Dormir e sonhar

Margarete Hülsendeger

O mundo do sonho é silencioso como o mundo submarino. Por isso é que faz bem sonhar.

Mario Quintana

 

Margarete Hülsendeger é Física e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS. É mestra e doutoranda em Teoria Literária na PUC-RS. margacenteno@gmail.com

Há algum tempo sabe-se que a falta de sono causa uma série de efeitos prejudiciais ao corpo humano, como problemas no sistema imunológico e descontrole do peso. Os efeitos são tão severos que os “torturadores profissionais” têm usado de forma eficaz esse método para extrair informações e no processo transformar a mente de suas pobres vítimas em mingau. Existem histórias tenebrosas sobre prisioneiros que após ficarem 15 dias sem dormir arrancaram pedaços do próprio corpo ou cometeram suicídio.

Recentemente, um estudo científico – sem qualquer tipo de relação com tortura! – sobre a privação do sono foi realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, com 26 estudantes saudáveis, em idades variando entre 24 e 31 anos. Nesse experimento, uma parte dos alunos ficou algumas noites acordados (estudando), enquanto outros dormiram a noite toda. Quatorze deles permaneceram trinta e cinco horas seguidas sem dormir antes de serem submetidos a um exame de ressonância magnética. Os resultados do estudo não deixaram muita margem a dúvidas: ao contrário do que se imaginava são os problemas relacionados com o sono (insônia, apnéia) a causa de algumas desordens e sintomatologias psiquiátricas. Portanto, essa pesquisa apenas confirmou o que há tempos já se sabe: é preciso dormir bem. E “dormir bem” significa horas de sono compatíveis com a idade da pessoa permitindo ao organismo recuperar-se do estresse do dia-a-dia.

Dentro dos vários estudos que estão sendo realizados sobre o sono, surgiu outro campo de pesquisa relacionado com apenas uma parte – aproximadamente duas horas – desse período no qual a pessoa parece estar desligada do mundo, os sonhos. Um dos primeiros a defender a importância do seu estudo foi o médico neurologista e pai da psicanálise Sigmund Freud (1856-1939). Segundo ele, os sonhos não seriam apenas simples devaneios, mas uma forma complexa da mente lidar com anseios e conflitos reprimidos.

Contudo, apesar das teorias freudianas sobre a influência dos sonhos no comportamento humano, não há ainda pesquisas que esclareçam de forma definitiva o que ocorre durante eles. Sabe-se que o primeiro estudo sobre o assunto foi realizado em 1950 quando se monitorou o sono de um menino. Nessa época percebeu-se que, apesar da criança estar dormindo profundamente, o cérebro reagia como se estivesse desperto, mas naquela ocasião, atribuiu-se a um erro da máquina as leituras estranhas que estavam sendo obtidas.

Atualmente, muitos cientistas já acreditam que assim como dormir é essencial para o bem estar físico e mental de uma pessoa, sonhar também o é, pois apesar do corpo permanecer “desligado”, a mente se mantém ativa. Durante cerca de duas horas os neurônios recebem estímulos que são enviados ao diafragma e aos olhos, esses últimos sendo os responsáveis por estabelecer a ligação entre o mundo real e o sonho. E é aqui que as dúvidas surgem.

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