Por Gilberto da Silva

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Quando não tínhamos as máquinas possantes e ultramodernas, tínhamos as mãos dos artistas que com maestria pintavam nossos retratos. Os fotopintores foram enquadrados, por décadas, numa categoria fotográfica chamada de popular e percorriam as mais distantes paragens para retratar um povo esquecido..

Naqueles tempos que um retrato pintado valia ouro. Era uma prática que vinha do final do século XIX e que permaneceu (até meados de 1990) nas casas das pequenas cidades e nas áreas rurais, principalmente do Nordeste brasileiro. Mas os retratos pintados não eram uma exclusividade do Nordeste, isso é bom deixar claro, pois vejo por ai muita literatura pisando nessa tecla erroneamente.

Tempos que nem as fotografias em preto e branco eram comuns. Os retratos pintados pareciam fotos de santos a enfeitar paredes. Os artesãos usando banhos de óleos e outras técnicas adicionam adornos e vestes de alto padrão: eram os percursores do “Photoshop”!  Com engenhosidade, a partir de uma  simples 3×4 preto e branco os artistas iam criando novas paisagens e cenas floreando detalhes e plastificando os sinais do tempo. As fantasias eram realizadas através dos retratos e emolduradas em suportes simples que enfeitavam as casas das famílias pobres.

A foto que ilustra este o artigo é de meu pai quando jovem. Com algumas imperfeições  (uma orelha maior que a outra) o artista retratou um homem cheio de pose e quase branco (rs), com um bigode bem feito e um terno bem alinhado. Todo caprichoso, assim como era em vida. E essa é minha homenagem pois há exatos 11 anos (09/08/2004) ele nos deixou. Parece que foi ontem…

Nesse dia dos Pais, fotografias e saudades eternizadas num quadro de eternidade.

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