A hipótese malthussiana

Thomas Robert Malthus

Comp@s

William Jorge Gerab, um dos autores do Questionário para a Elaboração da agenda 21 das Comunidades, é coautor dos paradidáticos “Indústria e Trabalho no Brasil” (Ed.Saraiva-Atual) e “Para Entender os Sindicatos no Brasil” (Ed. Expressão Popular). fez, também alguns artigos publicados na Partes. É graduado em Sociologia e Política pela FESPSP, cursou especialização em Gestão Ambiental na FSP/USP. Ecossocialista, milita nos movimentos ambiental e sindical.

Há muitos anos que às preocupações com a crescente escassez de alimentos provocavam debates em torno da hipótese malthussiana* (população crescendo em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética – essa segundo, muito mais lenta). Essa teoria tem sido bastante questionada, já que não se comprovou e os avanços tecnológicos têm suprido a alegada limitação de espaço para o plantio.

Mesmo assim, “Malthus” permanece assombrando a quem olhar para o futuro e um futuro não tão distante. Acontece que os conflitos de interesses entre os agrupamentos humanos geram crises econômicas, que trazem inseguranças quanto à capacidade dos sistemas vigentes de propiciar garantia de alimentação às populações, particularmente às mais distantes dos centros de desenvolvimento.

O mencionado economista dos séculos XVIII / XIX falava em conter o crescimento populacional (manter a castidade antes do casamento, retardar o casamento e ter os filhos, que se pudesse sustentar). Na atualidade (vide matéria abaixo), há quem queira nos impingir goela abaixo alimentos transgênicos (geneticamente modificados), mesmo que ainda não se saiba se podem causar mal às pessoas, seja porque podem ter maior produtividade, ou seja, por lhes trazer lucros incríveis.

Tudo isso, no entanto, leva a crer que se os interesses na área de produção de alimentos se concentrassem em consegui-los nas quantidades e nas qualidades suficientes para garantir a segurança alimentar no planeta, se conseguiria o planejamento capaz de eliminar as dúvidas a respeito.

Trata-se, então, de algo diferente da dicotomia “contenção do crescimento populacional X açodamento na produção de alimentos”. Na verdade, para quem o principal valor é a subsistência da humanidade, a tarefa mais imediata é a LIBERTAÇÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS (força de trabalho ou trabalho humano / natureza ou recursos fornecidos ou intermediados por ela / e tecnologia – que inclui os meio de produção).

Só escapando do jugo a interesses mesquinhos, da concentração de poder e riquezas, é que as forças produtivas poderão exercer a sua vocação de garantir a vida humana. Assim os seres humanos alcançarão a tão sonhada segurança alimentar e a totalidade dos seus esforços redundarão a favor do conjunto da humanidade.

É disso e de todas as consequências disso que versam os projetos de ECOSSOCIALISMO.

Abração do

William.

17/07/2013.

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*Teoria populacional do economista e pastor anglicano inglês Thomas Robert Malthus, publicada em 1798 (nome dos trabalhos a respeito: “”Um ensaio sobre o princípio da população na medida em que afeta o melhoramento futuro da sociedade, com notas sobre as especulações de Mr. Godwin, M. Condorcet e outros escritores” (1798) e “Um ensaio sobre o princípio da população ou uma visão de seus efeitos passados e presentes na felicidade humana, com uma investigação das nossas expectativas quanto à remoção ou mitigação futura dos males que ocasiona.” (1803)). http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_populacional_malthusiana

EXAME.COM

Desafio | 12/07/2013 17:07

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Alimentos geneticamente modificados

Buckeridge defende ainda a aplicação de tecnologias como a de organismos geneticamente modificados (OGMs). “O milho geneticamente modificado, por exemplo, pode produzir até 30% mais. Nós vamos ter que entrar nessa era”, afirmou o biólogo. Além disso, ele vê com bons olhos o melhoramento das espécies botânicas para que elas resistam às mudanças climáticas, que avançam cada vez mais rapidamente sobre o planeta.

A introdução de transgênicos na natureza entretanto está cercada de polêmicas. Ambientalistas argumentam que tal prática expõe nossa biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração do patrimônio genético das plantas e sementes e o aumento no uso de agrotóxicos mais fortes.

Alimentos orgânicos

Defensor de outra saída, Paulo Kageyama, engenheiro agrônomo e colaborador do Ministério do Meio Ambiente, diz que o país deve explorar sua biodiversidade natural.

Kageyama trabalha em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), desenvolvendo estudos e pesquisas em assentamentos agroecológicos.

Em Apiaí, no Vale do Ribeira, em São Paulo, o modelo de agricultura sustentável e produção de alimentos orgânicos foi adotado para conciliar o desenvolvimento socioeconômico das famílias assentadas com a preservação e recuperação ambiental.

“Trabalhamos com modelos que sejam mais sustentáveis, levando em conta a biodiversidade. Se temos uma grande quantidade de terras, vamos derrubar tudo e plantar uma só espécie, como um transgênico? Nós plantamos de 20 a 30 espécies diferentes, sem usar agrotóxicos”, explica o engenheiro.

Segundo dados do especialista, se compararmos o plantio de tomate orgânico e convencional em Apiaí, percebemos que a produção orgânica demanda mais terras que a tradicional. Contudo, enquanto o plantio de alimentos convencionais inclui 36 aplicações de agrotóxicos – o que corresponde a 80% do custo de produção, segundo Kageyama -, o cultivo orgânico é livre de qualquer componente químico, sendo mais benéfico à saúde humana. Além disso, protege a qualidade da água, a fertilidade do solo e a vida silvestre, conservando a biodiversidade.

http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/como-alimentar-nove-bilhoes-de-pessoas-em-2050?page=2

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