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HERÁCLITO DE ÉFESO: UMA ANÁLISE SOBRE O HOMEM

 

 

ANTERO, Kátia Farias – UNIDERC/FURNE/FACNORTE

Kátia Farias Antero Pedagoga, graduada em Língua Portuguesa, Supervisora e  Coordenadora Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II Palestrante da área educacional Especialista Em Supervisão E Orientação Educacional,  Psicopedagogia, Psicanálise da Educação e Saúde Mestre Em Psicanálise Da Educação  Mestranda em Ciências da Educação e Multidisciplinaridade - FACNORTE

Kátia Farias Antero
Pedagoga, graduada em Língua Portuguesa, Supervisora e Coordenadora Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II
Palestrante da área educacional
Especialista Em Supervisão E Orientação Educacional, Psicopedagogia, Psicanálise da Educação e Saúde
Mestre Em Psicanálise Da Educação
Mestranda em Ciências da Educação e Multidisciplinaridade – FACNORTE

RESUMO:  Atualmente, ouvimos com bastante frequência as pessoas diagnosticaram que alguém está com depressão. Isso de acordo com o senso comum. Apesar da ausência do conhecimento teórico e analítico, é bastante comum que as pessoas diagnostiquem esse problema e apontem um ou outro ser como sujeito depressivo. Alguns questionamentos têm inquietado os que se interessam em saber mais sobre essa área: porque se fala tanto em depressão  hoje? Até que pontos o que as pessoas afirmam é verdade? Quais são as reais características que possam indicar que uma pessoa tem depressão? Se observarmos o meio no qual o ser humano está inserido nesses últimos dez anos, verificaremos a acelerada circulação de informações que envolve a sociedade e a forma como cada indivíduo deve se adequar, se inserir nesse contexto. Essa situação propicia que muitas pessoas possam desenvolver esse problema de ordem neurológica interferindo em sua rotina. Nessa pesquisa, teremos o foco voltado para a realização da analogia da frase: “no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos” (40ª Heráclito), fazendo ligação a um dos estados depressivos. Utilizaremos como recursos metodológicos, diversas leituras teóricas que fundamentem essa pesquisa nos norteamos nas contribuições de Freud, Lacan, Eizirik (2005),  entre outros. Os estudos, até agora realizados, nos revela que a depressão é algo tão comum como qualquer outro sentimento e ações que possam se desenvolvem no cotidiano.

Palavras-chaves: Depressão, movimento, Freud/ Lacan

INTRODUÇÃO

 

Seria pertinente perguntarmo-nos que tipo de seres somos nós. Realizando essa indagação a pessoas leigas no viés da psicanálise, muitos responderão que somos seres religiosos, seres psíquicos, seres sociais e até mesmo seres políticos. Porém, nós somos seres orgânicos, ou seja, somos um conjunto de todos esses seres.

Interagimos com o meio e por isso nos transformamos, dessa forma, não somos seres cartesianos, pois não há uma verdade absoluta, não somos eu pronto que produz uma única verdade a respeito das coisas. No decorrer do tempo, estamos em constante mutação, por isso somos seres inacabados.

Cada pessoa tem a sua própria vida e as nossas transformações e adaptações acontecem mediante os acontecimentos que nela ocorre. Assim, não existe nenhum indivíduo igual ao outro porque estamos construindo novas idéias a cada instante, criando novos pensamentos.

Mesmo sabendo que cada indivíduo possui seu próprio eu, é cabível saber que a sociedade influencia em nossa formação como cidadão de forma formal. Vejamos a citação de Paviani (1993) que reforça essa ideia:

… nosso querer desde que nascemos vem sendo educado por idéias e comportamentos que ultrapassam nossa consciência das coisas. Sob a educação formal que nos é transmitida existe uma educação invisível cuja força nem sempre é levada em conta em nossos estudos… (Paviani, p.11, 1993)

Assim, muitas vezes nem nos damos conta do quanto a sociedade influencia em nosso eu e que isso acontece o tempo todo. Como vivemos em sociedade durante toda uma vida e estamos em permanente construção junto a ela, é conveniente afirmar que o final de nossa transformação se dará ao chegar a morte.

Diante de uma realidade onde é comum que as pessoas se precipitem e analisem as outras como depressivas, pretendemos nessa pesquisa, contribuirmos para uma reflexão sobre o ser humano e suas transformações na sociedade, bem como, reconhecer que a depressão é o indivíduo não encontrar-se consigo mesmo.

2. O QUE É A DEPRESSÃO? 

É notável que nas últimas décadas, a depressão é destacada no meio psiquiátrico. Infelizmente, a mídia apresenta o tema como uma doença de assunto médico. É o psiquiatra quem detecta o problema, detém seu saber e sua solução.

É uma “doença” como outra qualquer que exige um tratamento, porém ela não é tratada com medicamentos convencionais como outras doenças. Ela faz parte de um todo, uma vez que compromete o corpo, humor e pensamento do  indivíduo; e não pode ser vista apenas por uma causa psíquica e sim, como uma doença psicossomática. Ela é somatizada no corpo, quer dizer, os problemas emocionais, psicológicos, afetivos, espirituais, passam para o corpo. Há uma somatização.

Há pessoas que definem a depressão como loucura, falta de força de vontade, preguiça, problema de caráter e ainda, manipulação de outras pessoas. Exige-se um tratamento adequado. Ninguém se deprime porque quer.

Existem vários tipos de depressão, porém não vamos deter os nossos estudos em conhecer cada uma delas, mas façamos neste um apanhado geral do que seria a depressão em si. Ainda não podemos afirmar um porquê permanente para explicar o surgimento da depressão.

Não existem dados contundentes que provem que a depressão é hereditária, mesmo assim  essa é a principal hipótese etiológica que se procura sustentar e difundir. Segundo, Guz (1990), existem “fortes indícios de que fatores genéticos sejam os responsáveis primordiais pelas doenças depressivas em geral” (p. 27), no entanto, diante da inexistência de provas, acaba por concluir que “até o momento não existe nada seguramente estabelecido sobre o assunto” (p. 73).

Para compreendermos sobre esse estado é preciso entender o id, o ego e o superego. Essa é uma Teoria defendida por Sigmund Freud, um dos pais da psicanálise. Vejamos:

  • Id: É o nosso inconsciente. Formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e, regido pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. É a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido. O id a princípio responde as necessidades do indivíduo ao nascer, ou seja, ao nascer o indivíduo está voltado para as suas necessidades básicas.
  • Ego: É regido pelo princípio da realidade. é o centro da consciência, é a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. Obedece ao princípio da realidade, ou seja, à necessidade de encontrar objetos que possam satisfazer ao id sem transgredir as exigências do superego.
  • Superego: É o nosso pré-consciente. É uma parte do consciente, mas que julga. é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do “eu ideal”, isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

Na obra freudiana, percebemos que não existe uma teoria já estabelecida sobre o tema tal como ocorre com conceitos como o inconsciente, a transferência, a histeria, etc. – inclusive por que o conceito de depressão, tal como concebido atualmente, não existia há cem anos atrás  –, mas importantes indicadores que permitem extrair conclusões sobre o tema.

Na obra lacaniana, são raras as passagens em que o autor se refere ao tema utilizando o termo em sua acepção habitual. Porém, vários de seus comentadores que trataram particularmente desta questão, consideram um marco para se pensar a “depressão” aquilo que chamou de “dor de existir,” termo que extraiu do Budismo para inseri-lo em um novo contexto discursivo.

Diante das informações supracitadas, podemos afirmar que a depressão é não encontrar-se consigo mesmo. Nem todas as pessoas que tem depressão apresentam quadro de tristeza. Para diagnosticá-la leva-se tempo. É preciso analisar cada caso, pois os sintomas da depressão variam de pessoa para pessoa.

2.1 SINTOMAS 

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e para identificá-la, o paciente precisa apresentar pelo menos 3 sintomas  depressivos. Dentre os quais podemos citar: perda de interesse, humor deprimido, dificuldade de concentração, alterações do apetite e do sono, lentificação das atividades físicas e mentais, sentimento de pesar ou fracasso, pessimismo, dificuldades de tomar decisões, irritabilidade, inquietação, sentimento de pena de si mesmo, queixas frequentes, chora à toa ou tem dificuldade em chorar, dentre outros.

Esses sintomas podem surgir devido a questões constitucionais da pessoa, com fatores genéticos e neuroquímicos somados a fatores ambientais, sociais e psicológicos, como: estresse, estilo de vida, acontecimentos vitais, tais como crises e separações conjugais, morte na família, climatério, crise da mais-idade, dentre outros.

Segundo CERQUEIRA (2003), essa doença está se tornando uma das principais causas de incapacidade no mundo, mostrando um grande crescimento nos próximos anos. De acordo com MORENO &SOARES (2002), a depressão pode ser considerada leve, moderada ou grave.Na depressão leve, o indivíduo se incomoda com os sintomas que apresenta, no entanto, geralmente continua trabalhando e  mantendo suas atividades. Na depressão moderada, há um comprometimento nas esferas social, familiar e profissional, e frequentamente, o indivíduo apresenta dificuldades em manter o mesmo padrão de atividades. Na depressão grave, os sintomas são intensos, impossibilitando a permanência das atividades, ou até mesmo a redução.  Como neste caso, há uma preocupação maior devido a gravidade desse tipo de depressão, em casos, é preciso a internação do analisado devido o alto risco de suicídio.

2.2 OS ESTADOS DEPRESSIVOS 

São muitas as causas que podem levar o ser humano a depressão. Cada um de nós somos diferentes e temos uma história e experiências próprias, a depressão é causada de diversas formas que será diferente de pessoa para pessoa.

Há fatores que poderíamos nomear de traumáticos que podem desencadear uma depressão e há causas ligadas a própria realidade, não é um fator traumático. Dentre os estados depressivos citamos alguns:

  • Causas endógenas: a depressão endógena é um segundo tipo de depressão mais sério. Este tipo de depressão é uma doença biológica e orgânica, assim como diabetes, osteoporoses e artrites. A depressão endógena é geralmente o produto de um desequilíbrio neuroquímico no cérebro. Muitos fatores genéticos são responsáveis por esta condição complexa, inclusive o gene 5-HTT. A depressão endógena é hereditária; a causa genética da depressão pode ser passada de pais para filhos. Os efeitos destes genes podem ser desencadeados por fatores sociais, psicológicos, e também por fatores de desenvolvimento.
  • Depressão anaclítica: é uma depressão infantil precoce que representa um severo prejuízo no desenvolvimento físico e psíquico das crianças vítimas de abandono e/ou negligência. Esse tipo de depressão infantil e precoce foi descrita pela primeira vez por Spitz, que a via como um quadro de perda gradual de interesse pelo meio, perda ponderal (de peso), comportamentos estereotipados (tais como balanceios) e, eventualmente, até a morte. Resulta de um primitivo “vazio de mãe”. É um dos mais graves casos da depressão, pois pode levar o deprimido ao suicídio. Como nos afirma ZIMERMAN (1999), “ há falta de motivação para continuar a viver – e até para lamentar-se – , daí, a gravidade quanto a um possível risco de suicídio”.
  • Identificação do ego com o objeto perdido: corresponde ao clássico aforismo de Freud – “a sombra do objeto recai sobre o ego” -, com um luto mal-elaborado desse objeto, de maneira que propicia a instalação de quadros “melancólicos”.o objeto perdido e o ego passam a ser destino do outro.
  • Depressão por perdas: tanto de objetos importantes – especialmente quando foram perdas prematuras, traumáticas e significativas – como também de partes do ego, tal como acontece nas “depressões involutivas”, quando o sujeito que está entrando em idade mais avançada sente estar perdendo o vigor físico, a concentração, a memória, etc. o indivíduo projeta seus aspectos positivos em outras pessoas por ele idealizadas, enquanto o seu próprio ego vai se esvaziando e se empobrecendo.
  • Depressão por culpas: Analisando a depressão, dentro de uma abordagem holística e transpessoal, vemos que uma das suas maiores causas é o sentimento de culpa. A pessoa deprimida quase sempre é atormentada por um complexo de culpa muito grande. Neste caso, a depressão é determinada pela ação punitiva de um superego tirânico, aquilo que também chamamos de uma autocrítica punitiva. 
  • Depressão decorrente de fracasso narcisista: decepção sofrida tanto pelo seu ego ideal como do ideal do ego. Os pacientes devem reconhecer que não são o que pensavam que eram, ou o que gostariam de vir-a-ser, e que não o são e que nunca virão a sê-lo. Muito freqüente; estado decorrente de algum tipo de fracasso que o sujeito fortemente fixado naquilo que chamamos de “posição narcisista”, sofre diante de enormes demandas de obtenção de êxitos sucessivos, como dinheiro, poder, prestígio.
  • Indicações patológicas: em especial aquelas que, particularmente,  propõe-se a denominação de “identificação com a vítima”. A criança se modela no adulto desde cedo e se identifica a partir das depreciativas auto-representações do seu ego; “ a identificação com o objeto deprimido”, “ identificação com o objeto desvalorizado” e “ identificação com a vítima”.
  • Ruptura com os papéis designados: depressão provém da ação de um “ego ideal” – que obriga o sujeito a corresponder os inalcançáveis ideais que o seu narcisismo original exige – bem como de um “ideal de Ego”, que resulta das expectativas grandiosas que os pais e o ambiente circundante depositaram no sujeito, desde bebezinho, atribuindo-lhe papéis que ele deverá executar pelo resto da vida, caso contrário, despertam nele uma sensação de traição, vergonha e humilhação.
  • Pseudodepressões: como no tipo de pessoa que atravessa uma vida inteira aparentando desvalia e pobreza que não correspondem a sua realidade. Comporta-se desta maneira por motivos como: medo de atrair a inveja retaliadora; medo de provocar tristeza naqueles que o invejarem; medo de se tornar a partir do olhar do outro uma fonte inesgotável de provimento e satisfação de necessidades; uma forma de parecer ser um sofredor, que para ele representaria um merecimento do amor do outro.

 

3.0 A PSICOTERAPIA NAS CONCEPÇÕES DE FREUD 

Há uma crescente prevalência dos transtornos depressivos nas últimas décadas e os campos das neurociências e da psicofarmacologia tem progredido notoriamente para o avanço do tratamento. Porém, é  mais destacada o ramo da farmacologia por se tratar de mercado.Isso acaba desvalorizando o papel da psicanálise e sendo vista como técnica ultrapassada.

As abordagens de orientação analítica fortalecem as capacidades adaptativas do paciente, melhorando sua autoestima, modificando o superego, fortalecendo e expandindo o ego e alterando as relações internas de objeto (EIZIRIK; AGUIAR ROGÉRIO; SHESTATSKY,2005).

Dentre as psicoterapias de orientação analítica, temos: Psicoterapia psicodinâmica breve – refere-se tanto a duração de tratamento como ao direcionamento a objetivos terapêuticos definidos; Psicoterapia psicodinâmica suportiva breve – é entendido como teoria sobre relações humanas, tanto externas como internas; Psicoterapia interpessoal – envolve elementos tanto da psicanálise tradicional quanto de revisões posteriores, que enfatizaram a importância do aspecto relacional no campo terapêutico; Psicoterapia psicodinâmica de longo prazo – o terapeuta mantém um foco contínuo no entendimento da sintomatologia depressiva e da sua eventual  ligação com as dinâmicas expostas.

A depressão maior é particularmente prevalente entre pacientes com distúrbios de ansiedade, distúrbios alimentares, abuso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Cada uma das inter-relações citadas no decorrer dessa pesquisa tem importantes implicações para o tratamento dos pacientes depressivos.

4.0 CONHECENDO HERÁCLITO DE ÉFESO

Nascido em Éfeso, na região da Jônia, Heráclito ficou conhecido como “pai da dialética”, pois abordava as mutações. O filósofo era chamado de Obscuro, por não aceitar a vida em sociedade, desconsiderar a arte; passando a viver sozinho, isoladamente, nas montanhas.

 Trabalhava a singularidade do homem tendo em vista a diversidade e mutação dos objetos efêmeros, comprovando a realidade do ‘Logos’. Para o pensador, tudo se move, nada se fixa na imutabilidade. A frase de sua autoria que se tornou conhecida foi “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio”. Como para ele, a realidade é fruto da  mudança, esse processo era vista como um princípio, pois existe um fluxo constante de mutação.

Embora tudo pareça obscuro em Heráclito, ele foi com certeza um filósofo notável e acalentou em seu intelecto incomum, profundas reflexões. Ele mergulhou na compreensão da essência do ser e de tudo que existe, e possivelmente foi um homem além de seu tempo. Talvez por isso se sentisse tão deslocado entre seus contemporâneos.

5.0 ANÁLISES METODOLÓGICAS 

A partir da solicitação da professora Ocilaine Silva de Moura, ministrante da disciplina: Depressão, referente ao curso do Mestrado em Psicanálise da Educação, realizamos uma abordagem investigativa sobre a frase: “no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos” (40ª Heráclito), ligando-a a um desses estados depressivos: Causas endógenas, Depressão anaclítica, Identificação do ego com o objeto perdido, Depressão por perdas, Depressão por culpas, Depressão decorrente de fracasso narcisista, Indicações patológicas, Ruptura com os papéis designados, Pseudodepressões.

De todos esses estados depressivos, associamos a frase de Heráclito à Depressão decorrente de fracasso narcisista, por sabermos que esse tipo de depressão é decorrente do indivíduo que tem um senso exagerado de auto-importância e achar que sempre deve ser o centro das atenções idealizando uma representação de papel que se deve estar continuamente no topo dos montes.

Quando Heráclito pensou nessa frase “no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos”, foi na intenção de que se haja uma reflexão acerca de que o homem está em constante movimento. A sociedade e tudo que a cerca muda e esse ciclo é constante por saber que os dias se repetem, passamos por eles e por situações até que pareçam ser iguais, mas que jamais serão as mesmas.

As colocações não serão as mesmas porque o ser humano muda todos os dias e por isso, jamais se vivenciará os momentos exatamente iguais, mesmo que dantes já ocorridos, porque nos posicionamos e reagimos de diversas maneiras diferentes no cotidiano. Nem as pessoas e nem as situações são as  mesmas ao  mesmo tempo em momentos distintos.

Sabe-se que quando alguém luta por seus ideais e os alcança, de certa forma, fica guardado em si um certo orgulho por êxito pessoal. Uma satisfação narcísica. O ser humano que carece de elogios constantes sobre si ou sobre o que faz precisa ter a consciência de que não conseguimos o mesmo nível de idealização todos os dias e em todos os fatos que ocorrem na vida. Mas a pessoa vítima desse tipo de transtorno, sente o “direito” de estar no centro das atenções e para alcançar seu objetivo, despreza os sentimentos e direitos das outras pessoas.

O ser jamais entra no rio. O que entra nele é o corpo físico. Quando se sai das águas, o que se mantém é a individualidade, a consciência do existir. Por isso, quando o depressivo percebe que nem todas as pessoas o vêem da mesma forma ou admira-o em particular, acaba se frustrado e se sente um incapacitado. Essa possível “incapacidade” o conduz a um comportamento de sentimento negativo porque ele não tem a consciência de que estamos em formação durante todo o tempo e não somos uma constante.

O passado fica apenas na memória porque ele já se foi, já passou. E quanto ao futuro, ainda não chegou. O tempo nada mais é do que uma criação da mente humana. Portanto, quando medimos o tempo, na verdade estamos medindo memórias do passado e expectativas do futuro. O “agora” se compõe de memória do que foi e expectativa do que será.

Para alcançar seus objetivos, o indivíduo se porta como se já tivesse alcançado o seu chegar lá, mas ele ainda está em processo dessa busca de ser. Porém, ao chegar “lá” o ser humano ainda acha insuficiente e continua na busca incessante de mergulhar nas suas idealizações. Nesse ponto de vista, a pessoa espera que os outros a admirem, porém cada ser tem um ponto de vista diferente e nem sempre a forma como agimos é vista com louvor por todos. Ficando, então, o sujeito achando que o que faz sempre é insuficiente e pode iniciar um processo de depressão por ver que suas ações e alcances não são aprovados com sucesso por todos.

Como Heráclito afirma que tudo se move e que também acompanhamos essa mudança, temos que ter a sensatez de que independentemente de berço, idade, formação, fortuna, posição social ou hierárquica corporativa, experimentamos, diária e continuamente, mudanças em nossa vida e carreira – em vários âmbitos sejam elas no trabalho, casamento, com o nascimento de um filho, perda de peso, forçada ou programada, aquisição de casa, promoção a uma posição ambicionada, o retorno aos estudos, mudança de um superior no trabalho, mudança de empresa ou de carreira, perda do emprego, entre tantas outras formas de transição.

A depressão decorrente de fracasso narcisista acaba afetando áreas da personalidade e a forma como o indivíduo vê o mundo; a maneira como ele expressa suas emoções e o seu comportamento para com as pessoas do meio social, porque o depressivo não consegue perceber-se como passivo de mudança e nem aceitar críticas como parte da realidade e acaba de guardando em um mundo de ilusões. Dessa forma, o depressivo acaba afetando a si próprio e também aos que com ele convivem. E as vivências de satisfação e de perda passam a compor o ego como organização.

6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Mediante a análise desse trabalho, podemos concluir que o indivíduo deve estar preparado a aceitar as formas de visão que as outras pessoas têm sobre cada um de nós ou sobre o que falamos ou fazemos, pois cada ser é um ser diferente.

A vida nos coloca à frente de problemas todos os dias e cabe a todos nós sabermos superá-los, gerenciando-os e solucionando-os com inteligência e sabedoria. O nosso sucesso depende da forma como solucionamos os problemas e como os abordamos e ainda, como enfrentamos as diversas transições que são assoberbadas ao longo da nossa vida.

Estamos expostos a enfrentarmos várias mudanças no mundo, sejam elas no relacionamento, rotina, carreira, dentre outros e que nós mesmos mudamos involuntariamente porque as ocorrências que nos são expostas nos fazem enfrentá-las de formas diferentes. Portanto, uma pessoa que só enxerga a si como centro sem reconhecer que somos mutáveis, mostra-se incapaz de olhar o futuro com ousadia e destemor quando são contrariadas e os elogios não fluem como gostaria que os fossem.

Não se pode perder tempo lamentando pelo que não foi alcançado, mas que o “não ter alcançado o esperado” seja apenas um impulso para alcançar novos vôos e alçar outros caminhos com outras estratégias. Se as situações mudam, nós também mudamos. Não somos submissos às circunstâncias, mas nos modificamos junto com elas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

CERQUEIRA, A. T. A. R. Deteriorização cognitiva e depressão. In: LEBRÃO, M. L. SABE: saúde, bem-estar e envelhecimento – o projeto sabe no município de São Paulo: uma abordagem inicial. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2003.

EIZIRIK, C. L; AGUIAR, R. W.; SHESTATSKY, S. S. Psicoterapia de orientação analítica: fundamentos teóricos e clínicos. 2ª Edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. 795p.

FREUD, S. (1981). Inibição, Sintomas e Ansiedade. No Works (4 ª ed., Vol. 3). Madrid, Espanha: Nova Biblioteca. (Originalmente publicado in 1925)

 

GUZ, I. Depressão: O que é, como se diagnostica e trata. São Paulo: Roca, 1990.

LACAN, J. (1998). A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In Escritos. Rio de Janeiro: Zahar. (Originalmente publicado em 1957)

MAROT, R. Depressão – Transtornos relacionados apor semelhança ou classificação. http://www.psicosite.com.br/tra/hum/depressao.htm#comoe. Acesso em 24 de outubro de 2014.

MORENO, R. A.; SOARES, M. B. M. Depressão. In: Manual de condutas médicas: instituto para o desenvolvimento da saúde.Universidade de São Paulo: Ministério da Saúde – Brasília, 2002

 

PAVIANI, J. O lugar da filosofia da educação. São Paulo: EPU, 1993.

 ZIMERMAN, D. E. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 1999. 478p.

 

 

 

 

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