Movendo a aridez da Física

“Meu querido, confesso, com alguma vergonha, que nada entendia de tudo aquilo que você teimava em querer me explicar. Para mim era um amontoado de absurdos, sem nenhum sentido…”- Lembranças de Arosa in E Todavia se Move, Margarete J. V. C. Hülsendeger
Obra: E Todavia se Move (E pur si muove)Autora: Margarete J. V. C. Hülsendeger

Editora/Local: EDIPUCRS, Porto Alegre.

Preço:s/i

Ano: 2011

Páginas: 130

Fruto de um ensino defasado e sem infraestrutura, eu vivi os anos de “colegial” sofrendo com as disciplinas das chamadas Ciências Exatas. Aos trancos e solavancos sempre beirando uma repetição, seja em Química, Matemática ou em Física. Numa tarde convidado que fui a um emprego, pois o mais inteligente não pode aceitar o convite encaminhei-me para a USP para trabalhar como técnico de laboratório do Departamento de Zoologia daquela renomada instituição. Ali comecei a ver um novo mundo, muito além dos livros. O mundo das realizações, da prática laboratorial. Anos depois quando resolvi num impulso (impensado?) ir trabalhar num famoso colégio de São Paulo nas mesmas funções que exercia na USP meu choque foi maior pois eu via como a elite era formada. Mas o intuito desta introdução não é falar de um passado pessoal e sim de um livro muito peculiar que gerou estas lembranças.

Em seu primeiro livro, Margarete Hülsendeger, gaúcha  natural de Porto Alegre, professora de Física em escolas particulares une o conhecimento racional e experiência em salas de aula para além da dureza das “exatas” introduzir quase que meigamente pedras como Einstein, Paracelso, Kelpler, Galileu, Giordano Bruno e Heisenberger entre outros.

A leitura é agradável, leve como se movêssemos por uma onda de conhecimento elaborando sinapses num movimento de sístoles e diástoles onde os mestres são apresentados desnudos de uma aura mágica.

Margarete, uma colaborada sempre pontual da P@rtes, elabora uma literatura de qualidade. Os leitores podem conferir suas crônicas nas páginas da revista.

E Todavia se move traça linhas de encontros e contornos entre a Ciência a História e a Literatura tornando menos árido o conhecimento.

Margarete ao concretizar esta obra preenche uma lacuna e estabelece uma ponte entre o ser árido das Exatas e o leitor pouco sintonizado com o universo da Ciência..

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