Homenagens às vítimas dos ataques terroristas à capital francesa Giselle Garcia/Arquivo/Agência Brasil

Homenagens às vítimas dos ataques terroristas à capital francesa Giselle Garcia/Arquivo/Agência Brasil

Por Eduardo Paulo Berardi Junior

Os recentes atentados em Paris não são atos isolados e nem podem ser pensados como enfrentamento político, apenas.

O Ocidente, não é de hoje, vem dilapidando a economia do chamado mundo árabe, sobretudo em função do petróleo.

A cultura desses povos – que está longe de ser única, portanto, comum a todos – guarda características de conflito de valores com o mundo ocidental. Sempre guardou – basta nos lembrarmos das invasões mouras que deram cabo do Império Romano nos meados do século V d.C.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU – diga-se, as potências ocidentais lideradas pelos EUA – fixaram o Estado Israelense, tomando terras deles e infiltrando um grande aliado dentro do mundo árabe. Não se trata de discutir direitos de judeus e palestinos, apenas. Mas, sob a ótica da cultura islâmica, houve a invasão, à força, com uso de armas poderosas que desencadeou o desequilíbrio das forças ali existentes.

Num primeiro momento Israel lutou para se manter vivo. Contra esse poder bélico, portanto sem contar com os mesmos recursos militares, sem diálogo, o povo árabe recorreu à guerrilha – estratégia já bastante conhecida do mundo ocidental seja na própria Ásia, seja na America Latina. A diferença é que o ocidente trata as investidas como atos bárbaros, como terrorismo. Lembremos que na Guerra Mundial os pilotos japoneses faziam o mesmo, explodindo-se com seus aviões sobre alvos dos aliados.

A manipulação política do Ocidente sobre os países árabes tem tido como prática armar grupos rivais para fazerem o enfrentamento de governos que não atendam aos interesses das potências mundiais. Foi assim no Irã, no Iraque, no Afeganistão ou mesmo no Vietnã.

Guerras custam muito:  seja pelos equipamentos, seja com vidas e, sobretudo, com consequências políticas. Mas, pode ser um bom negócio: vender armas – ou trocar posteriormente com vantagens comerciais – apoiar com logística. Poupa vidas – o que é benéfico frente à opinião dos eleitores- enriquece ainda mais os produtores de equipamentos bélicos. Com um discurso bem articulado, diga-se ideologicamente bem estruturado, as potências ainda posam de defensoras das liberdades, da democracia. Se der errado, as perdas são todas dos outros seja em vidas, com gastos, e principalmente politicamente!

Há, entretanto, um aspecto que é intrínseco às culturas árabes: as cisões entre as crenças islamitas representadas em várias seitas que lutam entre si e que geralmente representam etnias distintas com reflexos na dominação política de regiões dentro de um mesmo estado.

A intervenção ocidental amplia esses conflitos, gerando a exacerbação da luta de guerrilha como o último recurso capaz de enfrentamento do poderio econômico dos detentores do poder – seja regional, seja das potências.

Os atentados não ocorrem somente em solo cristão, também se dão – e com grande número de vítimas – entre os próprios povos muçulmanos.

Sadan Hussein foi um desses títeres criados pelos EUA para defender seus interesses. Enquanto atuou a favor deles, era um santo – ainda que perpetrasse todo tipo de atrocidade contra curdos e minorias. Aliás, tanto quanto Osama Bin Laden. A partir do momento em que saiu desse alinhamento acabou dizimado. Não sem um efeito colateral: criou-se o Estado Islâmico de uma dissidência iraquiana, a fim de representar os anseios daqueles que se sentiam traídos pelos chefes políticos regionais.

Inicialmente não se levou a sério esse grupo, afinal eles atuavam contra os próprios muçulmanos. Porém com seu rápido crescimento, com seu fortalecimento bélico e com as estratégias que passou a utilizar, tornou-se uma ameaça também ao ocidente.

Isso também já tinha ocorrido com relação à Palestina e com o próprio Hamas que já teve atuação contundente assim como o E.I., até chegar a controlar o poder do Estado Palestino.

No contexto da chamada Primavera Árabe, o povo sírio se armou contra o poder tirânico, a exemplo de tunisianos, egípcios, líbios. O Ocidente armou os opositores do regime esperando que o ditador caia e que uma nova relação possa ser construída com melhores resultados para os interesses ocidentais.

 O E.I. estabelece sua sede no território sírio e três forças passam a atuar nesse espaço: o governo central, os grupos de oposição e o estado islâmico.

Mas, a Rússia também tem interesses na região não só na Líbia de Kadafi, como na Síria de Assad. E isso cria uma dimensão ainda maior a complicar o cenário. Atacar um aliado russo, é criar a possibilidade de um conflito entre russos e as potências ocidentais.

A Rússia diz bombardear posições do E.I. mas, de fato, ataca também os opositores do governo Sírio.

Por: Agência Brasil

Por: Agência Brasil

Até os recentes episódios de Paris, o governo francês ficou à espera do resultado da luta entre os três, aguardando com tudo para depois tornar-se aliado do novo governo. Foi obrigado a intervir para não sofrer com a opinião pública interna.

Os radicais muçulmanos do E.I. são modernos, fazendo uso das redes sociais, sabendo como aglutinar a insatisfação da juventude descontente com o rumo da vida do ocidente que não tem oferecido perspectivas para esses eles.

São filhos da classe média francesa, inglesa, belga – em sua maioria de origem árabe, ou convertida ao islamismo – que decidem atuar com vistas a fazerem a diferença no mundo.

Certamente experimentaram a dor do preconceito, certamente acompanharam as dificuldades dos pais para criarem a família em território estrangeiro sendo sempre lembrados de que não são dali, que estão em terra alheia.

Uma constante da assim chamada cultura árabe é a religião com base no alcorão. Há os que veem as leis do alcorão com olhos tradicionais – assim como com cristãos e judeus. Mas, há também os que fazem uma interpretação mais aguda, radical levando seus ensinamentos às últimas consequências e isso cai no agrado de uma parcela da juventude que busca dar algum sentido a sua vida.

Uns se drogam, outros se alienam de muitas formas e outros mergulham em seitas as mais estranhas. Por que não no Estado Islâmico?

Não há como combater isso senão com uma total reestruturação dos pilares da sociedade ocidental. Portanto, não há a menor chance de que o Ocidente consiga vencer os radicalismos porque eles são criados a partir de sua própria essência.

Já havia manifestações xenófobas na Europa – a partir da crise mundial – que se mostram em maior número agora com o acolhimento de asilados.

Os atentados vêm criando um efeito catalisador que certamente vai ter sérias consequências para os estrangeiros que vivem ou vierem a viver na Europa e que só vai fazer aumentar a adesão desses JOVENS EUROPEUS que saem da Europa com destino aos campos de treinamento do E.I. na Síria. Não foram os árabes que detonaram bombas, foram cidadãos europeus filhos de árabes, ou jovens europeus convertidos ao islamismo.

É possível pensar que nem tudo foi tão mal assim para esses valores ocidentais.

Os homens-bomba não se explodiram todos como planejado. Não entraram no Estádio de France, explodindo nos portões antes da saída do jogo. Dois que se explodiriam na Concorde desistiram. Dentre os que estiveram no Bataclan um gritava para que se deitassem no chão e assim ficassem enquanto disparavam, senão os mortos poderiam ter sido em muito maior número.

Assim como Merkel chama a atenção para os valores europeus – cristãos – de solidariedade, e os países se vêm às voltas com redefinição de sua política com relação aos imigrantes, também terá que a partir de agora refletir sobre como está alimentando esse exército infiltrado em cada família – que em seus depoimentos dizem desconhecer aquilo que seus filhos faziam… tal como com jovens brasileiros drogaditas…

Deixar de ouvir aos jovens, ignorar seus apelos,’incompreender’ seus anseios, sentimentos, necessidades, deixando-os sem um projeto consistente de vida, tem muitas consequências desastrosas. Aderir ao Estado Islâmico é apenas uma delas.

É preciso entender toda essa gama de situações para compreender com profundidade aquilo que está acontecendo… e a mídia ocidental não é o melhor veículo para prestar esse tipo de serviço já que seu interesse é a exploração da dor como forma de cultivar o medo por si só e com isso aumentar seus lucros!

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