portugal

Por Eduardo Paulo Berardi Junior

Moogli só tinha em seu mundo, o mundo que estava ao seu redor. Era só o que existia. Assim se limitava seu conhecimento. “Todos” seriam como ele!

Se não nos dermos a oportunidade de compreender que existe um outro mundo além do “nosso”, continuamos bebendo a verdade da mesma fonte sempre e achando que isso é a realidade!

Viajar e conviver (e não apenas fazer fotos de lugares visitados) em outras culturas é, de fato, dar-se a possibilidade de conhecer-se, questionar seus valores, a forma de pensar, de reagir, ao mesmo tempo em que ao apreciar outras realidades é uma forma de reavaliar a cultura de origem.

Conhecer outros povos é no fundo (re)conhecer-se!

Por exemplo, o Brasil cultua a ideia de que Portugal seja um país velho, tradicionalista, saudosista… Ledo engano.

Portugal é um país supermoderno em todos os sentidos, que guarda carinhosamente o orgulho de seu passado, seus valores, conquistas. Ao mesmo tempo, domina tecnologias de ponta como qualquer outro pais europeu.

É na verdade o sonho de consumo de todo europeu quando chega o verão… como andorinhas seguem rumo ao sul em busca do mar, do sol, das delícias de Portugal em Lisboa, no Algarve (ao sul) ou ao norte (onde se situa Porto, por exemplo).

Nas proximidades de Lisboa, além Tejo, o litoral é bordejado de praias as mais diferentes. Caminhando como se faz, meramente por exercício, é fácil topar com pessoas despidas em meio a outras em trajes completos de banho, ou sem soutien, junto a familias, barracas, chapeus de sol. São casais – heteros, ou não – são singles – homens ou mulheres, todos, em diferentes idades.

Não há um só olhar que se poderia denominar de investigativo. Cada um vive sua vida e deixa que o outro a viva igualmente… de preferência, fazer tudo ao seu alcance para que o outro possa ser e estar feliz… com toda naturalidade.

Portugal nos permite saber o real valor da liberdade. Se quiser experimentar o que é ser livre, visite Portugal, viva Portugal.

Os portugueses nos mostram o que é ser responsável. O voto não é obrigatório, no entanto como disse uma amiga, se não votar como poderei cobrar?

Também nos ensinam respeito, vez que a todo momento se desculpam por não terem podido fazer melhor – segundo sua própria expectativa. Até para encerrar uma chamada telefônica pedem licença! Inclusive os jovens! Não é preciso mostrar que um idoso espera um lugar para sentar-se em um veículo de transporte de massa… logo um jovem se levanta e oferece o lugar!

Possuem um nível de politização de causar-nos inveja. No recente processo eleitoral houve um debate entre os principais candidatos majoritários. No dia seguinte logo cedo foi possível ouvir-se nas ruas as pessoas as mais simples se posicionarem. Todos conhecem todos os políticos.

Até na dimensão saúde temos muito a aprender com eles. É raro encontrar-se uma pessoa obesa. O tempo todo ouvem-se sirenes a conduzir idosos nas ambulâncias, em geral, por viverem sozinhos. Não existe auto medicação porque farmácias só vendem mediante apresentação de receita médica.

No lazer, também temos muito o que aprender. Todos os lugares, sem exceção, fazem festas no verão- em praças públicas. São eles mesmos que atuam ao lado de outros artistas, renomados ou não. Todos conhecem todo o país que já visitaram. Teatro, cinema, shows, museus, bibliotecas estão ao alcance de todos.

Hoje me sinto muito menor do que ontem e isso me leva a querer ser melhor, mais respeitoso, mais moderado nos meus gestos, mais atento ao meu próximo, mais responsável, mais atencioso, mais generoso, menos preconceituoso – sim porque sem o saber, pressupunha estarem certas algumas atitudes que poderiam ser diferentes, mais condescendente enfim.

Lamentavelmente isso se aplica ao nosso povo. Falta-nos muito ainda para merecermos ser parte do mundo português!

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