A Relação Turismo e Natureza

A Relação Turismo e Natureza

The relationship tourism and Nature

 

Andréia Magalhães da Rocha[1]

Andréia Magalhães da Rocha é Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Piuaí- UESPI

RESUMO – Objetiva-se apresentar a importância da prática do ecoturismo, a partir da relação turismo e natureza, tendo em vista a necessidade de utilizar de forma sustentável o patrimônio natural e cultural de uma localidade. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi do tipo: bibliográfica e descritiva, visto que, pretende-se fazer um levantamento dos aspectos relevantes para a discussão proposta.

Palavras-chave: Ecoturismo, Impactos, Princípios, Diretrizes

ABSTRACT – It aims to present the importance of ecotourism practice, from the relationship tourism and nature, in view of the need to use sustainably the natural and cultural heritage of a locale. The methodology used in this research was of type: bibliographic and descriptive, since it seeks to make a survey of aspects relevant to the discussion the proposal.

Keywords: Ecotourism, Impacts, Principles, Guidelines

1 Introdução

O presente trabalho irá abordar a relação turismo e natureza, sob a ótica do ecoturismo que do ponto de vista econômico, é um segmento que tem obtido um crescimento considerável, ao longo dos últimos anos.

A metodologia abordada neste trabalho científico é desenvolvida a partir de dois tipos de pesquisa: bibliográfica e descritiva, onde se pretende fazer uma abordagem investigativa do tema proposto, relacionando os fatores determinantes para o desenvolvimento deste segmento.

No decorrer do trabalho serão discutidos os seguintes tópicos: os impactos causados pelo turismo na natureza; ecoturismo: eventos de destaque; aspectos metodológicos; considerações finais e referências.

 2 Os Impactos causados pelo turismo na natureza 

Segundo Dias (2005, p. 98) “o movimento de turistas ao redor do globo é em sua maioria consumidor de produtos compostos por recursos naturais”. Assim sendo, a natureza serve como base de sustentação para a prática do turismo e exerce uma grande influência sobre a demanda de visitantes em uma região.

De acordo com o autor supracitado os estudos dos efeitos do turismo no meio ambiente se intensificaram na segunda metade da década de 70 em função do turismo de massas e dos vários problemas causados por essa prática, apontando para a possibilidade de que seu crescimento poderia ser insustentável do ponto de vista ambiental, surgindo, portanto, a necessidade de um monitoramento permanente, ou seja, um planejamento de ações que promova o uso ordenado dos recursos naturais pelo homem.

De acordo com Ruschmann (1997, p. 9) “a finalidade do planejamento turístico consiste em ordenar as ações do homem sobre o território e ocupa-se em direcionar a construção de equipamentos e facilidades de forma adequada evitando, dessa forma, os efeitos negativos nos recursos, que os destroem ou reduzem sua atratividade”.

Para a autora o planejamento do turismo é importante, pois atua como um instrumento de gestão responsável dos recursos naturais a fim de que haja a conservação/preservação do local em termos de atratividade, amenizando a agressão ao meio ambiente e promovendo o desenvolvimento do setor na região.

Beni (2006, p. 62) considera que:

Para algumas pessoas, conservar representa somente uma atitude de proteção, de não-uso, com isso acreditam estar assegurando a permanência do recurso. Todavia, esquecem-se que os recursos naturais têm seu valor na medida em que são úteis para a satisfação de suas necessidades, e que não usá-los faz que percam sua qualidade de recurso.

Pode-se inferir que algumas pessoas veem os elementos naturais como estáticos, sendo que os mesmos não participam da dinâmica de desenvolvimento e perdem assim seu real sentido que é o de ser útil a uma necessidade, já que o ato de conservar não se reduz ao fato de deixar intacto, pois está relacionado ao exercício do lazer e entretenimento sem que haja perca de suas características originais, e que as gerações futuras possam utilizar esses recursos naturais com as mesmas características de hoje.

2.1 Ecoturismo: eventos de destaque 

Segundo Kinker (2002), a palavra ecoturismo começou a ser utilizada no começo dos anos 80 para acompanhar o crescimento do interesse mundial pela integridade do meio ambiente natural e a necessidade de conservá-lo, como reação aos impactos ambientais negativos provocados pela prática do turismo de massa em áreas naturais.

Em 1992, com a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente – ECO 92, no Rio de Janeiro/RJ, o ecoturismo ganhou visibilidade e impulsionou um mercado com tendência de franco crescimento[2].

De acordo com a publicação Cadernos e Manuais de Segmentação- Ecoturismo: orientações básicas (BRASIL, 2010, p. 17), disponível para download no site do Ministério do Turismo- MTUR (http://www.turismo.gov.br), o ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações.

Observam-se, nesse conceito, três pontos essenciais à prática do ecoturismo: a conservação dos ambientes visitados; o desenvolvimento sustentável que melhora a qualidade de vida e valoriza o ambiente natural e a formação de uma consciência ambientalista tanto dos autóctones[3] quanto dos turistas que visitam um determinado destino turístico.

Com a Conferência Mundial de Turismo Sustentável realizada na Espanha em 1995 foi elaborada a Carta de Lanzarote que propõe a adoção de princípios e objetivos referentes ao turismo sustentável tanto para a comunidade internacional, instâncias governamentais, instituições privadas quanto para o próprio turista[4].

Kinker (2002), diz que o turismo em áreas naturais pode ser chamado de ecoturismo quando apresenta três fatores importantes: conservação do meio ambiente visitado sendo ele natural ou cultural; conscientização ambiental tanto do turista quanto do residente e desenvolvimento local integrado.

Em New Paltz (Estados Unidos) na Mohonk Mountain House em 2000, foi firmado o Acordo de Mohonk, sendo discutidos e nivelados os princípios e componentes que devem fazer parte de todo programa sólido de certificação. Nesse evento, ficou decidido que os programas de certificação de turismo necessitam ser ajustados às características geográficas locais e aos respectivos segmentos turísticos[5].

Para Ceballos-Lascuráin (1996), a diferença entre ecoturismo e as demais práticas turísticas em áreas naturais é observada na aplicação dos princípios e valores éticos que se refletem diretamente no comportamento do turista nos seguintes quesitos: sustentabilidade com desenvolvimento e educação ambiental difundida.

Aprovada pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP) e pela Organização Mundial do Turismo (OMT) em 2002, a Declaração de Quebec, estabelece 49 recomendações para governos, iniciativa privada e comunidades, para a implementação do ecoturismo no contexto de desenvolvimento sustentável[6].

De acordo com o Instituto EcoBrasil Ecoturismo (2011) as atividades consideradas ecoturismo são: Tirolesa, cavalgada, passeios a pé em veredas e levadas, snorkeling e flutuação, observação de aves, cicloturismo, observação da fauna e flora, espeleologia, estudos do meio ambiente, trekking, parapente, asa-delta, balonismo, canyoning, rafting e turismo geológico.

3 Aspectos metodológicos

A metodologia utilizada nesta pesquisa abordou dois tipos de pesquisa: bibliográfica e descritiva, no intuito de disponibilizar de forma sistemática o tema proposto.

Para Rampazzo (2005, p. 53), a pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos do mundo físico e, especialmente, do mundo humano, sem interferência do pesquisador.

A priori o trabalho procurou relacionar a prática da atividade turística com a natureza, através dos impactos gerados pela atividade, seguido de uma explanação sobre o ecoturismo nos diversos aspectos: aspectos históricos e princípios; o ecoturismo no Brasil; diretrizes para a política Nacional do ecoturismo: análise e contextualização; aspectos metodológicos; considerações finais e referências, através de uma fundamentação teórica da evolução dos conceitos históricos.

4 Conclusão 

O ecoturismo é uma atividade recente, porém com uma importância relevante no contexto de desenvolvimento sustentável em uma região, pois incentiva a conservação do patrimônio natural e cultural, através da formação de uma consciência ambientalista a partir da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações.

Pode ser considerado uma ferramenta responsável por difundir as práticas ecológicas e o uso racional dos recursos naturais ao tempo que proporciona o lazer e entretenimento por meio da educação ambiental, atuando em conformidade com as diversas áreas sociais de uma localidade como: economia, educação, saúde entre outros.

No Brasil em especial, essa prática vem sendo difundida e absorvida com rapidez, visto que, existe uma potencialidade inigualável para a prática da mesma, a partir da diversidade de regiões, climas, relevos, culturas, tendo atraído investimentos consideráveis, bem como uma atenção especial do governo que insere o Brasil no contexto de desenvolvimento sustentável de destinos turísticos deste nicho de mercado, em virtude de seu gigantesco potencial que tem atributos para competir internacionalmente, visto que o ecoturismo, pois se configura como um elemento que promove o bem estar entre as várias relações desenvolvidas na natureza na contemporaneidade.

5 Referências 

BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 11 ed. São Paulo: ed. Senac, 2006.

BRASIL. Ecoturismo: orientações básicas. 2. ed. – Brasília: Ministério do Turismo, 2010. 

CEBALLOS-Lascuráin H.Tourism, ecotourism and protected areas: the state of nature-based tourism around the world and guidelines for its development. IUCN, Gland, Swirtzerland, and Cambrigde, UK, 1996.

DIAS, Reinaldo. Introdução ao Turismo. São Paulo: Atlas, 2005.

INSTITUTO ECOBRASIL ECOTURISMO – TURISMO SUSTENTÁVEL [Informações dispersas]. Disponível em: <http://www.ecobrasil.org.br>. Acesso em 25/07/2011.

KINKER, S. Ecoturismo e conservação da natureza em parques nacionais. Campinas, SP: Papirus. 2002. 224p.

MINISTÉRIO DO TURISMO [Informações dispersas]. Disponível em: <http://www.turismobrasil.gov.br> Acesso em 26 de Jul. de 2011.

RAMPAZZO, Lino. Metodologia científica para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Edições Loyola. 3 ed., 2005.

RUSCHMANN, Doris Van de Meene. Turismo e Planejamento Sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas, SP. Papirus. 14 ed., 1997. – (Coleção turismo).

 

 

 


[1] Bacharel em Turismo pela Universidade Estadual do Piuaí- UESPI.

[2] Disponível para download no site do Instituto EcoBrasil Ecoturismo – Turismo Sustentável (http//www.ecobrasil.org.br).

[3] Segundo Beni (2006, p. 85) é a comunidade estável, receptora de importantes grupos em mobilidade.

[4] Idem

[5] Idem

[6] Idem

PS : artigo publicado originalmente na Revista Partes em 10/12/2011

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