Afetividade e Inteligência

Afetividade e Inteligência

 

*Larissa Manuella Santos Pulgatti

Resumo: Este artigo apresenta uma análise sobre a influência da  afetividade no desenvolvimento da inteligência dos sujeitos. O desenvolvimento integral do sujeito não se dá somente através de aspectos cognitivos é indiscutível que o aspecto afetivo faz parte deste processo. Neste artigo destaca-se a necessidade da criança estar envolvida em relações afetivas tanto da família quanto das pessoas com quem convive no ambiente escolar. A afetividade assume uma importante função para o desenvolvimento do ser humano e para a construção de aprendizagem.

 Palavras-chave: afetividade; inteligência; desenvolvimento integral.

 

Resumen: Este artículo presenta um análisis sobre la influencia del afecto en el desarrollo de la inteligência de los sujetos. El pleno desarrollo de la asignatura no se produce solo a través de aspectos cognitivos ES indiscutible que el aspecto afectivo ES parte de este proceso. En este artículo se destaca la necesidad de que el niño participe em lãs relaciones íntimas tanto de la família como personas que viven em el entorno escolar. El afecto tiene um papel importante para el desarrollo de los seres humanos y para la construcción de aprendizajes.

Palabras clave: afecto, la inteligência, el desarrollo integral.

 

Segundo Piaget (1962) dois componentes devem ser considerados como essenciais ao desenvolvimento do indivíduo: o componente cognitivo e o componente afetivo.  Para ele o afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções e se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência, tornando difícil encontrar um comportamento apenas da afetividade, sem nenhum elemento cognitivo e vice-versa.

Para Piaget (1962) a afetividade constitui um domínio funcional tão importante quanto o da inteligência. Afetividade e inteligência estão em uma relação inseparável na evolução dos sujeitos e embora tenham funções bem definidas e diferenciadas entre si, são interdependentes em seu desenvolvimento, permitindo à criança atingir níveis de evolução cada vez mais elevados.

A construção da identidade dos sujeitos está relacionada a movimentos cognitivos e também afetivos, que são interdependentes. Piaget (1994) afirma que “o pleno desenvolvimento da personalidade, sob seus aspectos mais intelectuais, é inseparável do conjunto dos relacionamentos afetivos, sociais e morais que constituem a vida da escola” (p.61).

O desenvolvimento integral dos sujeitos não se dará somente quando desenvolvidos os aspectos cognitivos. É preciso que sejam também considerados os aspectos afetivos para este desenvolvimento, por isso que a relação professor-aluno precisa se dar na direção que aproxima cada vez mais estes sujeitos com base nos sentimentos de respeito e carinho.

Desta forma percebe-se a necessidade da educação ser concebida como um processo permanente, comprometida com a construção social do conhecimento. Em seus, estudos Piaget (1962), destaca que a inteligência e afetividade são de naturezas diferentes, mas que possuem uma relação indissociável na conduta concreta da criança. Conduta que não pode ser unicamente afetiva, como não pode ser unicamente cognitiva. A afetividade age interferindo constantemente no funcionamento da inteligência podendo estimular e acelerar este processo da mesma forma, a ausência desta, pode interferir constantemente de forma a retardar ou perturbar esta construção.

Piaget (1962) apud Arantes (2003)ressalta que a afetividade sozinha não pode nortear a prática docente, é necessário que o educador tenha uma boa formação científica.

É indiscutível que o afeto tem um papel essencial no funciona­mento da inteligência. Sem o afeto não haveria nem interesses, nem necessidades, nem motivação; em conseqüência, as inter­rogações ou problemas não poderiam ser formulados e não haveria inteligência. O afeto é uma condição necessária para a constituição da inteligência. No entanto, em minha opinião, não é uma condição suficiente. ( p.167)

 O indivíduo não nasce um ser social, esta construção se dará ao longo dos anos nos processos de socialização e interação com outros sujeitos. O desenvolvimento social age sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo; o desenvolvimento social está relacionado ao desenvolvimento cognitivo e afetivo e este conhecimento social é constituído pela criança à medida que ela interage com os adultos e com outras crianças.

A importância da afetividade no processo intelectual é apresentada também por Hillal (1985), segundo ele:

A afetividade é o suporte da inteligência, da vontade, da atividade, enfim, da personalidade. Nenhuma aprendizagem se realiza sem que ela tome parte. Muitos alunos há cuja inteligência foi bloqueada por motivos afetivos; outros há cuja afetividade não resolveu determinados problemas, apresentando falha no comportamento. A afetividade constitui a base de todas as reações da pessoa diante da vida de todos os seus acontecimentos, promovendo todas as atividades.(p.18)

O afeto se de desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou a inteligência e, é responsável pela ativação intelectual por isso todo educador precisa ter clara a importância da afetividade na interação com a criança e na construção do conhecimento entendendo que essa relação afeto-cognição pode favorecer o desenvolvimento integral da criança, favorecendo também a um maior equilíbrio e uma maior estabilidade na vida social, afetiva, moral e intelectual.

Segundo Piaget (1962), a afetividade constitui a “energética das condutas” cujas estruturas correspondem às funções cognitivas, ou seja, as condutas humanas possuem como base fundamental o afeto e a estrutura de como são e como funcionam estas condutas, constituem o elemento intelectual.

A afetividade não é o único meio para o desenvolvimento da inteligência, no entanto as construções mentais são permeadas por aspectos afetivos.

Henri Wallon (1968) não coloca a inteligência como o principal componente do desenvolvimento, mas defende que a vida psíquica é formada por três dimensões – motora, afetiva e cognitiva, que coexistem e atuam de forma integrada

 Na teoria walloniana a afetividade é entendida como o ponto de partida do desenvolvimento do indivíduo.

 É a partir da organização do contato com o outro que a criança cria vínculos afetivos. Para Wallon (1968) a afetividade e a inteligência são concomitantes entre si, pois ao mesmo tempo em que a afetividade se estende ao desenvolvimento do indivíduo, a inteligência caminha paralelamente, a esse processo de desenvolvimento integrado.

Segundo Wallon (1968), a afetividade é fator fundamental para a constituição integral do sujeito e por isso precisa ser entendida como um instrumento de sobrevivência do ser humano já que a afetividade corresponde à primeira manifestação do psiquismo, impulsionando o desenvolvimento dos indivíduos.

Wallon (1968) ainda acrescenta que a afetividade e a inteligência constituem a personalidade. Para ele a afetividade se vincula às sensibilidades internas e orientadas para o mundo social, para a construção da pessoa; enquanto que  a inteligência está vinculada às sensibilidades externas e orientada para o mundo físico, para a construção do objeto.

Desta forma, a afetividade assume papel fundamental no desenvolvimento humano, determinando os interesses e necessidades individuais de cada sujeito tornando-se um domínio funcional, que precede a inteligência.

Dessa forma entende-se que toda criança necessita relações afetivas tanto da família quanto das pessoas com quem convive no ambiente escolar. A afetividade assume uma importante função para o desenvolvimento do ser humano e para a construção de aprendizagem. Os vínculos afetivos que são decorrentes das interações vêm  estimular a construção de conhecimento de si e do mundo a que a criança pertence.

Por isso, o espaço pré-escolar precisa ser compreendido como um lugar de construção de laços afetivos, laços que se tornam base para a construção de conhecimento significativo.

 

REFERÊNCIAS

ARANTES, V. A. A Afetividade na escola. Grupo Editorial Summus, 2003.

_____________. Afetividade e Cognição: Rompendo a Dicotomia na educação; In VIDETUR, n. 23. Porto/Portugal, Mandruvá, 2004.

Disponível em:

http://www.hottopos.com/videtur23/valeria.htm). Acesso em 20 de julho de 2012.

HILAL, J. Relação professor- aluno: a formação do homem consciente. São Paulo: Paulinas, 1985.

LEONTIEV, A. N. et al VIGOTSKY, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Editora da Universidade de São Paulo, 1988

PIAGET, J. The relation of affetivity to intelligence in the mental development of the child. [transl. by Pitsa Hartocollis]. In Bulletin of the Menninger clinic. – 1962, vol. 26, no 3. Three lectures presented as a series to the Menninger school of psychiatry March, 6, 13 and 22, 1961. Publicação original em língua inglesa, 1962. Tradução da obra: Magda Medeiros Schu. Disponível em:

http://www.ufrgs.br/faced/slomp. Acesso em 15 de outubro de 2012.

________. Para onde vai a Educação? São Paulo: Editora Vozes, 1994.

WALLON, H. A evolução psicológica da criança.  Tradução de Ana Maria Bessa. Edições 70, 1968.

*  Pedagoga pela da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

 

PULGATTI, L. M. S. ; afetividade e inteligencia. P@rtes (São Paulo) , v. 1, p. 1-5-5, 2013.

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