Governo federal vai capacitar e incluir profissionalmente 15 mil jovens

Na primeira fase do programa, vagas serão ofertadas em 81 municípios brasileiros com alto índice de
violência e de vulnerabilidade social, prioritários no Pacto Nacional pela Redução dos Homicídios
Brasília, 28 – Por sete anos, Gabriel Vignol da Silva saía da escola e ia para o semáforo da Rua João Caetano, na capital gaúcha, para vender balas. Antes, também catou latas para reciclar e ajudava as pessoas nas portas de supermercados em troca de moedas. “Minha mãe não tinha como me dar dinheiro. Então fui trabalhar”, lembra o jovem, que hoje está com 17 anos. Ele vive com três irmãos mais novos e os pais no bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre.

Gentil e prestativo, Gabriel conquistou as pessoas que costumavam passar pela rua. A mãe nunca deixou ele parar de estudar. E os clientes reforçavam. “Todos os dias eu conversava com as pessoas e perguntavam se eu estava estudando certinho.”

Um deles é Alexandre Fiss, um dos proprietários da Frigelar Moto Refrigeração, empresa que está no mercado há quase 50 anos e com mais de 20 lojas espalhadas pelo país. “Sempre o cumprimentei, mas não sabia quem ele era, o que ele fazia. Ele me disse que, quando eu tivesse idade, ia me contratar para trabalhar com ele”, conta Gabriel.

Ano passado, Gabriel participou da capacitação em Ocupações Administrativas do Programa Jovem Aprendiz, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). E foi contratado pela Frigelar, onde separa as peças do estoque e organiza as prateleiras da loja. Ele recebe meio salário mínimo de salário, além de vale-transporte e mais R$ 300 em vale-refeição. O dinheiro ele usa para pagar o aparelho dental, o uso de internet e ainda ajuda na alimentação da família.

Ana Nascimento/MDS
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No período da noite, o jovem está cursando o primeiro ano do ensino médio e já faz planos para o futuro. “Quero crescer na empresa. Estou dando o meu melhor lá dentro”, conta. Gabriel também olha para trás e vê o risco que passou trabalhando no semáforo. “Tem bastante gente onde eu moro que não tem oportunidade e a única saída que eles podem ter é o tráfico de drogas. Isso só leva para a cadeia ou à morte. Não leva a nada”, reflete o jovem, que já perdeu alguns amigos nesta situação.

Programa – Para garantir que milhares de jovens consigam alcançar o sucesso que Gabriel está desfrutando, o governo federal apresenta nesta terça-feira (28), em reunião de trabalho com representantes do setor empre sarial, a primeira etapa do Pronatec Aprendiz na Micro e Pequena Empresa. Neste segundo semestre, serão disponibilizadas 15 mil vagas para jovens entre 14 e 18 anos, em 81 municípios com alto índice de violência e de vulnerabilidade social, prioritários no Pacto Nacional pela Redução dos Homicídios.

“Queremos integrar cada vez mais a educação ao mundo do trabalho. É com educação e trabalho que construímos oportunidades e autonomia para os jovens e desenvolvemos a nação”, afirma a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

Atualmente, a legislação já obriga que as médias e grandes empresas contratem aprendizes. Com a criação do Pronatec Aprendiz, o governo federal ince ntiva as micro e pequenas empresas a contratar jovens matriculados na rede pública de ensino, com prioridade para aqueles em situação de vulnerabilidade social, entre eles, beneficiários do Programa Bolsa Família. O curso de qualificação, com carga de 400 horas/aula, é custeado pelo governo federal.

As inscrições para os cursos nas 81 cidades serão feitas nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras). As qualificações serão ofertadas pelos institutos federais de educação, por escolas técnicas estaduais e municipais e pelas unidades do Sistema S. Caberá às empresas pagar o salário (meio salário mínimo), vale-transporte e 2% de FGTS. Para os optantes pelo regime tributário do Simples Nacional, o INSS patronal está incluído na alíquota de recolhimento

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