Repensando a Educação de Jovens e Adultos em Escola Pública: como é esta prática?

Repensando a Educação de Jovens e Adultos em Escola Pública: como é esta prática?

Rozane Alonso Alves*

Simone Alves Scaramuzza*

 

Simone Alves Scaramuzza É Mestre em Educação pelo Program de Pós-Graduação em Educação – Mestrado e Doutorado da Universidade Católica Dom Bosco.

Resumo: Este artigo tem como propósito, refletir sobre a prática pedagógica desenvolvida em contexto do processo educativo de estudantes da Educação de Jovens e Adultos em uma escola municipal de Ji-Paraná, Rondônia. Para tanto, foram pensados referenciais que identificam o histórico desta modalidade da educação, bem como foram realizados momentos de observação em salas de aula de 7° ano da EJA. Partimos principalmente dos conceitos de Paulo Freire, um grande educador, que nos permite pensar e repensar a educação enquanto processo de mudança, tendo a docência como mediatização desta mudança. 

Palavras-Chave: Educação de Jovens de Adultos, Prática Docente, Aprendizagem Significativa.

 

Introdução

     A Educação de Jovens e Adultos no que se refere às metodologias utilizadas para o processo educativo vem sofrendo mudanças significativas, uma vez que os docentes atuantes devem compreender o contexto histórico e socioeconômico do educando. No estudo ora demonstrado, ficou evidente que alguns professores e professoras revelam em sua prática educativa, a utilização de diálogos que dão valor aos conhecimentos empíricos do aluno incluído no processo de ensino, como por exemplo, os diálogos promovidos entre os professores das disciplinas de português e arte que remeteram as situações de conflitos da sala de aula para questões de sociais vivenciam por alguns alunos e/ou o contexto social ao qual está vinculado.

Rozane Alonso Alves Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. E-mail: zahnny_k@hotmail.com

Tais práticas, segundo Santos (2010) possibilitam ao educador e professora trabalhar os conteúdos curriculares de forma contextualizada. Assim, a compreensão dos conteúdos exigirá dos alunos um processo sistemático de reflexão sobre suas características, suas regularidades e suas funcionalidades. Deste modo, ao utilizar de técnicas que propiciam uma relação dialógica ente o educador e o educando, o processo de ensino-aprendizagem será significativo. Isso fará com que os alunos da educação de jovens e adultos obtenham tanto o desenvolvimento cognitivo, quanto emocional e social, tendo em vista que o “educador e educando devem interagir” (LOPES E SOUZA, 2010, p. 10)

Assim, quando o professor/a utiliza-se dos conhecimentos empíricos do aluno, ele apropria-se dos métodos utilizados pelo educador Paulo Freire, que incita condições suficientes para incentivar e preparar o educando através dos “conhecimentos de mundo”, ou seja, o indivíduo torna-se capaz de assimilar os conteúdos com conhecimento de seu cotidiano.

         Dessa forma, essa perspectiva de metodologia que acompanha a pratica docente no processo de ensino da educação de jovens e adultos observada permanece voltada as ações pedagógicas existentes no que Oliveira caracteriza como uma modalidade de avaliação, objetivando

os recursos, os limites e os resultados que vão sendo produzidos, constituindo um processo cumulativo, continuo, abrangente, sistemático e flexível de obtenção de julgamento de informações de natureza  qualitativa e quantitativa sobre o ensino e a aprendizagem, de forma para obter subsídios para: planejar as intervenções docentes; criar formas de apoio aos alunos que apresentam dificuldades; verificar se os objetivos propostos estão sendo alcançados; obter subsídios para revisão dos materiais e da metodologia do curso. (2010, p.2)

     Dessa forma, a partir desses princípios de práticas pedagógicas evidenciados, verificamos nas releituras no que concerne a historicidade ao qual vem se localizando a Educação de Jovens e Adultos no Brasil que há um movimento por parte da os professores/as em utilizem da relação dialógica, alguns deles fazem com que a educação de jovens e adultos caminhe em direção a conscientização do indivíduo, como foi relatado os exemplos das aulas descritas acima.

Histórico da Educação de Jovens e Adultos no Brasil

         De acordo com os teóricos consultados, por exemplo, Lopes & Souza (2010); Ventura (2010); Pierro e Graciano (2003), entre outros, foi possível observar que dentro do contexto educacional a EJA surgiu como instrumento catequizador, pois quando a população e, principalmente as populações indígenas soubessem ler e escrever poderia seguir os princípios da igreja. Posteriormente, a educação para jovens e adultos surgiu a partir do interesse político, tendo em vista que no momento em que soubessem ler as instruções da corte, os subalternos poderiam cumprir melhor as ordens. Posteriormente, surge a necessidade da qualificação da mão de obra para as indústrias, então se iniciam as campanhas de alfabetização dos jovens e adultos com a finalidade de prepará-los para o mercado de trabalho. Diante de algumas das instâncias pelo qual a Educação de Jovens e Adultos esteve ligada, verifica-se então que ela sempre esteve vinculada aos diversos movimentos, sejam sociais, políticos ou econômicos.

     Foi a partir da revolução de 1930 que começaram a surgir propostas de consolidação do sistema educacional para a educação elementar no Brasil. Nesse sentido, com a constituição de 1934, estabeleceu-se a criação do Plano Nacional de Educação que indicou como dever do Estado a oferta de uma educação para Adultos. Diante disso, é possível notar que foi a partir dessa década que o ensino básico ofertado para adultos começou a delimitar um lugar na história, pois neste período “a sociedade brasileira passava por grandes transformações, associadas ao processo de industrialização e concentração populacional em centros urbanos” (RIBEIRO, 1997, p.19).

    Segundo Lopes e Souza (2010), a década de 40 foi importante, pois as iniciativas políticas e pedagógicas promoveram a ampliação da educação de jovens e adultos, tendo em vista que se instituiu “

a criação e a regulamentação do Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP); a criação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), o surgimento das primeiras obras dedicadas ao ensino supletivo; o lançamento da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), entre outros.(2010, p.4).

         Com o fim da era Vargas, surge também a necessidade de aumentar as bases eleitorais como forma de sustentação da democracia. Assim, a Educação de Jovens e Adultos ganhou a função de integrar as massas populares de imigração recente – meio rural para meio urbano – bem como aumentar a capacidade de mão de obra para a produção industrial.

        Entre as décadas de 60 e 70 o educador Paulo Freire é colocado como o precursor de um movimento que buscava a construção de uma educação para jovens e adultos trabalhadores que tivessem como principio a prática da liberdade. Partindo dos princípios Freireanos, na década de 70, a Educação de Jovens e adultos é marcada pela implantação do Mobral, que era considerado segundo Lopes e Souza (2010) como um projeto que erradicaria o analfabetismo em 10 anos. O MOBRAL surgiu como continuação de todas as campanhas iniciadas para promover a alfabetização de adultos. O objetivo principal do MOBRAL era fazer com que os seus alunos aprendessem a ler e a escrever, bem como adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo sem uma preocupação maior com a formação do homem.

     A partir de 1971, a educação para jovens e adultos passa a ser assumida somente pela rede de ensino supletivo que era de responsabilidade dos Municípios e Estados.  O objetivo do Supletivo era promover a escolarização para atender o mercado de trabalho competitivo e com baixo custo operacional. Esse modelo de ensino restringia o aluno à buscar apenas o diploma sem conscientização da necessidade do aprendizado.

         Atualmente, a EJA é defendida pela Constituição Federal através do art. 208, inciso I, que dá garantia ao acesso para o ensino fundamental gratuito inclusive para as pessoas que não tiveram acesso ao processo de ensino na idade apropriada. Diante disso, estabelece-se como obrigatoriedade o dever do Estado em ofertar e promover a Educação de Jovens e Adultos. Essa garantia de atendimento educacional se reafirma com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, em seu artigo 37, pois é nessa lei que se define a Educação de Jovens e Adultos para atender aos interesses e às necessidades de indivíduos que já tinham uma determinada experiência de vida, que participam do mercado de trabalho, mas que merecem uma formação educacional diferenciada.

Concepções de Educação para Jovens e Adultos (EJA)

         A Educação de Jovens e Adultos – EJA exige que o ensino esteja vinculado a perspectiva da inclusão na sociedade, pois o seu processo histórico, consolidou-se pela conquista de direitos.  Tomando como matriz da EJA os conceitos de direito e democracia, verifica-se então que esses termos referem-se ao movimento da busca pelo direito à educação, bem como, da maneira  que a formação escolar implica em uma maior conscientização do indivíduo como agente do processo de transformação tanto social, quanto econômico e político.

       Uma das concepções da Educação de Jovens e Adultos refere-se à modalidade educacional que garante para os jovens e adultos, o acesso à rede pública regular de ensino, tanto na etapa do ensino fundamental, quanto na etapa do ensino médio. Nessa perspectiva, o Parecer CNE n° 11/200 explica que a EJA implica em um processo em que se exige um método próprio de se fazê-la, que indique e respeite as características próprias dos jovens e adultos, bem como dos seus saberes e experiências empíricas, suas visões de mundo, etc. Todos esses reconhecimentos devem ser guias nas propostas curriculares no processo de formação do individuo atendido pela EJA.

      Dessa forma, observa-se que a modalidade de Educação de Jovens e Adultos deve objetivar para seu público alvo, ou seja, para os jovens e adultos que não tiveram acesso a escola em idade adequada, uma formação que estejam além da falta de escolarização, ou seja, que leve o educando a refletir sobre as suas múltiplas necessidades cotidianas, bem como a tomar consciência de seus direitos e deveres enquanto indivíduo inserido na sua comunidade. Assim, fica evidente que a Educação de Jovens e Adultos deve atender as essas necessidades e especificidades de forma abrangente, diversificada e flexível.

Diante disso, Freitas e Biccas (2009, p.211), nos evidencia que

o investimento na alfabetização de adultos revela-se importante estratégia no processo de promoção educacional para toda a população brasileira, visando não só a elevação do nível educacional do país mas também o nível de bem-estar geral da população.

         De acordo com concepção de educação de EJA das autoras Di Pierro e Graciano (2003), o processo de escolarização que deve ser obrigatoriamente oferecido aos jovens e adultos vai além da alfabetização oferecida nas séries iniciais do ensino fundamental, pois para elas a Educação de Jovens e Adultos deve também abranger “cursos e exames supletivos nas etapas do ensino fundamental e médio, bem como processos de educação à distância realizados via rádio, televisão ou materiais impressos” (p.13).

         Diante dessas proposições defendidas, é importante ressaltar que a modalidade de ensino voltada para a formação de Jovens e Adultos deve se apresentar com políticas e práticas pedagógicas de reconhecimento a diversidade, bem como das especificidades sociais e culturais. Neste sentido, a EJA suprirá as carências de escolarização e ainda garantirá ao aluno dessa modalidade de ensino, a tomada de consciência de seus direitos e deveres enquanto indivíduo pertencente a uma comunidade e, do seu papel enquanto agente de transformação social.

Metodologias para o ensino de Educação de Jovens e Adultos – EJA

         No que se refere ao campo das concepções metodológicas, sabe-se que dentro do processo educativo, a metodologia é a direção da prática educativa, ou seja, é a sequência de organização e aplicação das atividades propostas pelo professor para serem desenvolvidas na sala de aula. Nesse sentido, observa-se então que ela envolve tanto o conteúdo a ser trabalho, quanto às técnicas de aplicação utilizadas na prática pedagógica do professor.

         Desta forma, uma das metodologias bastante difundidas no que se refere a Educação de Jovens e adultos são os métodos sócio – individualizados. O método em questão considera a junção do método individualizado cujo pressuposto é a valorização das diferenças de cada aluno, bem como a adequação dos conteúdos “ao nível de maturidade, à capacidade intelectual e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno” (HAYDT, 2006, p.147) e, o método socializado que valoriza “a interação social, fazendo a aprendizagem efetivar-se em grupo” (IDEM, 2006, p.147).

         Para o educador Paulo Freire a metodologia do professor atuante na Educação de Jovens e adultos deve levar em consideração a realidade contextual em que o educando está inserido no momento da organização dos conteúdos. Isso pressupõe que o educador conheça as diversas realidades dos alunos com que ele está trabalhando. Dessa forma, os conteúdos selecionados pelo professor, resultarão de uma metodologia estabelecida no diálogo entre professor e aluno. Nessa perspectiva, Freire afirma em sua fala que

não posso me adaptar ou me ‘converter’ ao saber ingênuo dos grupos populares, de outro, não posso, se realmente progressista, impor-lhes arrogantemente o meu saber como o verdadeiro. O diálogo em que se desafiando o grupo popular a pensar sua história social como experiência igualmente social de seus membros vai revelando a necessidade de superar certos saberes que, desnudados, vão mostrando sua ‘incompetência’ para explicar os fatos.(2000, p.83)

         Nessa perspectiva, quando o docente trabalha estes métodos dialógicos, fazem com que cada indivíduo que esteja envolvido no processo educativo disponha os conhecimentos de mundo, conhecimentos estes que se fazem necessários para o trabalho pedagógico. Assim, o importante não está na quantidade de conhecimento dos alunos atendidos pela educação de jovens e adultos, mas sim no despertar para a associação entre a sua experiência de vida e a assimilação dos conteúdos trabalhados. Portanto, antes de tudo, o docente precisa conhecer as diversas realidades encontradas dentro da sala de aula, bem como conhecer cada indivíduo inserido nos diversos contextos sociais, pois é a partir dessa construção que se materializará o conteúdo a ser trabalhado.

Considerações Finais

     Diante do que foi exposto, fica evidente que a Educação de Jovens e Adultos é uma política pública que tem como objetivo a escolarização de jovens e adultos, bem como a promoção da conscientização dos indivíduos no que se refere aos direitos e deveres dos mesmos no espaço social em que estão inseridos. Neste sentido, é função da escola e dos docentes promover uma educação de qualidade.

      Assim, Paulo Freire afirma em seus escritos, que o fracasso de toda a sociedade bem como, os avanços mínimos da comunidade educativa não permite mudanças no fazer social, e o maior problema não é o fracasso da escola, e sim a falta de compromisso com um desenvolvimento social de qualidade. Compreendendo a argumentação desse grande educador e relacionando ao assunto abordado, verifica-se que a conquista pela Educação de Jovens e Adultos refere-se a luta e aos movimentos sociais surgidos da necessidade social de escolarização para os sujeitos que não tiveram acesso ao ensino na idade apropriada. Vale ressaltar que Paulo Freire optou por um método que valoriza o saber do aluno, promove o diálogo, a valorização da cultura local, a problematização e a participação integral do aluno.

    Frente ao que foi exposto, fica evidente que a Educação de Jovens e Adultos é o reflexo das transformações pelo qual a sociedade passou. Na perspectiva de efetuar uma verdadeira educação de jovens e adultos, é necessário que o professor da EJA adquira uma formação especializada, tendo em vista que há necessidade de metodologias apropriadas, pois é da sua formação que depende a qualidade da educação fornecida aos jovens e adultos. Tais metodologias proporcionam ao aluno da educação de Jovens e Adultos a capacidade de estabelecer uma aprendizagem significativa, e que faz o aluno adquirir uma autonomia que o leva a se descobrir como ser consciente e crítico diante da realidade sociocultural ao qual está inserido.

Referências:

BRASIL. Constituição de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Contêm as ementas constitucionais posteriores. Brasília, DF: Senado, 2008.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n° 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes da educação nacional. Brasília, DF: 2001

DI PIERRO, M. Clara, GRACIANO, Mariângela. A Educação de Jovens e Adultos no Brasil: Informe apresentado à oficina regional da UNESCO para a América Latina y Caribe. São Paulo, Ação Educativa, 2003. Disponível em: http://www.açaoeducativa.org.br/dowloads/relorealc.pdf. Acessado em 03/06/2010.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indagação: Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora Unesp, 2000.

FREITAS, M Cezar de, BICCAS, M. de Souza. História social da educação no Brasil (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009.

HAYDT, R. Célia Cazaux. Curso de Didática Geral. São Paulo: Ática, 2006.

LOPES, S. Paraguassu, SOUZA, L. Silva. EJA: uma educação possível ou mera utopia?. Disponível em: http://www.cereja.org.br/pdf/resvista_v/resvista_selvaPlopes.pdf. Acessado em 03/06/2010.

OLIVEIRA, M. E. Soares de. Educando e fascinando jovens e adultos: avaliação e a metodologia escolar. Disponível em:  http://www.webartigos. Com/articles/20961/1/EDUCANDO-E-FASCINANDO-JOVENS-E-ADULTOS-AVALIACAO-E-A-METODOLOGIA-ESCOLAR/pagina1.html.Acessado em Junho de 2010.

RIBEIRO, V. M. Masagão. Educação de Jovens e Adultos: Proposta curricular para o primeiro segmento do ensino fundamental. São Paulo/Brasília: Ação Educativa, 1997. Disponível em: http://www.açaoeducativa.org.br/dowloads/parte1.dpf. Acessado em 03/06/2010.

SANTOS, C. A. Marques. Proposta didática com textos na alfabetização de jovens e adultos. Disponível em: http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educar/ensino-fundamental/ensino-fundamental/EDUCA%C3%87%C 3% 83O%20DE%20JOVENS%20E%20ADULTOS%20-%20SALA%20PAULO%20FREIRE/ARTI GO/Proposta-didatica.pdf. Acessado em Junho de 2010.

* Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. E-mail: zahnny_k@hotmail.com

* Graduada em Pedagogia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná. E-mail: simonescaramuzza23@gmail.com

 

 

ALVES, R. A. ; SCARAMUZZA, S. A. . Repensando a Educação de Jovens e Adultos em Escola Pública: como é esta prática?. P@rtes (São Paulo) , v. 15, p. 1, 2013.

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