Por Rúvila Magalhães - ruvila.avelino@usp.br

Trabalho contou com duas oficinas de capacitação, realizadas com lideranças

O uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC) nas lutas feministas permite um aumento no alcance dos conteúdos de conscientização sobre temas abordados nos movimentos. Além disso, as TIC proporcionam o estreitamento dos laços de solidariedade entre os diversos grupos feministas no Brasil e no mundo, ampliando assim a luta e os debates. Esses foram alguns resultados da pesquisa realizada pela jornalista Vera Vieira, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

O trabalho contou com duas oficinas de capacitação, realizadas com lideranças de grupos e ONGs voltadas aos temas feministas, como parte da pesquisa empírica. As oficinas “Internet e violência doméstica: fazendo e intervindo” e “Internet e violência doméstica: transformando com a própria história” permitiram comprovar que as formas de comunicação a distância promoveram uma mudança na mentalidade das participantes e consequentemente o avanço da luta das mulheres pela equidade de gêneros. O uso das TIC ainda representam desafios para as mulheres e, ao dominá-los, constitui-se um gesto de empoderamento.

A pesquisa parte do pressuposto que as novas tecnologias podem ser veículos para a cidadania feminina e um de seus objetivos é desconstruir estereótipos sexistas para avançar na luta pelos direitos da mulher. Para isso, a pesquisadora relaciona a comunicação ao feminismo. Segundo ela, essas áreas se relacionam muito bem na prática. Novas tecnologias podem ter ferramentas que trazem uma nova visão de mulher.

Reflexos da desigualdade
A violência doméstica acontece independentemente da cor, escolaridade ou classe social, tanto do agressor como da vítima. A violência contra a mulher é uma expressão física e psicológica da desigualdade entre os sexos. No Brasil, uma mulher é espancada a cada 15 segundos.

Dentro das questões feministas, a violência doméstica ocupa grande preocupação. Políticas, leis e instituições mostram como a desigualdade é materializada. A raiz dessa violência está no ensino da pessoa a partir dos estereótipos de “feminino” e “masculino”. O feminismo existe para tentar reverter essa base educacional estereotipada e a comunicação é um instrumento político que pode ajudar a transformar essa realidade. Com base nessa premissa, a pesquisa foi desenvolvida.

As conquistas
De maneira geral, o estudo possibilitou aos envolvidos oportunidades de pensar e repensar conceitos já enraizados na sociedade. “O principal resultado foi a possibilidade de criar diferentes dinâmicas de construções simbólicas nas novas formas de comunicação digitais”, explica Vera. As oficinas permitiram comprovar que as formas de comunicação a distância promoveram uma mudança na mentalidade das participantes e consequentemente o avanço da luta das mulheres pela equidade de gêneros.

A pesquisa aponta para uma possibilidade concreta de multiplicação da comunicação dos temas da agenda feminista no Brasil devido às TIC. Diferentes gerações conseguem entrar em sintonia, proporcionando uma grande pluralização do saber. As TIC proporcionam um relacionamento mais horizontal e de aprendizado mútuo que potencializa a ação comunicativa. Também foi possível estreitar os laços de solidariedade entre as mulheres participantes, aumentando as oportunidades de integração.

Segundo a pesquisadora, houve um avanço considerável no domínio tecnológico. Também houve “aumento da conscientização, por parte de lideranças históricas (e resistentes) do movimento feminista e de mulheres, da necessidade e de incluir TIC na agenda estratégica, ao mesmo tempo em que começam a utilizar as TIC para intervenções políticas e de atuação”, relata.

Uma inovação da pesquisa feita por Vera foi a constatação da importância da inclusão dos homens nos processos de capacitação e luta do movimento feminista. A pesquisadora ainda destaca que o estudo motivou um projeto experimental sobre uma metodologia específica para trabalhar com homens e mulheres a questão da violência doméstica, nas diferentes regiões brasileiras, tanto presencialmente quanto a distância.

A tese de doutorado Comunicação e feminismo: as possibilidades da era digitalfoi orientada por Maria Cristina Castilho Costa. Vera foi convidada a ministrar uma palestra em Washington D.C. (Estados Unidos) a respeito de sua pesquisa.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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