Ressignificando o espaço escolar: uma luta pelo coletivo

RESSIGNIFICANDO O ESPAÇO ESCOLAR: uma luta pelo coletivo

 

Clarice Costa da Silva *

Publicado em 24/01/2015

 

Clarice Costa da Silva Professora graduada em Pedagogia (Unifap) e Comunicação Social (Seama); especialista em Ciências da Educação (Faculdade Atual)e Mídias na Educação (Unifap). Atualmente exercendo suas funções n Laboratório de Informática-Lied. Email: claric.costa@hotmail.com

Resumo: Refletir sobre o significado do espaço educacional é olhar para a sociedade e reconhecer um lugar de vivências múltiplas. A escola é um dos ambientes que nos permite encontrar as diferenças. As transformações socioculturais se fazem presente em todos os lugares, portanto, deve oportunizar uma visão, além de quatro paredes da sala de aula, de um currículo restrito ao conhecimento, para possibilitar um novo significado entre eu e o outro que também faz parte da sociedade. É uma relação de igualdade e diferença ao mesmo tempo.

Palavra Chave: Mudança, Diversidade Cultural, Escola, Currículo.

Abstract: Reflecting bont another meaming to the educaton space is to look the society and recogrize a place of mulple kuid tolive. The scool is of the environment the permil us to meet the differences. Thenculture modifications ane presents in every places,trere fore, should grive chance to a vision, beyond four walls the classroom, of a restrict group of knowtedge,to enable a new meaning among l and thenother that is of the society other that is of the society other that is of the society too. A relation of equality too. A relacion of equality and difference al the same time.

Introdução

         Na era contemporânea se pensa, fala, questiona na falta de inclusão dos termos essenciais ao processo de mudança e transformação educacional. Transformação esta que depende do contexto cultural, da maneira como é abordado o currículo para a prática escolar, possibilitando fatores decisivos para promover a mudança significativa na educação.

         A escola é um lugar eminentemente de diferença da diversidade e também de encontros, embates, conflitos e possibilidades. Assim, não é possível realizar as ações educativas de forma unificada, igual as diferenças são insofismáveis, e é preciso rever e analisar a forma que se trabalha o currículo para repensar as práticas escolares.

         É necessário saber se o currículo é para uma minoria, em que aponta apenas alguns aspectos, ou se é um currículo social, a ser trabalhado as relações culturais e, que tem a educação como meio de agregar as diversas ares que estão impregnados na sociedade e na vida de quem faz parte da escola. Há muitas experiências a serem vivenciadas no espaço da realidade escolar, as quais poderão oportunizar momentos de riqueza e conhecimento para cada cidadão. Quando esses momentos acontecem, poder-se-á, então ratificar, que ela é um espaço do múltiplo, e não do individual como em diversos momentos o presenciamos no contexto das instituições escolares.

Desenvolvimento

         Os Parâmetros Curriculares nacionais – PCN, são propostas detalhadas de conteúdos que incluem conhecimentos, procedimentos, valores e atitudes no interior de disciplinas, áreas e matérias articuladas em temas transversais com a finalidade de oportunizar os espaços de inclusão para tais conteúdos no âmbito do currículo. Infelizmente a prática na área da transversalidade ainda é usada de forma improvável, deixando uma lacuna para a inclusão da cultura que tanto está entrelaçada para o desenvolvimento do educando e de todos os envolvidos no espaço escolar.

         Sabe-se que os PCNs são apenas uma das propostas dentre outras dentre outras possíveis. As escolas têm espaço para produzir novos sentidos para a política, infelizmente, em alguns momentos elas apenas reproduzem, deixando desta forma que a valorização do currículo seja um espaço de pluralidade de saberes e valores. Na obra de Pierre Bourdieu (1979) ele nos remete a novos desafios mostrando ser necessário inventar não somente ideias, mas novas formas de intervenção e de ação. Acredita-se que estas são ações que impossibilitam as escolas não trabalharem novos valores e significados para o espaço educacional.

…o currículo é considerado um artefato social e cultural. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. O currículo está implicado nas relações de poder…o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas, o currículo produz identidades individuais e sociais particulares (MOREIRA e SILVA, 2OOO, p.8)

Este deve ser o objetivo central de se ter nos meios educacionais um currículo voltado para possibilitar a integração de vivências. Trabalhar a educação é muito mais amplo em pensar em transmitir conteúdos. É ter um olhar de totalidade para perceber importância e necessidade de incluir todos os aspectos que envolvem o ser cidadão. Somente com as relações entrelaçadas de compromisso e inclusão será possível um resultado significativo no processo ensino aprendizagem.

Acredita-se na possibilidade da diversidade cultural ser tratada como um tema ou conteúdo a ser incluído no currículo, sendo urgente saber que é um componente humano, faz parte de nossa formação, porque somos seres sociais, históricos e culturais, assim, pode-se aferir que somos sujeitos diferentes, necessitando sempre de busca de inovações que oportunize a mudança.Desta forma, Paulo Freire diz que, “a cultura não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. Nesse sentido, faz mais sentido falar não em cultura mas, em culturas”(FREIRE, 1976, p.61).

A palavra cultura é mencionada no plural para dimensionar a sua importância no contexto da sociedade. Não é enxergar o mundo em uma única visão, mas perceber que as ações, o desenvolvimento do sujeito está no sentido que dá aos resultados das ações. Daí profere a urgência de se buscar estratégias, caminhos para a ampliação e oportunidades de conhecer e viver momentos significativos nos espaços de sala de aula.

Analisar o papel da escola hoje é reconhecer que vivemos em um mundo cercado de transformação, de uma diversidade cultural que necessita reconhecer as diferenças e, claro, respeitá-las para que possamos unir e adentrar de fato ao contexto das escolas. Reconhece os erros é uma tarefa extremamente difícil numa sociedade marcada pelas decisões, na qual, impõe situações a serem cumpridas pelos sistemas educacionais. No entanto, deve-se questionar a veracidade e importância dos fatos, isso desafia um olhar clínico para a própria realidade, para a história, que leva a perceber que o diferente deve ser compreendido e valorizado. Assim. Gonçalves e Silva ratificam: “educar para a diversidade é fazer das diferenças um triunfo, explorá-las na sua riqueza, possibilitar a troca, proceder como grupo, entender que o acontecer humano é feito de avanços e limites” (GONÇALVES E SILVA, 1999, p.87).

Pensar em mudanças para a práticas educativas em que contemplam o múltiplo, requer uma mudança no pensamento e romper com a ideia de semelhança e de unificação, que ainda prevalece na área educacional. Essa proposição para a mudança nos convida a sair dos muros da escola e atingir os diversos espaços sociais para ressignificar a prática educativa que vai além do transmitir conteúdos isolados sem associar ao conhecimento e a um currículo mais completo que está nas ‘entrelinhas’ da vida.

No século atual, as instituições escolares elaboram diversos projetos pedagógicos como objetivo de atender a necessidade do espaço. Porém, não basta criar projetos e mais projetos sem estarem incorporados ao currículo escolar com a expressão de uma cultura organizacional, pois assim, torna-se uma ação sem sentido, sem finalidade de adquirir novos valores presente nas crenças, costumes, significados, modo de pensar e agir das pessoas.

O processo de realização das ações educacionais nos encaminha hoje a diferenciar as práticas escolares o que por sua vez não equivale a discriminar e sim, a adentrar para o espaço da valorização da diversidade, que também, não está ligada ao fato de se fazer desigualdade. A desigualdade tem apenas contribuído para o afastamento e a desvalorização do outro.

De acordo com K. Munanga (1999), a função social e política da escola  vai além de escolher uma pedagogia eficaz para transmitir os conhecimentos historicamente acumulados, ou para prepararem para serem incluídos no mercado de trabalho, ou aprovados no vestibular. A educação na escola, mesmo não resolvendo todas as questões inerentes a mudança necessária, ocupa um importante lugar em nossa sociedade e, por sua vez, na discussão no que tange a diversidade cultural.

Sabe-se que a educação é uma questão histórica e universal, que é a caracterização do social e da cultura a qual se transforma ao longo do tempo. Daí  a necessidade pela busca do conhecimento, inovação que as mudanças sociais nos permitem delinear um novo jeito de tratar a educação. Pois não é possível pensar em um país inclusivo por apregoarmos que somos um povo brasileiro marcado pela pluralidade cultural. A diversidade cultural é bem mais complexa do que se pode imaginar.

Conclusão

Infelizmente, tem se observado que as mudanças no tempo não têm oportunizado o meio educacional a ressignificar seu espaço na prática pedagógica. Ela continua sendo alvo de ditaduras, lições a serem reproduzidas por um sistema que não reconhece as diferenças, e que, dificilmente irá respeitar, para então, (re) começar a colocar na prática um novo modelo de currículo e a escola que deseja: uma escola que transforma, ajude a pensar, criticar, criar, inovar. Uma escola que valorize suas raízes e as raízes dos seus diferentes.

Portanto, o resultado na área educacional está na transformação das mudanças a serem implantadas por todos que fazem parte dos sistemas educacionais, como forma de oportunizar momentos significativos que não estejam nos currículos fechados (conteúdos), mas, contextualizados e ampliados para uma ação prazerosa e significativa. Quando compreendidos estas situações, certamente a educação terá um novo olhar, com experiências significativas tanto para o educando quanto para a escola, porque ambos estão aprendendo e desenvolvendo ações de forma integrada.

Referências

BOURDIEU, Pierre. La Dtinetion: critique sociale Du jugament. París. Minit, 1979.

FREIRE,, Paulo. Ação Cultural para a liberdade. Rio:Paz e terra, 1976.

GOMES, Nilma Lino. Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da Educação. Secretaria de educação Básica, 2008.

GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz. Prática do racismo e formação dos professores. IN DAYREL, J (Org). Múltiplos calores sobre Currículo: currículo e desenvolvimento humano. Brasília: Ministério da educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.

MOREIRA, Antonio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu da (Org). Currículo, Cultura e Sociedade. 4. Ed. São Paulo: Cortez, 2000.

MUNANGA, K. (Org). Superando o racismo na escola. Brasília: Ministério da educação, Secretaria de Educação fundamental, 1999.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo e identidade  social: territórios contestados, In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Alienígenas na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1995.

* Professora graduada em Pedagogia (Unifap) e Comunicação Social (Seama); especialista em Ciências da Educação (Faculdade Atual)e Mídias na Educação  (Unifap). Atualmente exercendo suas funções n Laboratório de Informática-Lied. Email: claric.costa@hotmail.com

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