Educomunicação: para formação de leitores críticos da mídia

Educomunicação: para formação de leitores críticos da mídia

EDUCOMUNICAÇÃO:

PARA FORMAÇÃO DE LEITORES CRÍTICOS DA MÍDIA

Marcelo Sabino Luiz

RESUMO

O Projeto teve a finalidade apresentar um estudo programático para os alunos da Estação do Ofício, projeto de inclusão digital, financiado pela prefeitura de Cornélio Procópio e GESAC (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) que visa a inserção social. Sendo ministrado então pelo grupo de pesquisa em educomunicação, do 1º ano de jornalismo da Faculdade Cristo Rei,que enfatiza, educação a leitura para formação do leitor critico,o projeto propõe a incentivação e análise da mídia de forma contemporânea. Explicação dos gêneros jornalísticos e suas teorias, e também as tipologias de jornal impresso, na produção prática do fanzini: um mini-jornal, proposto aos alunos contendo várias editorias.

Palavra-chave:

Projeto de Educomunicação; práxis; comunicação; leitura crítica

1.0 INTRODUÇÃO

1.1 Estação do Ofício

O computador e a Internet é hoje uma importante via de comunicação e de cidadania. Conhecer e fazer uso dessas tecnologias deve deixar de ser um privilégio de poucos para transformar-se em um extraordinário fator de promoção social, possibilitando, inclusive, abertura de oportunidades de trabalho para milhões de pessoas. A estação do oficio viabiliza essa gestão social, embasada no saber da informática, intuita em atualiza os cidadão, que não tem condições em custear um curso básico de informática. Fundada em 1998 pelo governador Jaime Lenner com parceria da prefeitura de Cornélio Procópio, hoje com o atual prefeito Amim Hannouche, caminha em direção a qualificação em conhecimento de informática, atendendo um publico de quase 12 turmas diárias com 15 alunos por micro-computador,com a acessibilidade a rede comunicação online e serviços de atendimento ao público.

2.0 TEORIA EMERGENTE DA EDUCOMUNICAÇÃO

Confiamos sobre maneira na Educomunicação e nas propostas originadas medianteanos e, agora, décadas de debates acerca de sua estruturação enquanto nova área do conhecimento. A Educomunicação, desta forma, bem como a educação em si, precisa, sim, ser difundida, pois sua competência na reversão de realidades sociais desfavoráveis está estampada em resultados empíricos, e não em especulações. Entretanto, começamos a balizar elementos que nos conduzam ao estabelecimento de parâmetros para o emprego do que anos atrás era meramente chamado de neologismo, outro aspecto a destacar são os interesses de pesquisa dentro do campo da comunicação, que envolve: Semiótica, Literatura, Televisão, Jornalismo, Arte, Discurso Jornalístico, Educação, Novas Tecnologias, Cultura, Cinema, Imprensa, Comunicação Organizacional, Imagem, Subjetividade ligada a psicanálise, Narrativa, Música, Estudos de Recepção, história e Filosofia.

Logo, a comunicação e a educação são dois campos que se inter-relacionam e podem ser comprometidos de forma interdisciplinar. Para Braga e Calazans (2001) há vários ângulos de convergência nessa interface:

1°) Uso de meios nos processos formais de ensino, presencial e a distância;

2°) A educação forma para a sociedade e esta sociedade é altamente midiatizada;

3°) A capacidade de inclusividade e penetralidade dos meios de comunicação e a

escola sofre a concorrência e a atração dos procedimentos midiáticos;

4°) O processo de aprendizagem não acontece apenas na escola. Ele se dá também, por meio de material informativo distribuído de forma midiática;

5°) Os modos diferenciados de disponibilizar atualizações do conhecimento:

assimétrico, no caso da mídia, e sistematizado, no caso da escola;

6°) O sistema educacional e seus processos e objetivos são tema e objeto de

observação midiática; e

7°) Conceitos e reflexões de um campo é posto a serviço do desenvolvimento de

outro.

A Educação com ênfase nos processos destaca a importância da transformação da pessoa e das comunidades. Não se preocupa tanto com o conteúdo que é comunicado, nem com os efeitos, no que diz respeito ao comportamento, mas se preocupa com a interação dialética entre as pessoas e a realidade, com o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e da consciência social.

2.3 A Educomunicação e a interface com outras teorias da Comunicação

A aproximação entre campos da comunicação e da educação remonta as décadas de 30 e 40, e deriva das inquietações geradas pelo avanço dos meios de comunicação de massa, em especial a televisão e o rádio. Naquela época, a principal preocupação dos educadores dizia a respeito aos possíveis danos que os novos meios causariam aos jovens,podendo levar à formação de hábitos socialmente negativos.

Falar de comunicação é falar dos elementos que integram o processo comunicativo, da análise dos fenômenos relacionados ou gerados pela transmissão de informações, sejam elas dirigidas a uma única pessoa, grupo ou vasto público. É falar do estudo do comunicador, suas intenções e estrutura organizacional na qual se insere; ou do receptor, com suas preferências, reações e comportamento perceptivo. É por fim, falar do estudo da mensagem e do canal, seu conteúdo, sua forma, sua simbologia e técnicas de difusão.

Na Escola de Frankfurt. O paradigma crítico-radical põe em relevo o papel central que a ideologia desempenha nas formas de comunicação. A mídia seria a propagadora de ideologias da classe dominante, impondo-as às classes populares pela persuasão e pela manipulação. Criticam a razão instrumental dos pesquisadores funcionalistas norte-americanos e propõem o termo indústria cultural para definir os produtos culturais oferecidos pela mídia. Esses produtos não vêm do povo, mas são fabricados para serem consumidos como qualquer outra mercadoria. Destacam-se os estudos de Adorno e Horkheimer.

Essa visão dá suporte a muitas práticas de educadores. Ela revela a não neutralidade da mídia como retrato fiel da realidade e possibilita uma leitura mais crítica do jornalismo, das novelas e outros programas de entretenimento. Contudo, há uma certa estigmatização de tudo que provém da mídia, a crença de que ela é absoluta e toda-poderosa e os consumidores alienados. A pouca abertura para o contraditório e para a resistência é uma limitação da teoria.

2.2 JUSTIFICATIVA

Um projeto definindo relação educação e comunicação é justificável pelo valor simbólico dos meios na vivência diária de crianças e adolescentes, que estão em processo de desenvolvimento. O trabalho coloca em foco os meios de comunicação nas analises critica porventura de suas manipulações e interesses, mas não tentamos dita a formalização ou colocar regras oprimindo esses telespectadores ao assistir a televisão,mais sim avulsa neles a análise e obtenção de uma nova concepção de olhar ao assisti-la. Aliás a análise convém da observação investigativa e epistemológica.

3.0 Reflexões sobre teoria e prática do jornalismo impresso

Uma área chamada Educação para a Comunicação, isto é, a educação para a formação do chamado senso crítico frente à mídia, especialmente frente à televisão.

A Comunicação faz parte de nossas vidas, todos os dias somos “bombardeados” pelos meios, assistimos televisão, ouvimos rádio, lemos jornais/revistas, consultamos conteúdos e podemos produzir materiais na internet, por isso e temos o direito de questionar, intervir e construir um país mais democrático e justo para todos!

O objetivo foi oportunizar o aprendizado sobre direitos humanos, cidadania e análise crítica dos meios de comunicação, para tornar os adolescentes mais conscientes de seus direitos e deveres, além de críticos e participativos. Mesmo após o término do projeto, os jovens do Instituto continuam desenvolvendo atividades de educomunicação.

O jornal é um veículo que se fundamenta na possibilidade de compreensão da leitura e assim busca seus fins. É indissociável, portanto, a leitura dos jornais da compreensão dos textos. Porém, em um jornal diário é possível encontrar todo tipo de textos, como os econômicos ou aqueles voltados ao entretenimento. Inicialmente, a leitura crítica dos jornais consiste na tomada de consciência de vários aspectos da produção noticiosa, desde a escolha das matérias, da abordagem, até a análise dos efeitos sobre o público.

3.1 Fanzine como alternativa prática para produção e análise de um jornal impresso

Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor (faneditor). Engloba todo o tipo de temas, com especial incidência em histórias em quadrinhos (bandadesenhada),ficçãocientífica,poesia,música, feminismo,vegetarianismo , veganismo,cinema, jogos de computador e vídeo-games, em padrões experimentais. Também se dedica à publicação de estudos sobre esses e outros temas, pelo que o público interessado nestes fanzines é bastante diversificado no que se refere a idades, sendo errônea a idéia de que se destina apenas aos jovens, ainda que estes sejam concretamente os que mais fazem uso desse meio de comunicação.

Seu uso facilita o processo do receptor e também do transmissor,nas analise das tipologias jornalística que um jornal é estruturado,oferecendo nova leitura a esses alunos obtendo maior resultado na avaliação final.

3.2 O Blog

Um blog é um site de fácil utilização, em que você pode publicar informações e imagens de forma rápida, interagir com outras pessoas e muito mais. E tudo isso é grátis. A execução deste trabalho nos permitiu visualizar com mais clareza como e onde se insere a função do Educomunicador em nossa sociedade.A diferença entre adultos e jovens em relação às novas tecnologias de comunicação. Os alunos têm uma evidente familiaridade com a tecnologia eletrônica.

A discussão abordou o conceito da educomunicação, ressaltando a sua importância na transformação social e na construção de uma comunicação autônoma, onde as pessoas tornam-se protagonistas, exercitando o diálogo e a democracia.

Com o objetivo de formar o julgamento, o senso critico, o poder de observação e de pesquisa, a imaginação, a leitura e análise dos textos e imagens jornalísticas. Relacionado com a teoria do agendamento, que defende que a mídia é capaz de estabelecer uma agenda temática junto ao público, decidindo o que vai chamara a atenção sobre um determinado assunto, fixando o que será discutido. Priorizar a leitura, a discussão e a interpretação dos diferentes assuntos.

4.0 METODOLOGIA

4.1Jornalismo /Teorias

4.1.1 argumenta o que é jornalismo e seus conceitos, defini-lo sua importância no contexto social e relacionado seu poder.

4.1.2 Ética jornalística.

4.1.3 demonstrar as praticas de manipulações que o jornalismo convém na relação social, criando como exemplo ícones de personagens infantis,entre outros, definindo seus interesses, a tal ´´indústria cultural´´.

4.1.4 Os meios de comunicação e seus mantenedores políticos,ou seja suas relações politica.

4.1.5 Analise critica dos meios de comunicação

4.1.6 Identificando a primeira Teoria que é do espelho emergindo seus conceitos e fundamentos.

4.1.7 Teoria atual da Agenda Setting.

4.1.8 Perseu Abramo e suas teorias emergentes

4.1.9Teoria emergente

4.1.10 Introdução da leitura critica.

4.2 Educomunicação

4. 2.1 O que é educomunicação,e qual o perfil do educomunicador.

4. 2.2os gestores:educação para os meios,mediações tecnológicas,gestão da educomunicação no ensino pedagógico.

4.3 Jornalismo Impresso

4.3.1 Definir o que é jornalismo impresso

4.3.2Gêneros Jornalistico: as sete.

4.3.3Analise do Lead: Quem? Como? Porque ?Oque? Onde? Quando?

4.3.4Formas de discursos:direto ou indireto.

4.3.6Criação do fanzini por editorias.

4.3.7Analise critica dos alunos e apresentação de seus trabalhos.

OBJETIVOS/PERSPECTIVAS E JUSTIFICATIVA

5.0 Objetivo Central

Propiciar junto a esses “leitores precoce”, a ampliação da criticidade em relação ao processo de recepção midiática com a análises múltiplas sobre a mídia, estudo utilizando a práxis (partindo da teoria e aplicando a prática).

  • a palestra esta cronologicamente programada e tem um embasamento teórico contínuo,que facilitara a compreensão do assunto;
  • Propiciar análise de um jornal dividindo seus gêneros jornalísticos como: editoriais, colunas, artigo, resenha, crônica, noticia,reportagem e entrevista;
  • análise da estrutural do jornal sendo elas: títulos, retranca ,box, página entre outros;
  • Elaboração fragmentada do fanzini;
  • elaboração de noticias a partir da explicação do lide.
  • Refletir nas teorias as manipulações dos meios de comunicação;
  • Trabalha através de comentários dos alunos buscando suas crítica;
  • Ressaltar a ética jornalística e a importância do jornalismo parcial e também imparcial,sabendo ter mediações nos usos vocábulos;
  • Utilizar o ensino da Práxis (práticas educomunicativas)

6.0 PERSPECTIVA FINAL/AVALIAÇÃO

– O uso do método práxis foi atingido com total aproveitamento, conseguimos sair da fundamentação teórica e partir para pratica sem esquecer do teórico e proporciona a dialética.

– Primeiramente lançamos o conceito do jornalismo e o questionário, a partir daí começou o dialogo e interação do alunos, um publico bem diversificado pela idade,vimos varias facetas de recepção e olhares curiosos sobre o mundo jornalístico.

– No segundo momento começamos a desdobrar as teorias mais clássicas:como a do espelho,que foi equiparada ao primeiro pensamento deles que tudo que a mídia passa é real,em seguida a da agenda setting, onde a mídia pautava a sociedade ,emergindo um pouco sobre os tipos de manipulações e interesses,embargando continuamente as teorias manipulações que Perseu Abramo havia proferido e lançado em seguida, e consecutivamente a mais recente a educomunicação que foi detalhada logo em seguida também.

– Na argumentação da educomunicação definimos,e mostramos o porque de estar ali,o que é essa educação e comunicação que importância ela tem, e o que traz através dessas gestões.

– Após decodificamos os subterfúgios de manipulação geridos pela mídia,através de desenhos,novelas entre outros,sem pensar nos danos que ela causa na sociedade.

– Em seguida o fanzine tornou forma pratica de análise textual e estrutural de um jornal. Que tornou bem complexo na hora da recepção desses alunos onde apresentaram.

– Esses leitores precoce da mídia, obtiveram a analise dialética por meio da comunicação feitas pelos intermediadores dessa oficina, avulsa critica e fazer prazerosa a aula e as atividades que se tornaram qualitativa.

O Blog serviu de alicerce para a postagem e interatividade de comentários e do projeto para estar a disposição desses alunos e o público em geral.

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