Num dia de domingo, 26 de outubro de 2008, o Jornal A TRIBUNA, da cidade de Santos, publicou uma matéria de grande interesse público, na seção Do Leitor. O texto foi de autoria do dr. George Bitar, renomado ortopedista, radicado em Santos. O conteúdo da matéria continua sendo relevante não só para o município de Santos, como para todo Litoral da Baixada Santista; principalmente para a cidade de São Vicente onde o problema é ainda mais grave.
Naquela ocasião o dr. Bitar fez as seguintes considerações:

“Nos prontos-socorros que atendem trauma o número de entorses de tornozelo, lesões, ligamentos e fraturas, entre outras patologias, aumenta dia-a-dia. Boa parte desses são ocasionados pelos buracos nas calçadas.
Os saltos finos que muitas mulheres usam, até por força do trabalho, entram em pequenas falhas do calçamento e quebram. Mas elas também podem ter ossos quebrados. Claro é que inúmeras outras fraturas podem ocorrer, principalmente em idosos com, osteoporose, que ao cair fraturam punhos, ombros, joelhos e até o colo do fêmur.
Como cidadão e ortopedista, sugiro um mutirão realizado pela fiscalização e guardas-municipais, para mapear toda a cidade, podendo até haver a participação dos alunos das escolas públicas e particulares, pois, praticamente, elas se localizam em toda parte do Município

Como a calçada é de responsabilidade do munícipe e ele também tem seus direitos quando a Sabesp, Comgas etc as quebrarem para execução de serviços e, após, refizeram-nas com péssimos remendos, deve-se exigir a reparação das mesmas.
Isso poderia até ser aprovado pelo poder legislativo. O que não pode acontecer num primeiro momento é multar a todos, pois precisamos conscientizar a comunidade e nada melhor que nossos filhos tenham a participação.
Tenho certeza de que o prefeito e secretário de Obras, que tiveram grande aprovação dos santistas na última eleição,, adotarão providências o mais breve possível.”

Seis anos passados o problema das calçadas permanece ainda mais grave, em todo Litoral. Não somente quanto às calçadas quebradas; mas também às entradas de garagem malfeitas, irregulares, que provocam o desnível das calçadas até por quadras inteiras; o que tornam as caminhadas, que poderiam ser agradáveis, um sacrifício, principalmente para aqueles que têm problemas nas articulações. Aqueles que não tem estão sujeitos a ter por conta do desnivelamento.
Muitos idosos já se acidentaram andando pelas calçadas e continuam se acidentando como foi o caso de Marilda Pandozzi, que reside na Vila Valença, em São Vicente. Recentemente, ela quebrou o ombro direito e o punho esquerdo, numa única queda, que ocorreu numa calçada a duas quadras de sua residência.

Segundo informou a entrevistada, ela tropeçou num degrau, de cerca de uns dez centímetros de altura. Disse ainda que devido o acidente ficou imoblilizada por longo tempo, impossibilitada até de se cuidar sozinha, Por isso precisou recorrer aos serviços de uma cuidadora de idosos, o que lhe foi bastante oneroso. Embora já esteja caminhando sofre dores horríveis e move os membros danificados com muita dificuldade.

São inúmeros os gastos com obras de menor importância ou mesmo supérfluos. Se o poder público quer embelezar as cidades e torná-las mais atraentes devem começar pela construção de calçadas, com a devida estética e durabilidade; áreas verdes e limpeza das ruas, cuja visão em muitos locais é um verdadeiro desastre!

Em tempo:
Além da construção irregular da calçada, a mesma constitui um constante FOCO DE DENGUE, porque bloqueia o fluxo da água.

Os fiscais da dengue alegam que só se responsabilizam pelos focos de dengue dentro das casas. Mas os maiores
focos de dengue estão nas ruas. Cabe às prefeituras darem o exemplo.

Fotos: Estas são fotos entre inúmeras entradas de garagem construídas irregularmente, no bairro considerado nobre, da cidade de São Vicente

Nair Lucia Britto é jornalista e colaboradora da Partes

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