Aula de Filosofia: a impossibilidade de uma definição definitiva

Por Leonardo Mendes Bezerra

Resumo: Esta produção leva o nome de ‘Aula de Filosofia’ por se tratar de argumentos e informações relevantes aos princípios educacionais da disciplina: filosofia. Inicio este refletindo sobre a importância do ato de pensar a respeito de temas filosóficos. O tema central desta aula é questionar e refletir sobre a definição da filosofia e a sua utilidade.

Palavras-chave: Filosofia, Sabedoria, Definição, Utilidade.

Introdução

Diferente dos animais, o homem é um ser que age, que pensa conforme sua consciência e está no direito de dizer que também, por mais simples que seja, é um amigo da sabedoria. Digo isso porque é impossível que todo homem, exceto os que são dotados de patologias mentais, são capazes de pensar de forma lógica e possuem certo tipo de olhar investigativo. São capazes de formular perguntas e de dar respostas.

Não se pode atribuir que todas as pessoas, que são capazes de questionar e de pensar de forma lógica, são filósofos, pois indivíduos comuns são humanos que carregam em si, em um momento ou em outro, uma inquietação intelectual ou até mesmo um descontentamento com o mundo através da forma de ver as coisas e com o modo de viver.

Para os seres humanos que possuem métodos (de investigação, de estudo, de análise) e que são capazes de não permitir-se alienar pelo sistema de organização mundial, podem ser considerados filósofos, pois

” o filosofo é, de certa forma, um ‘exilado’: está-no-mundo,mas luta para não se deixar possuir por ele e procura salvar sua liberdade interior para servir à verdade, como forma de engajamento, como forma desse seu ser-no-mundo. É um exilado que não é apenas um expectador.” (ULHÔA, 2002: 09)

Em busca de uma definição

Uma pergunta extremamente complicada e difícil de ser respondida com total precisão se refere às diversas tentativas de conceituar e definir a filosofia. Mas na verdade o que é a filosofia? Seria muito fácil dar uma resposta curta, direta e nada satisfatória: filosofia é tudo aquilo que os filósofos fazem. Mas o que é tudo aquilo que os filósofos fazem?

Do grego philosophia (philos = amante/amigo, sophia=saber) derivou-se a palavra ‘filosofia’, que, com este termo, entende-se um modo de saber que se difere dos modos comuns, ou seja ‘filosofia’ é amor a sabedoria, e o ‘filósofo’ é o amigo ou o amante do saber. Entretanto essa definição vasta não carrega em si uma especificidade satisfatória, pois se todos os homens que são amigo do saber ou amantes do sabedoria são filósofos e o não amantes não são!

Na atualidade qual é o significado desta palavra? Qual é o valor atribuído a ela? Será que é possível não ser tão abrangente em relação à definição da filosofia?

Uma das tentativas que se tem presenteado em discussões em Instituições de Ensino é que a filosofia é uma forma de pensar, pensar de forma racional e não aceitar definições, teorias e conhecimentos prontos e acabados. Acredito que a Filosofia se origina de tudo aquilo que existe, que é posto em julgamento, em critica, é tudo aquilo que é posto em dúvida.

No meio educacional e no popular é notado que a filosofia pode muito bem ter sido gerada a partir do momento em que o homem adquiriu consciência de que era um ser dotado de curiosidades e de alto poder investigativo em relações aos outros seres vivos.

Seria até certo ponto bastante válido dizer que a filosofia é o estudo do pensamento humano, porém estudar o pensamento não é uma atividade exclusiva da filosofia, pois, as demais ciências também se ocupam em estudar o pensamento humano voltado para uma especificidade a qual se busca.

Conforme Mondin a filosofia é “um conhecimento, uma forma de saber e, como tal, tem sua esfera particular de competência; sobre esta esfera busca adquirir informações válidas, precisas e ordenadas. Mas enquanto é fácil dizer qual é a esfera de competências das varias ciências experimentais, não é igualmente cômodo delimitar o campo de pesquisa próprio da filosofia.”(1981: 05)

Segundo Palácios citando Ulhôa, afirma que a filosofia é “um sistema coerente de conceitos e princípios teóricos muito bem articulados entre si e voltados para a explicação da essência da realidade e para a fundamentação critica do próprio conhecimento” (1996: 34)

Mas será que todas as correntes filosóficas se ocupam em investigar e estudar a essência da realidade e de todas as coisas? Para responder essa questão basta vasculhar na longa historia da filosofia e vislumbraremos que “nem todas as filosofias pretendes explicar essências; há algumas que não só negam a possibilidade de as conhecermos, mas negam as existências mesma de tais essências.”(PALÁCIOS, 1996: 34)

Segundo Mondin (1981: 05) esclarece que a filosofia tem sua definição e seu conceito diferente para cada filósofo pois, cada filosofo possuem características singulares na forma de pensar e de ver o mundo. Deste modo ele cita que

“Aristóteles, o primeiro a pesquisar rigorosamente e sistematicamente a natureza desta disciplina, diz que a filosofia estuda as causas ultimas de todas as coisas’. Cícero define filosofia como sendo ‘o estudo das causas humanas e divina das coisas’. Descartes afirma que a filosofia ‘ensina a bem raciocinar’. Hegel concebe a filosofia como ‘saber absoluto’. Whitehead julga que seja tarefa da filosofia ‘fornecer uma explicação orgânica do universo’.”

Se formos buscar em toda a historia da filosofia encontraremos diversas definições a respeito da questão. Com isso é importante dizer que “se todos tivessem a mesma compreensão do que é filosofia, não haveriam correntes filosóficas antagônicas e tampouco haveria debate filosófico” (PALÁCIOS, 1996: 38)

A palavra filosofia no decorrer da história da humanidade adquire várias definições e ganha uma imensa dimensão são inúmeras as reflexões sobre tal tema e historicamente a palavra ganha uma amplitude de difícil definição.

Já que está sendo tão árduo pesquisar e definir qual é a verdadeira e a cabível definição do que é a filosofia. Será tão dolorido e penoso fazer uma ou mais tentativas de busca da sua utilidade?

Em busca de uma utilidade

Qual é a função da filosofia? Qual é a sua utilidade para o mundo? Qual é a sua importância para a evolução dos seres humanos?

Pois bem, para responder tais perguntas é necessário afirmar que “o que se quer dizer, porém, é que seja em que campo for, a filosofia é sempre teórica” (ULHÔA, 2002: 08)

Em relação as questões e as dúvidas filosóficas filosóficos, Mondin (1981) afirma que existem os seguintes problemas: Lógico – Gnosiológico – Lingüístico – Cosmológico – Antropológico – Metafísico – Religioso – Ético – Pedagógico – Político e social – Estético – Histórico – Axiológico – Cultural. Porem existem outros problemas filosóficos que são originados com o passar do tempo. E os principais sistemas filosóficos são: Escola Jônica; Escola de Eléia; Escola Atomística; Escola Sofista; Escola Platônica; Escola Aristotélica; Escola Estóica; Escola Epicurista; Escola Neoplatonica; Escola Agostiniana; Escola Tomista; Escola Franciscana; Escola Racionalista; Escola Empirista; Escola Iluminista; Escola Idealista; Escola Voluntarista; Escola Positivista; Escola Marxista; Escola Existencialista e Escola Neopositivista.

Nas mais variadas escolas e correntes filosóficas é importante dizer que nenhuma das teorias criadas e originadas nos sistemas filosóficos (escolas filosóficas) podem ser cobrados em relação a sua eficácia na aplicação prática, pois

“Não é essa a função delas, ou seja não é função delas dar receitas. Assim por exemplo, quando a ética trata da moral , ela o faz tomando esta ultima como objeto teórico, ou seja, como algo que é para ser explicado, para ser esclarecido no que é, algo cujo ser deve ser elucidado” (ULHÔA, 2002: 08)

A filosofia não se preocupa exclusivamente em se tornar a ditadora de todas as ciências e de todas as definições porque “ela não está preocupadas em ditar normas, em fazer recomendações (…) sua preocupação, ou seja, a intensão filosófica é a de ver o que a coisa é (coisa aqui no sentido de objeto).” (ULHÔA, 2002: 08)

O valor da filosofia é muito rico em qualquer contexto histórico da civilização humana, pois a atuação filosófica é a reflexão sobre a realidade, seja qual for, descobrindo e até redescobrindo a importância da sabedoria em si, ou seja, “é para isso que serve a filosofia, ou seja, ela é um instrumento de que a razão humana se utiliza para tentar compreender o mundo, o conjunto de nossas experiências, a Lebnswelt, a própria razão.” (ULHÔA, 2002: 08)

Considerações finais

No decorrer de toda a história foi possível perceber que os conceitos e as definições acerca da palavra “filosofia” são amplos e dinâmicos. Isso implica que o objeto de estudo da filosofia pode ser o ‘tudo’ porque todas as coisas e acontecimentos podem ser estudados, analisados em nível filosófico, pois a filosofia estuda de forma exaustiva toda a realidade. E sendo assim, somente a filosofia se ocupa dos problemas gerais e universais do mundo sem ter em si uma particularidade exclusiva. Desta forma toda tentativa de definir o que é filosofia e qual é o seu papel está condenado ao fracasso.

Referências bibliográficas

MONDIN, Battista. Introdução a Filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. 9ª edição. São Paulo: Paulus, 1981.

PALÁCIOS, Gonçalo Armijos. Filosofia, impossível defini-la. Revista Filósofos. Universidade Federal de Goiás. V. 01. Nº 01. Goiania-GO: Editora da UFG, jan/jun 1996. pp. 33-51

ULHÕA, Joel Pimentel. Filosofia: para que serve? Revista Fragmentos de Cultura. Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás; Sociedade Goiana de Cultura/Universidade Católica de Goiás (UCG) V.12. Especial. Goiania-GO: Editora da UCG, out. 2002.

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