Por Jesse Paegle

Existe um gap de mercado entre as carrocerias desenvolvidas no Brasil e no Exterior, embora o País esteja preparado para produzir veículos com as mesmas especificações aplicadas nas nações mais desenvolvidas. Os profissionais

esse Paegle é engenheiro e chairperson do Simpósio SAE BRASIL Car Body 2015.

esse Paegle é engenheiro e chairperson do Simpósio SAE BRASIL Car Body 2015.

responsáveis pelo desenvolvimento de projetos precisam saber que é possível, sim, especificar aços de alta e altíssima resistência para veículos nacionais.

O nível de tecnologia disponível aqui é muito próximo ao de qualquer região, seja na Europa ou nos Estados Unidos. Hoje o Brasil já não faz parte de um grupo de países que precisa importar uma série de componentes e equipamentos, o que tornaria praticamente impossível produzir de forma competitiva com essas soluções de alta tecnologia.

Para exemplificar, há seis anos o aço de maior resistência disponível industrialmente no Brasil chegava a 600 Mega Pascal. Hoje já temos aços de até 1.500 Mega Pascal, que é praticamente o mesmo nível de resistência disponível em qualquer lugar do mundo. Então, não precisamos mais viver da importação de materiais de alta tecnologia para produzir as carrocerias.

Para chegarmos a esse nível, o incremento tecnológico foi muito grande. O mais interessante é que não houve participação exclusiva de um setor industrial, mas o trabalho em conjunto de toda a cadeia produtiva. Os setores de siderurgia, máquinas e equipamentos e autopeças investiram muito em desenvolvimento ao passo que as montadoras atualizaram as suas linhas de produção. Hoje temos uma cadeia produtiva muito mais robusta.

Apesar do momento economicamente ruim, a pesquisa e o desenvolvimento não param. Hoje uma carroceria possui uma média de 8 a 10% de aços de alta resistência embarcados. No próximo grande volume de lançamentos, que deve ocorrer entre 2018 e 2020, o percentual deverá chegar a 25% em função das demandas por redução de peso e melhoria de performance e segurança.

O efeito colateral positivo será a possibilidade que as montadoras terão de usufruir de uma especificação um pouco mais globalizada e reduzir os seus custos de desenvolvimento. Precisamos usar plataformas mais globais e desenvolver soluções que sejam interessantes não só para o nosso mercado a ponto exportarmos para outras regiões, por que não?

Em termos de tecnologia e conhecimento técnico, nós temos a mesma capacidade que qualquer time de engenharia de qualquer lugar do mundo. Basta socializarmos o conhecimento sobre a disponibilidade local para que essas especificações sejam aplicadas de maneira mais natural. Esses e outros assuntos serão discutidos durante o Simpósio SAE BRASIL Car Body 2015, em 10 de junho, no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo.

*Jesse Paegle é engenheiro e chairperson do Simpósio SAE BRASIL Car Body 2015.

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