Facebook Lawsuit

Facebook: um perigo para crianças!

Evelin Gomes da Silva*

A Internet é uma ferramenta revolucionária capaz de levar conhecimento, informação e diversão a partir de um simples “click” no mouse ou “touch” na tela. Muitas crianças e jovens que nasceram a partir dos anos 2000 se quer imaginam o “seu” mundo sem a internet, as várias redes sociais, os aplicativos para celulares, os tablets e os jogos de videgames de última geração. Para alguns é impensável uma família sem um desses equipamentos eletrônicos como smartphone, notebook ou tablet. Mais difícil ainda é entender, por exemplo, como eram marcados os encontros entre amigos sendo que nenhum tinha o número do Whatsapp ou a conta no Facebook para avisar ao grupo sobre o “evento”.

O relacionamento social antes da criação das diversas ferramentas de comunicação era basicamente presencial, se dava no mundo real. No máximo usava-se um telefone para marcar um café, um churrasco ou convidar os amigos para um aniversário. Atualmente, são inúmeras as opções para conversar com alguém e poucos têm o costume de ligar. Basta enviar um SMS, um “toque” no whats ou uma mensagem no “face” e o problema de comunicação está resolvido. É por essa agilidade, comodidade e praticidade que muitas crianças e jovens só se relacionam com amigos e familiares pelo mundo virtual. E não é à toa que as redes sociais (especialmente o Facebook) fazem tanto sucesso. Os motivos são semelhantes aos dos adultos: apresentar a sua vida real para seus amigos virtuais, a partir da publicação de fotos, vídeos e compartilhamento de informações.

É inegável que crianças e adolescentes brasileiros estão cada vez mais presentes nas redes sociais, mas até que ponto estão seguros? A pesquisa TIC Kids Online 2013 apresentada pelo CETIC.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação) do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) demonstra que 79% dos menores que têm acesso à internet possuem algum perfil na rede social. O Facebook foi a rede social citada como mais utilizada por 77% dos entrevistados. Com relação a segurança das informações pessoais na rede, 58% dos entrevistados disseram ser capazes de alterar as configurações de privacidade de seus perfis nas redes sociais. Entretanto, 38% dos jovens e crianças entrevistados disseram ter adicionado pessoas que nunca conheceram aos seus contatos nas redes sociais. Entre os usuários, 93% dos entrevistados disseram ter uma foto que mostre claramente o seu rosto, sendo que 37% dizem mentir a idade nas redes sociais que utilizam. Além disso, metade dos participantes da pesquisa disse ter criado seus perfis nas redes sociais sozinho. Feita entre setembro de 2013 e janeiro de 2014, a pesquisa entrevistou 2.261 crianças e adolescentes com idade entre 9 e 17 anos (e seus pais ou responsáveis) em todo o território nacional, usando o método da pesquisa europeia EU Kids Online, feita pela London School of Economics.

É fato que as redes sociais facilitam a comunicação entre as pessoas. No entanto, é preciso alertar as crianças sobre os perigos dessa grande exposição na web. Dentre os principais riscos estão o crime de falsificar informações, a quebra de privacidade, o uso excessivo e o contato de pessoas mal intencionadas.

A gravidade de se fornecer informações falsas começa já com o cadastro da criança na rede social. No Facebook, por exemplo, é preciso ter pelo menos 13 anos para acessar a página. Há casos de que as próprias crianças, sem o conhecimento ou autorização dos pais, criam sua própria página na rede social. Além disso, muitos pais ignoram a informação sobre o limite de idade e, mesmo assim, cadastram crianças mais novas. Tal ato pode ser classificado como crime de falsidade ideológica, já que os pais ou responsáveis pela criação da página inserem dados falsos na ficha cadastral.

Atrelado a isso há duas problemáticas. A primeira é a quebra de privacidade da criança e também da família. Tanto no momento do cadastro na rede social, pois podem ser expostas informações como nome completo, nome da escola em que estuda, local de trabalho dos pais, telefone celular e endereço residencial, quanto na divulgação de fotos e vídeos pessoais e de familiares. Para os pequenos é legal informar o local que frequenta e com quem está se divertindo. O registro desse momento e a publicação no Facebook demonstra o quanto sua vida social é divertida e emocionante. No entanto, muitas crianças não entendem que essa exposição exagerada pode ser prejudicial, pois todas as informações publicadas podem servir como monitoramento do comportamento e rotina familiar, facilitando, assim, o trabalho de pessoas mal intencionadas na web.

A segunda é que com um perfil na rede a criança terá acesso a vários tipos de informação. Diferente dos sites na internet, no Facebook não há como bloquear acesso ou mesmo controlar os conteúdos e propagandas visualizados. Dessa forma, as crianças são bombardeadas por mensagens, imagens, links e vídeos muitas vezes inadequados a sua faixa etária.

Além disso, para a criança é confuso muitas vezes entender os limites entre o privado e o público, entre o real e o virtual. Por isso, é imprescindível que os pais informem-se sobre as configurações de privacidade presentes no computador e nas redes sociais. Também é necessário que conversem com seus filhos sobre a facilidade dos arquivos de vídeo ou foto poderem ser copiados, modificados e repassados a inúmeras pessoas pela internet.

Precisam ainda ficar atentos as amizades virtuais da criança. Os pais devem monitorar as conversas e também as postagens dos amigos na rede social de seus filhos, além de sempre insistir para que a criança nunca se encontre pessoalmente com alguém com quem se comunique apenas online. Incentive-o a se conversar apenas com pessoas que conhece pessoalmente.

É importante entender que a internet e as redes sociais não são vilãs. A criança pode adquirir inúmeros benefícios ao aprender a usar tais ferramentas de forma segura. Para isso, é imprescindível a participação, a fiscalização e o diálogo entre os pais e os filhos, para que juntos conheçam os perigos e estabeleçam os limites, tanto para o tempo que é destinado quanto para o que é publicado na internet.

Evelin Gomes da Silva

Mestranda no Programa de Pós-graduação Mestrado em Letras, da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (FACALE) e integrante do grupo InterArtes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), com graduação em Comunicação Social (Jornalismo), pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E-mail de contato: evelin_gomes@yahoo.com.br.

 

Referência:

 

BRASIL. Pesquisa sobre o uso das tecnologias da informação e comunicação no setor público brasileiro [livro eletrônico]: TIC Governo Eletrônico 2013. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2014. Disponível no link <http://www.cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-das-tecnologias-de-informacao-e-comunicacao-tic-governo-eletronico-2013/>. Acesso em 27 abr. 2015.

 

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