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Por Gilberto da Silva

Tiradentes! E para não ficarmos sem tocar no assunto lembramos aqui da peça teatral Arena Conta Tiradentes, que divide com o Romanceiro da Inconfidência (de Cecília Meireles) os lauréis de obra-prima sobre o herói da Inconfidência.

 

Dez vidas eu daria.

Dez vidas prisioneiras

Ansioso eu trocaria

Pelo bem da liberdade,

Nem que fosse por um dia.

Se assim fizessem todos,

Aqui não existiria

Tão negra sujeição

Que dá feição de vida

Ao que é mais feia morte;

Morrer de quem aceita

Viver em escravidão.

Dez vidas eu tivesse,

Dez vidas eu daria.

Mais vale erguer a espada

Desafiando a morte

Do que sofrer a sorte

De sua terra alugada.

De sua terra alugada,

Do que sofrer a sorte,

Mais vale erguer a espada

Desafiando a morte.

Dez vidas eu tivesse,

dez vidas eu daria…

 

A primeira manifestação da crítica imediatamente após estreia oficial de “Arena conta Tiradentes”, no Teatro de Arena, coube ao crítico João Marschner, de O Estado de São Paulo. Assim, se expressou ele: “Começa, afinal, a temporada do teatro. Teatro efetivamente e não comédia boboca pseudo-sátira. Teatro que propõe alguma coisa. Neste caso ‘Arena conta Tiradentes’ – texto de Giafrancesco Guarnieri e Augusto Boal, tendo o primeiro como um dos intérpretes e o segundo como encenador – propondo: 1) uma revisão da história; 2) uma nova forma de interpretação do ator.(…) Propondo ética e esteticamente, o Arena tem em mãos o que esperamos seja – e merecidamente – um novo best seller. Por falar à mente e à emoção é um espetáculo obrigatório.”

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Teatro de Arena ::
:: ARENA CONTA TIRADENTES (1967)
AUTOR:
Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri
DIREÇÃO:
Augusto Boal
FOTÓGRAFO:
Derly Marques
ELENCO / PERSONAGENS:
David José (Tiradentes); Gianfrancesco
Guarnieri (Coringa, Gonzaga, Cabo, Jerônimo, Garimpeiro, Mineiro,
Domingos de Abreu, Alvarenga, Juiz); Jairo Arco e Flexa / Antonio
Fagundes (Maya, Padre Rolim, Alvares Maciel, Francisco de Paula,
Silvério dos Reis, Cláudio Manuel, Gonzaga); Sylvio Zilber (Jefferson,
clérigo, taverneiro, Silvério dos Reis, Alvarenga, Cláudio Manuel); Renato
Consorte (Cunha Menezes, homem do povo, barbacena, Silvério dos Reis,
Francisco de Paula, Alvarenga, carrasco); Dina Staf / Célia Helena (mulher,
Deolinda, Cláudio Manuel da Costa, Bárbara e Heliodora, Marília, viúva
Inácia, escrivão); Vanya Sant’Anna / Yara Amaral (mulher, Mônica, Marília,
Bárbara, Heliodora, Padre Antonio, filha da viúva Inácia, Pregão); Cláudio
Pucci (Domingos de Abreu, bêbado, Maciel, Padre Carlos de Toledo, Cônego
Luiz Vieira, Embuçado, Álvares Maciel, Cláudio Manuel);
Músicos:
Zelão, Romário José Borelli e Luiz Manini.

“Nós, somos o Teatro de Arena. Nossa função é contar histórias. O teatro conta o homem; às vezes conta uma parte só: o lado de fora, o lado que todo mundo vê mas não entende, a fotografia. Peças em que o ator come macarrão e faz café, e a plateia só aprende a fazer café e comer macarrão, coisas que já sabia. Outras vezes, o teatro explica o lado de dentro, peças de ideia: todo mundo entende mais ninguém vê. Entende a ideia mas não sabe a quem se aplica. O teatro naturalista oferece experiência sem ideia, o de ideia sem experiência. Por isso, queremos contar o homem de maneira diferente. Queremos uma forma que use todas as formas, quando necessário. “Arena conta Tiradentes” – história de um herói da liberdade nacional. Por isso, dedicada a José Joaquim da Maya, que foi o primeiro homem a se preocupar com a liberdade no Brasil. Foi o primeiro e desde então, até hoje, todo mundo continua só pensando nisso.”

 

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