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Por Gilberto da Silva

 

Gilberto da Silva é editor da revista Partes. Jornalista e sociólogo. Blog pessoal: www.gilbertodasilva.com

Gilberto da Silva é editor da revista Partes. Jornalista e sociólogo. Blog pessoal: www.gilbertodasilva.com

A Editora Contexto acaba de lançar um interessante livro sobre as cidades, fruto de uma construção lenta e coletiva realizada pelos pesquisadores do GESP – Grupo de Geografia Urbana Crítica Radical da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo. O livro trata da urbanização e da produção do espaço urbano entendidas, na maioria das vezes, como simples resultantes do desenvolvimento econômico nas cidades.

A obra que integra o segundo volume da coleção Metageografia, parte da fundamentação teórico-metodológica orientada pela perspectiva marxista-lefebvriana (Henri Lefebvre) e trata o espaço não apenas como matéria-prima e meio de produção, mas como mercadoria que se valoriza segundo dinâmicas propriamente urbanas, espaciais e financeiras.

Os doze artigos que compõe o livro perfilam um painel de temas que nos coloca de frente para uma discussão que vai além da geografia. São as questões sociais que as permeiam. As cidades viraram mercadoria. As novas dimensões do urbano retratam a moradia como negócio e como valorização do espaço, espaços que são segregados e constituídos por políticas habitacionais e sociais que não dão conta da nossa realidade e que “capitaliza a pobreza como novo negócio mundializado e situa um novo patamar para a produção e reprodução do espaço nas periferias metropolitanas, estabelecendo o imperativo de se analisar as novas particularidades do processo de valorização do espaço nas periferias”. P11).

As cidades são tratadas pelos gestores como espaços de segregação “casa de pobre para pobre, lugar pobre para pobre” (p.179) gerando conflitos que não se resolvem diante das condições de  reprodução capitalista. São questões complexas, mas que os textos ajudam a refletir sobre as dinâmicas de ocupação e uso do espaço urbano.

As cidades são vistas como negócio, como espaço especulatório dos investidores e de acumulação de capital Como afirma o texto introdutório:

o que está posto é a reprodução do urbano como negócio, porque esses processos geram a condição de reprodução da vida na metrópole e reforçam a naturalização da produção de espaços privados, da segregação e da funcionalização, transformando cada vez mais os espaços-tempo da vida, reduzindo as possibilidades de apropriação e de sociabilidade. (p.12)

A obra é voltada para, prioritariamente, profissionais, professores e estudantes de Geografia, Arquitetura e Urbanismo e áreas afins, mas recomendo a todos que tem interesse em conhecer os processos além do visível da deterioração das nossas cidades que leiam o livro.

 

capa_a_cidade_como_negocio_webA Cidade como negócio

Autor: Ana Fani Alessandri Carlos (Org.), Danilo Volochko (Org.), Isabel Pinto Alvarez (Org.)

Assunto: Geografia

  • ISBN978-85-7244-914-4
  • Formato16 x 23
  • Peso0.406 kg
  • AcabamentoBrochura
  • Páginas272

 

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