma nova concepção de Ensino de Ciências pautada em perspectivas inovadoras que se voltam seu olhar para a reflexão socioambiental. O que, por sua vez, articula os âmbitos sociedade, meio ambiente, ensino e cidadania. No Brasil, esses estudos foram incorporados aos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, por meio dos quais o ensino, em uma perspectiva geral, passa a ser norteado por um enfoque interdisciplinar. Tal enfoque faz com que as diversas areas de estudos não se limitem em si proprias, ocorrendo, assim, uma articulação entre ambas. Mas, destaca-se, sobretudo, o fato de a partir dos PCNs, ocorrer o surgimento e a adoção das Temáticas Transversais [ou também Temas Transversais]. Eles podem ser definidos como questões de teor social não só propiciam a reflexão acerca da realidade social, mas também promovem a ampliação do relacionamento do sujeito com o meio social no qual está inserido. São exemplos dessas temáticas, a Ética, a Política, a Diversidade [em suas múltiplas formas], a Pluralidade Cultural, a Saúde, a Orientação Sexual, o Consumo, o Trabalho e, acima de tudo, o Meio Ambiente.

“Com a inclusão desses temas na estrutura curricular das escolas brasileiras de ensino fundamental e médio, conforme previsto no documento elaborado pela equipe do MEC, pretende-se o resgate da dignidade da pessoa humana, a igualdade de direitos, a participação ativa na sociedade e a coresponsabilidade pela vida social” (GUERRA, ABILIO, ARRUDA, 2005, p. 1957).

É nesse contexto que o Livro Didático passa a abordar questões sociais, para levar o aluno a refletir e, consequentemente, atuar na sociedade. Esses novos paradigmas estão sendo adotados por diversos manuais didáticos de Ciências, com a pretensão de levar os alunos a compreender sua relação com o meio ambiente e, acima de tudo, levá-los a refletir acerca dos efeitos de suas ações em face da natureza. Este trabalho tem por objetivo abordar as mudanças didáticas e pedagógicas no Ensino de Ciências. O que culminou no espaço dado à Educação Ambiental no ensino e, sobretudo, nos livros didáticos, a fim de promover a reflexão socioambiental e, por conseguinte, o desenvolvimento da consciência ecológico-preventiva. Decorrente deste, pretende-se, verificar: a) os reflexos dos estudos sobre a Educação Ambiental nos Livros Didáticos de Ciências; b) como a Educação Ambiental vem sendo abordada nos livros didáticos 7º Ano [antiga 6ª serie] e suas implicações para o ensino de Ciência; c) traçar uma análise diacrônica a fim de verificar como se dá tal abordagem nos manuais didáticos adotados pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de Pernambuco – SEDUC/ PE.

2. Mudanças Didáticas e Pedagógicas no Ensino de Ciências: a Educação Ambiental aplicada aos processos educacionais e a autonomia do aluno no novo milênio

Conforme dito anteriormente, durante muito tempo, a prática docente foi guiada por uma concepção de ensino tradicional. Com isso, o processo de ensino e de aprendizagem ocorria em função de uma grande quantidade de conceitos e definições, que deveriam ser reproduzidos pelos alunos. Nessa ótica, o aluno era concebido como “um sujeito passivo, que recebe as instruções de um professor que supostamente sabe o conteúdo a ser ensinado e como num passe de mágica transfere-lhe esse saber” (XAVIER, 2007, p. 4). Dentro dessa perspectiva, o aluno exercia um papel passivo que se restringia ao ato de reproduzir os discursos de grandes autores e do professor. Em outras palavras, “o professor fala e o aluno escuta. O professor dita e o aluno copia. O professor decide o que fazer e o aluno executa. O professor ensina e o aluno aprende” (BECKER, 2001, p. 16).

Ainda com base nessa linha metodológica, não ocorria a prática da interação na relação professor-aluno, na medida em que ambos não eram concebidos como interlocutores. Nesse processo de ensino e aprendizagem, o aluno deveria abdicar de seus posicionamentos diante dos argumentos inquestionáveis do professor. “Tudo que o aluno tem a fazer é submeter-se à fala do professor: ficar em silêncio, prestar atenção, ficar quieto e repetir tantas vezes quantas vezes forem necessárias, o que o professor deu” (BECKER, 2001, p. 18). Essa postura esteve presente durante décadas em nas escolas brasileiras, alçando, assim, o ensino e o educando a um papel reprodutório.Em face desse contexto educativo, na década de 80, ocorreu uma intensa produção e divulgação de estudos na Area da Educação. Estudiosos de diversas areas, como, por exemplo, da Pedagogia, da Linguística, da Filosofia, da Sociologia e da Psicologia [conforme ressalta Albuquerque (2006)], contribuíram substancialmente para o desenvolvimento e, sobretudo, para a disseminação/ propagação dos resultados de inúmeros estudos/ pesquisas no âmbito educacional. À luz desses estudos, surgiram, nos últimos anos, novas estratégias e metodologias de ensino.

Ao lado desses estudos do campo educacional, a partir da década de 80, ocorre uma intensa produção de estudos e pesquisas acerca da temática ambiental em nossos país. Eclode, assim, uma ampla literatura que volta sua atenção para as ações praticadas pelo homem em face da natureza. Isto é, com o propósito de alterar o cenário das práticas que desconsideram os aspectos naturais/ a qualidade de vida e, acima de tudo, propor uma nova forma de conceber as relações entre homem e natureza, surgiram inúmeros trabalhos a fim de refletir acerca de diversas questões relacionadas à questão ambiental. Todos esses estudos refletiram-se no contexto educacional e, em função disso, nos últimos anos, mais especificamente, nas duas últimas décadas, as práticas de ensino têm passado por inúmeras modificações. E, com o Ensino de Ciências não é diferente. Com o desenvolvimento dos estudos do âmbito educacional e da área ambiental, “o ensino de Ciências passou a ser objeto de reflexão do campo teórico educacional” (FUMAGALLI, 1998, p. 13). É nesse contexto que os pesquisadores dessa área de estudo voltam seu olhar para o campo social que, até então, estava distanciado dos processos de ensino e de aprendizagem. Sai de cena uma perspectiva puramente tradicional e entra em cena uma nova concepção de ensino que se volta para a abordagem de temáticas de teor social.

É nesse contexto que a problemática ambiental passa a compor os Programas de Ciências, com o propósito de levar o aluno a compreender sua relação com o meio ambiente e, acima de tudo, levá-lo a refletir acerca dos efeitos de suas ações. O que culmina no desenvolvimento de uma consciência ecológica. Diante desse quadro, a Educação Ambiental passa a compor os processos de ensino e de aprendizagem com a pretensão de levar os alunos a compreender a relevância dos seus atos, os quais estão inseridos dentro de uma cadeia mais ampla que é a coletividade.

“A incorporação da questão ambiental no cotidiano das pessoas pode propiciar uma nova percepção das relações entre o ser humano, a sociedade e a natureza e promover uma reavaliação de valores e atitudes na convivência coletiva e individual, assim como reforçar a necessidade de ser e agir como cidadão na busca de soluções para problemas ambientais locais e nacionais que prejudiquem a qualidade de vida” (ABÍLIO et al, 2010, p. 172-173).

Um aspecto primordial que não pode deixar de ser abordado nesta escrita acerca dos estudos na Area da Educação desenvolvidos nos anos 80 diz respeito ao fato de esses postulados, a partir de seus pressupostos teóricos, terem ocasionado o surgimento não só de novos caminhos metodológicos, mas também novos papeis para a construção do conhecimento. O que ocasiona uma intensa alteração nas relações tradicionais de ensino. Surgem, agora, novos papeis e funções sociais. Primeiramente, abordamos a mudança na função social do docente. O professor não é mais aquele que detém o conhecimento, repassando-o para o aluno de forma dogmática [não admitindo questionamentos]. Dito de outra forma, o professor não é mais aquele que detém um conhecimento absoluto e dogmático [que não admite questionamentos], mas aquele que organiza a articulação entre o saber e o aluno. Nessa direção, o professor é alçado à condição de mediador, deixando de lado a postura de transmissor de conteúdo e, por conseguinte, assumindo o papel de orientador e de estimulador na construção do conhecimento do aluno. Este, por sua vez, assume um papel ativo.

Esses novos paradigmas aplicados ao campo do Ensino das Ciências, surgem novas metodologias que têm como objetivo levar o educando não só a compreender conceitos, mas, sobretudo, a aplicar os conteúdos oriundos dessa disciplina no âmbito social. Com isso, o ensino dessa disciplina passa a giram em torno de uma concepção de ensino enquanto elemento de conscientização, o que, por sua vez, promove a ampliação da visão de mundo rumo à atuação social desse novo aluno que é alçado à condição de sujeito ativo.

3. Metodologia

Para a realização deste trabalho, foi realizado um levantamento bibliográfico acerca da Educação Ambiental, no que tange a sua historia cronológica. Após isso, optou-se em verificar: verificar: a) os reflexos dos estudos sobre a Educação Ambiental nos Livros Didáticos de Ciências; b) como a Educação Ambiental vem sendo abordada nos livros didáticos 7ºAno [antiga 6ª serie] e suas implicações para o ensino de Ciência; c) traçar uma análise diacrônica a fim de verificar como se dá tal abordagem nos manuais didáticos adotados pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de Pernambuco – SEDUC/ PE.

Para tanto, foram analisados três livros didáticos de Ciências da 6ª serie, de duas décadas distintas [1990 e anos 2000]. São eles: Os Seres Vivos (CRUZ, 1995), Os Seres Vivos (BARROS, 2000) e Projeto Araribá Ciencias (CRUZ, 2006). Todos esses manuais didáticos foram utilizados os em Escolas da Rede Estadual de Ensino no Estado de Pernambuco.

4. A Educação Ambiental nos Livros Didáticos de Ciências: uma análise diacrônica dos manuais didáticos utilizados nas Escolas Estaduais em Pernambuco

Os resultados da análise dos livros didáticos em questão apontam que: os dois primeiros livros retratam a questão ambiental de forma sintética, superficial e resumida. Tal abordagem consiste em pequenas notas e comentários no final de cada capitulo. Assim, percebe – se uma incipiente abordagem da Educação Ambiental. Ambos dão ênfase às definições, com base em textos teóricos e escritos. No que concerne as atividades, as questões requerem respostas localizadoras. Essas respostas dão ênfase aos posicionamentos do autor, em detrimento da reflexão do aluno. Nessa perspectiva, percebe – se que as questões são acríticas, na medida em que restringem – se a conceitos apenas. Dessa forma, nos dois primeiros livros, percebe – se a falta de temas relacionados ao Meio Ambiente e à preservação dos recursos naturais, etc.

No terceiro livro, por sua vez, percebe – se uma abordagem mais ampla, que objetiva não só levar o aluno a compreender os conceitos. A abordagem abrange o processo de conscientização dos alunos, levando-os a refletir sobre problemáticas sociais e, por conseguinte, inseri-los no contexto de participação social. Para tanto, o autor retrata os diversos ecossistemas no Brasil, suas diversidades bem como sua preservação e sua importância aos seres vivos. E, em especial, aborda os reflexos da ação humana nos ecossistemas, sua exploração, as ações do ser humano e seus efeitos negativos. No que tange aos textos utilizados, eles não se limitam aos textos escritos. As atividades de compreensão textual tem com base em textos, gráficos, imagens, tabelas, etc. Alem disso, as atividades usadas estimulam a capacidade de opinar e argumentar. Outro aspecto que gostaríamos de retratar refere – se ao uso de gêneros textuais imagéticos, tais como: charges, tirinhas, propagandas, etc. Por meio desses gêneros, ocorre a analise de imagens, tendo como base perguntas com o objetivo de levar o aluno a observar, analisar e interpretar imagens.

Nesse sentido, percebe – se que, apesar de os trabalhos sobre a problemática ambiental terem se iniciado há décadas, sua inserção nos manuais didáticos ocorreu tardiamente. Segundo Jacobi & Luzzi (2004, p. 3), “partir da Conferencia Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em Tsibilisi, em 1977, se inicia um amplo processo em nível global orientado para criar as condições para formar uma nova consciência sobre o valor da natureza e para reorientar a produção de conhecimento baseada nos métodos da interdisciplinaridade e os princípios da complexidade”. Contudo, embora o desenvolvimento desses estudos há décadas e apesar de os mais recentes documentos oficiais [PCNs, 1997] orientarem a abordagem da questão ambiental nos processos de ensino e de aprendizagem, essa temática foi inclusa tardiamente nos manuais didáticos escolares.

5. Considerações Finais

Com o desenvolvimento dos estudos e das pesquisas que envolvem a temática ambiental, surgiram novos paradigmas para o Ensino de Ciências no Brasil. É nesse contexto que o ensino dessa disciplina se volta para perspectiva que inclui o campo social nos processos de ensino e de aprendizagem. Mas, destaca-se, sobretudo, neste trabalho, a inserção da Educação Ambiental nos manuais didáticos de Ciências, o que ocasiona uma nova estrutura de organização e de conteúdos para esses manuais. Ainda que tal inclusão tenha sido tardia em face da gama de estudos já desenvolvidos acerca dessa questão [no Brasil, esses estudos ocorrem a partir da década de 80], ela representa um passo substancial na medida em que a metodologia empregada no ensino dessa disciplina pautava-se em padrões de reprodução de fala e discursos dos autores dos livros didáticos. O que, por sua vez, extinguia a possibilidade de atuação do aluno no contexto social.

“O produto pedagógico acabado dessa escola é alguém que renunciou ao direito de pensar e que, portanto, desistiu de sua cidadania e do seu direito ao exercício da política no seu mais pleno significado: qualquer projeto que vise a alguma transformação social escapa a seu horizonte, pois ele deixou de acreditar que sua ação seja capaz de qualquer mudança” (BECKER, 2001, p. 18-19).

Consoante Jacobi & Luzzi (2004, p. 1), “a Educação Ambiental pode oferecer alternativas para a formação de sujeitos que construam um futuro sustentável. A relação entre meio ambiente e educação assume um papel cada vez mais desafiador demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam”. Diante dessa perspectiva, a temática ambiental é inserida nos livros didáticos com o objetivo de levar o aluno a refletir acerca de questões de cunho social, mais especificamente, promover a reflexão socioambiental e, conseguintemente, promover o desenvolvimento da consciência ecológico-preventiva. Em outras palavras, levar o discente a compreender a complexidade da problemática ambiental, fazendo com que ele tenha acesso a um mundo politizado [analisar, avaliar e posicionar-se criticamente nas situações de participação social], desenvolvendo, assim, sua autonomia e levando-o a atuar no contexto no qual está inserido. Esses novos paradigmas refletem as implicações dos estudos acerca da questão ambiental para o Ensino de Ciências no Brasil, o que ocasiona não só novas abordagens didáticas, mas, acima de tudo, uma nova concepção de ensino que se volta para a dimensão social.

A partir dos estudos realizados, também, foi possível perceber que os estudos na Area da Educação, realizados nos anos 80, acarretam não só novas possibilidades de cunho metodológico, mas, acima de tudo, uma transformação social nos papeis e nas funções dos dois atores sociais envolvidos nos processos de ensino e de aprendizagem [professor-aluno]. Ambos, agora, exercem um papel ativo na construção da aprendizagem, o que alça o discente à condição de construtor social e, por conseguinte, insere a autonomia do aluno na construção do conhecimento e, sobretudo, nas práticas sociais. “É neste sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado” (FREIRE, 1996, p. 23). Partindo desse pressuposto, o professor não é mais o único possuidor do conhecimento [dogmático]. O aluno não é mais aquele que recebe e, em especial, reproduz informações. O professor é alçado à condição de mediador que estimula o aluno na construção do conhecimento [a forma em que se dá sentido às informações recebidas, ou seja, quando se elabora significação]. Esse é o novo papel atribuído ao professor no atual contexto educativo do Século XXI. O que está consonância com Jacobi & Luzzi (2004, p. 13) que dizem que “o papel dos professores(as) é essencial para impulsionar as transformações de uma educação que assume um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade, como parte de um processo coletivo”.

Ainda de acordo com Jacobi & Luzzi (2004, p. 4), “nestes tempos em que a informação assume um papel cada vez mais relevante, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação na defesa da qualidade de vida”. É nesse sentido que o Ensino de Ciências de voltar-se para a prática do desenvolvimento da reflexão socioambiental e da consciência ecológico-preventiva, o que irá propiciar a ampliação do relacionamento do aluno com o contexto no qual está inserido, compreendendo melhor a realidade para transformá-la. Em outras palavras, o sujeito torna-se um cidadão comprometido com a sociedade e, sobretudo, com sua transformação, intervindo, assim, na realidade ambiental circundante.

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