Por Antonio Luiz Rios*

Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD

A última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, há pouco divulgada e cujo ano base é 2013, mostra que as editoras comercializaram no mercado consumidor, principalmente por meio das livrarias, dentre outros canais de venda, 279,66 milhões de exemplares no ano passado. O volume representa aumento de 4,13% em relação aos 268,56 milhões contabilizados em 2012. Aos poucos, nossa população vai lendo mais. Este é um indicador relevante para se viabilizarem as metas do desenvolvimento nacional.

Há, portanto, um avanço apontado pelo estudo, que é realizado anualmente pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), para a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros). No entanto, o índice de leitura per capita poderia crescer de modo mais rápido no País, incorporando-se grande contingente de leitores em cada geração, se esse saudável e educativo hábito fosse mais estimulado de maneira adequada desde a infância.

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) confirma essa tese, também corroborada por especialistas da área do ensino, ao lançar dois novos instrumentos para estimular a leitura nos anos iniciais da vida: um kit de livros para crianças de até três anos e um vídeo pedagógico. O material, inicialmente destinado ao Programa Primeira Infância Completa, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, é um exemplo das possibilidades concretas de propiciar a leitura às crianças.

Nesse sentido, as editoras brasileiras que publicam livros destinados aos leitores infantis, desde os primeiros anos da vida, também prestam um serviço inestimável ao País, pois contribuem para a formação de novas gerações de leitores e para que a cultura e o conhecimento cumpram crescente missão como fatores de fomento socioeconômico. A importância do contato com a leitura antes dos três anos e em todas as fases do crescimento evidencia-se em estudos e pesquisas sobre linguagem e desenvolvimento. Em especial nos primeiros três anos da vida, a interação das crianças com os livros é fundamental para a construção de atitudes reflexivas, da subjetividade e da sensibilidade.

A Unesco enfatiza esses conceitos. Acrescenta-se que, nessa primeira etapa da vida, é interessante exercitar o vocabulário e a sintaxe, que exercem um papel significativo no desempenho escolar e como fatores de melhoria das habilidades de leitura nas séries subsequentes da Educação Infantil. “O incentivo à leitura na primeira infância constitui-se em uma estratégia necessária para a aquisição de comportamentos de leitores, tanto em crianças quanto em seus familiares”, observa, com muita pertinência, o texto da Unesco sobre o novo kit lançado em nosso país.

Tais reflexões são oportunas neste momento em que se realizou a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 22 e 31 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Um dos maiores eventos mundiais do gênero, foi interessante oportunidade para as famílias apresentarem todo um universo de livros às suas crianças.

O Nobel da Literatura em 2006, o escritor turco Orham Pamuk, disse que “certos livros dão a chave para transformar o mundo”. E o nosso grande poeta Mario Quintana emenda: “Os livros mudam as pessoas”. E mudam para melhor, convertendo crianças em jovens e adultos leitores e estes em indivíduos mais preparados para a vida, o exercício profissional e a construção coletiva de uma sociedade mais avançada, pluralista e equilibrada.

*Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD

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