vicio

Por Adilson Luiz Gonçalves

 

Você, que tem algum vício – mesmo que não o reconheça como tal e diga que é um “prazer” ou que pode largá-lo quando quiser -, responda: Quando e como entrou nessa?

Considerando os casos que conheço – alguns de desfecho trágico -, a maioria começou na adolescência, quando o organismo está em fase de transformação e ficamos particularmente sensíveis e vulneráveis, pois a transição é física, química e psicológica!

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, Engenheiro e Professor Universitário (UNISANTA);  Membro da Academia Santista de Letras.

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, Engenheiro e Professor Universitário (UNISANTA);
Membro da Academia Santista de Letras.

O jovem busca sua identidade e “independência”. Quer ter sua opinião, mesmo que seja a de terceiros; se apega a ídolos; e, no convívio com outros jovens ou sob influência de adultos tende a questionar os valores de sua formação. Quer mudar o mundo!

Isso faz parte da consolidação do caráter, para o bem ou para o mal; e cabe ao jovem, com apoio e compreensão familiar, superar as pressões que ocorrem nesse período, que incluem assédio moral, com segundas e terceiras intenções.

É nessa fase que, para ser “popular”, ingressar numa “tribo”, não sofrer “bullying”, em suma, ser “aceito” no meio social em que vive, o jovem “baixa a guarda”. Também é nesse tempo que a comparação de experiências e as paixões o deixam “balançado”, rebelde e facilmente aliciável por “cantos de sereia”, potencial massa de manobra do oportunismo político ou religioso, modismos e vícios, principalmente álcool e fumo.

“Você não é homem?”; “Faz beijar melhor!”; “Faz parecer adulto!”. Todos já devem ter ouvido algum desses “argumentos”, não?

Antes permitida, a publicidade de cigarros associava o vício a aventura, sofisticação, liberdade, beleza e poder. Porém, quase todos começaram a fumar porque um “amigo” ou parente lhe ofereceu, na adolescência: propaganda “boca a boca”.

A publicidade do álcool, ainda permitida, evoca conteúdo basicamente sexual, associando a bebida a prazer e alegria. Mas, mesmo sem ela, os “esquentas” estão por aí, dando “coragem” para “pegar” alguém nas baladas da vida.

O Ministério da Saúde adverte para fazer isso ou aquilo “com moderação”. No entanto, depois que vira vício é só despesa e, principalmente, tristeza que se multiplica!

De fato, é uma questão de saúde! Porém, a razão perde espaço para o modismo, como foi o caso do uso do “narguilé” que, segundo especialistas, é 100 vezes pior do que o cigarro. Ficou comum ver jovens desfilando com aquela tranqueira pelas ruas.

Esses pretensos “ritos de passagem” estão presentes no processo de amadurecimento. E são muitas as tentações. Mas não é preciso provar para saber o mal que fazem! A verdadeira coragem está em não ser mais um a se deixar levar pelas aparências.

Basta pensar um pouco para notar que é sempre um “amigo” quem faz a iniciação ao vício. E alega que é “natural”, “medicinal”, “abre a mente”, “liberta”; e que coisas consideradas legais são muito piores. Constrange. Ironiza. Aí, por curiosidade ou para não ser “zoado”, o cara experimenta… Dá um “tapinha” e fica “legal”.

Na vez seguinte, o “amigo” vai oferecer novamente, preferencialmente com o cara “mamado”. Mais adiante, ele não precisa mais oferecer: o cara pede! Em seguida, quer comprar e nem nota que o “amigo” também vende o “bagulho” e outros “baratos”. Porém, nessa “viagem”, o “sem noção” já não percebe mais nada. Só quer mais!

Isso acontece em escolas, universidades, clubes e até nos lugares menos prováveis.

Pois é… O vício precisa de companhia, mas não é solidário! E quem oferece os muitos ópios que existem por aí, ou querem compartilhar suas fraquezas, ou novos clientes.

Entrar é fácil! Vários “amigos sangue bom”, cheios de “papo reto” e discurso “engajado”, estão aí para ajudar!

O problema é sair do fundo do poço… E, com certeza, esse “amigo” não estará por perto para ajudar! Quem sabe apareça para vender um “tapinha medicinal da hora”, cobrar a “conta” ou orar: “do pó viestes e ao pó voltarás”…

 

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro e Professor Universitário (UNISANTA)

Membro da Academia Santista de Letras

+55 13 997723538

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