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Por Henrique Mol

 

A história econômica no Brasil é marcada por mudanças e reviravoltas. Anteriormente era demarcada pelo primário desenvolvimento, conduzido pelo agronegócio, a exemplo do que ocorreu nos anos 1960. Hoje podemos estar diante de um novo ciclo: o turismo será a nova fronteira de desenvolvimento do país. No entanto, para que isso seja realidade, alguns gargalos precisam ser sanados, principalmente no que tange à infraestrutura interna e à promoção da marca Brasil.

 

A Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016 dão sinais que o Brasil tem, sim, a capacidade de protagonizar um crescimento dinâmico e acelerado, que integre as regiões. Este foi um ano de grandes acontecimentos, com a Copa do Mundo e a corrida presidencial. Na esteira desse processo, uma história que não admite retrocesso e se desenrola num atropelo de trajetórias que serão essenciais ao futuro do nosso país.

Durante a Copa, medidas como a facilitação dos vistos, o aumento de novos voos internacionais para o Brasil e a melhora nos aeroportos foram pontos importantes para atrair os turistas, e permanecem como legado do turismo para os próximos anos. O Brasil já figura em sexto lugar entre as economias do turismo no mundo, ao lado das grandes potências mundiais, como EUA e China. O impacto do turismo na economia do País deverá alcançar 9,5% do PIB (cerca de R$ 466,6 bilhões) neste ano, um acréscimo de 5,2% em relação aos números de 2013 – percentual bem superior à média mundial, que será de 2,5%.

 

A corrida dos presidenciáveis também trouxe marcas da importância do turismo para o crescimento da economia interna. Eymael, então candidato à presidência, embora de pouca representatividade no embate, assinalou um novo discurso. O candidato declarou acreditar fundamentalmente no turismo como maior gerador de empregos e como maior instrumento de desenvolvimento econômico.

 

A esse respeito, destacou uma série de medidas que alavancariam o setor, como um sistema tributário adequado, um sistema de metas, a propaganda no exterior da costa brasileira e outros cenários de turismo no nosso País, além de medidas voltadas a sanar as deficiências que temos em termos de infraestrutura em hidrovias, portos, aeroportos e na área de energia.

 

A essas medidas, acrescento algumas de teor mais técnico, como a diminuição do preço do querosene, 20% acima do resto do mundo, que, conforme aponta o presidente da Abear – Associação Barsileira das Empresas Aereas, Eduardo Sanovicz, impacta a capacidade de rentabilidade do setor aéreo e a competitividade frente ao mercado internacional.

 

Além disso, é preciso valorizar a marca Brasil, divulgando os destinos turísticos mais periféricos, a fim de promover um desenvolvimento integrado das regiões que não ecoe o que se deu outrora com a separação entre “este e aquele” Brasil, entre Nordeste e Sudeste. Isso se dará pela inserção de outros setores da economia no turismo, como as produções artesanais locais, as danças e comidas regionais e o ecoturismo.

Acredito que essa seja a via para um desenvolvimento mais democrático, dada a capacidade de ramificação da cadeia produtiva do setor de turismo, que incluem geração de empregos diretos e indiretos, investimentos com a construção de novos empreendimentos, saneamento, transporte, agências de viagens, companhias aéreas e muitos outros. O turismo tem o poder e a missão de integrar e desenvolver o Brasil.

Henrique Mol é especialista em turismo e sócio-fundador da Encontre Sua Viagem, franquia de turismo.

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