mortadela

Aparecida Luzia de Mello*

Quando casou ela não sabia cozinhar e muito menos cuidar de uma casa. Mas achava que o amor resolveria tudo.

Cida Mello é mestre em Políticas Sociais.  E-mail: cidamell@uol.com.br

Cida Mello é mestre em Políticas Sociais.
E-mail: cidamell@uol.com.br

É claro que não foi bem assim, e entre altos e baixos “apanhava” muito, errou muito e aprendeu muito, logicamente tudo com muito sofrimento.

Ouve muitos tropeços e alguns se tornaram inesquecíveis, como a receita de costela ao vinho.

Ela não tinha habilidade nenhuma na cozinha, mas onde trabalhava havia um colega metido a cozinheiro. Sempre chegava contando o que havia preparado nos finais de semana, como tinha preparado e a delícia que tinha ficado.

Falava frequentemente da receita da costela ao vinho. Sempre que estava com preguiça fazia a tal costela porque não dava trabalho nenhum.

Ela embora não fosse amante de carne, se interessou, afinal a família gostava de carne e era realmente muito fácil de fazer…

Pegou um papel anotou a receita:

- 1 Kg de costela de boi com bastante carne

- 1 Garrafa de vinho branco

- Sal a gosto

- Água

 

Faça uma salmoura com a água e o sal, coloque a costela de molho nesta salmoura e depois de duas horas, escorra-a. Coloque numa assadeira, regue com o vinho e leve ao forno envolvida em papel alumínio. Asse por mais ou menos 1h30min, depois tire o papel e deixe dourar. Sirva com arroz branco e salada verde.

 

Leu, releu e concluiu que era fácil sim. Então disse ao colega:

-: ah, será este final de semana. Dia das mães, farei uma surpresa em casa!

Na 2ª feira o colega chegou curioso para saber se o pessoal tinha gostado da costela. Mas pela cara dela parecia que não, porque ao vê-lo de longe fez sinal que iria enforcá-lo.

Sem entender o porquê daquele sinal agressivo, chegou perto e perguntou:

-: e aí fez a costela? O pessoal gostou?

Ela ríspida, respondeu:

-: odiaram!

E ele assustado, quis saber por quê? Afinal até aquele dia, todas pessoas que ele havia ensinado se desdobravam em elogios.

-: oras, fiz tudo como você ensinou. Pus a dita costela na salmoura e duas horas depois, coloquei na assadeira, fui ao barzinho e peguei uma garrafa de vinho branco que tinha há bastante tempo e ninguém bebia, joguei sobre a carne e levei ao forno coberta pelo papel alumínio…

A estas alturas ele estava curioso para saber o desfecho. E ela continuou…

-: Uma hora depois a cozinha tinha um aroma delicioso de caramelo. Eu achei estranho, mas continuei e quando tirei o papel alumínio para dourar a carne, vi que tinha formado um caramelo na volta toda da assadeira e sobre a costela…

-: virou uma costela caramelada.

Ele, mais surpreso ainda, repete:

-: caramelada? Como assim? O que você fez?!?

Ela, então com cara de “que saco”, será que você não entendeu, olhou bem para ele e respondeu:

-: aconteceu que você não foi claro o suficiente, não me explicou com os mínimos detalhes toda a operação e eu usei o vinho que tinha em casa, claro que isto foi um pequeno detalhe, mas que fez toda a diferença, porque o vinho que usei era um vinho branco LICOROSO!

Detalhe: aquele ano o almoço do dia das mães foi a base de pão com mortadela, porque nem frango havia mais na padaria para comprar…

 

* Mestre em Políticas Sociais.

E-mail: cidamell@uol.com.br

 

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