Antoninho Marmo Trevisan*

Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

Por ocasião da Copa das Confederações, que não atraiu torcedores estrangeiros na proporção em que se esperava, é interessante observar os dados que acabam de ser divulgados pelo Ministério do Turismo, com base em estudo da FGV, indicando crescimento de 13,1% no faturamento do setor em 2012, em relação ao ano anterior. A estimativa, em 2013, é de uma expansão de 7,5%. É importante o avanço dessa atividade, uma das mais dinâmicas da economia mundial, mas cuja exploração no Brasil segue muito aquém do potencial.

Sabe-se que o País recebe em torno de cinco milhões de turistas estrangeiros por ano, muito pouco se comparado com estatísticas de outras nações muito menores e menos aquinhoadas em termos de belezas naturais, patrimônio arquitetônico, estâncias climáticas e hidrominerais, praias, montanhas, pluralismo cultural, culinária, locais históricos, biodiversidade e clima. A despeito dessas vantagens competitivas capazes de encantar pessoas de todo o mundo, seguimos com números muito pequenos ante nossas reais possibilidades.

Explicações para isso podem ser encontradas em numerosos problemas que ainda não conseguimos resolver, a começar pelas taxas de criminalidade e violência, cujos episódios são manchetes na mídia internacional, afugentando numerosas pessoas que gostariam de conhecer nosso paraíso tropical. Somam-se a isso as deficiências dos aeroportos e transportes em geral, a falta de padrão de qualidade nos serviços e também os preços. Este último item está claro no relatório da FGV, que constata inflação de 9,6% no setor em 2012, mais alta do que os 5,84% do IPCA.

Poderíamos, portanto, ter uma fatia maior do bolo internacional dessa atividade, que é muito suculento para a economia de qualquer nação, conforme demonstra estudo do Conselho Mundial de Turismo e Viagens (WTTC), recentemente divulgado: um em cada 11 postos de trabalho no mundo está ligado ao setor. Em plena crise na Zona do Euro, crescimento pífio do PIB norte-americano e da maioria dos países, o turismo mantinha, em 2012, 260 milhões de empregos em todo o mundo. Em 2013, o setor deverá ter crescimento global de 3,2%, acima da média de 2,4% estimada para a economia internacional.

Ante tais dados, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 são oportunidades cruciais para darmos um grande impulso no nosso turismo, com medidas eficazes em várias frentes. A primeira delas é efetivar os investimentos na infraestrutura portuária e aeroportuária, de mobilidade e transportes, melhoria da estrutura urbana e combate eficaz à criminalidade. Não basta construir estádios padrão Fifa. Tais ações vinculam-se às políticas governamentais, envolvendo também as parcerias público-privadas. Outras iniciativas, também muito importantes, dependem do setor privado, ou seja, qualidade nos serviços, preços adequados e um esforço grande para agradar os visitantes.

O legado arquitetônico e de infraestrutura dos dois maiores eventos do calendário esportivo mundial, portanto, não será apenas para a melhoria da qualidade da vida e eficiência econômica do Brasil. Deverá ser, também, um fator de atração de turistas. Do mesmo modo, receber bem os milhares de torcedores que virão ao País nos próximos anos será um grande investimento para fomentar um setor capaz de criar milhares de empregos e agregar milhões de dólares ao nosso PIB e balança de pagamentos.

*Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

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