O ensino de Geografia nas Séries Iniciais: o que dizem as professoras e os alunos?

Sidnei Floriano Filus[1]

Wanda Terezinha Pacheco dos Santos[2]

 

RESUMO

Cataratas 277

Sidnei Floriano Filus – Graduando no curso de Geografia pela UNICENTRO- Universidade Estadual do Centro Oeste. E-mail: sidefilus@ig.com.br

O presente trabalho objetivou fazer uma análise de como ocorre o processo de ensino da Geografia nas séries iniciais do ensino fundamental. A pesquisa, numa escola municipal da cidade de Irati – PR abordou questões sobre o entendimento da Geografia, através da entrevista com a professora do primeiro e a do quinto ano e atividades com alguns alunos das séries iniciais. Neste artigo, foram abordadas as características das aulas, temas e metodologia utilizadas pelas professoras para que se possa investigar como os alunos identificam a Geografia.                                                                                                                                                                   

Palavras-chave: Geografia; Educação; Metodologia; Séries iniciais

ABSTRACT

This study aimed to analyze how the geography teaching process in the early grades of elementary school is. The research, in a municipal school in the city of Irati – PR addressed questions about the understanding of geography, through the interview with the teacher of the first and the fifth year and activities with some students of the initial series. In this article, the characteristics of the classes were addressed, issues and methodology used by teachers so that we can investigate how students identify geography.

Key Words: Geography; Education; Methodology; Initial series

 

Introdução

Wanda Terezinha Pacheco dos Santos – Orientadora. Doutora em Educação pela UNICAMP. Professora de Ensino e Estágio Supervisionado do Curso de Geografia da UNICENTRO – Campus de Irati – PR. E-mail: wanda.pachecosantos@gmail.com

Sabe-se que os conhecimentos adquiridos nos primeiros anos, são de suma importância e podem servir de bagagem para toda vida estudantil, profissional e pessoal do indivíduo. Diante disso é fundamental que seja tomado o cuidado para que haja uma base adequada.

A educação deve ser prioritária, pois os rumos que a sociedade tomará, dependerão de quanto seus futuros organizadores estiverem bem preparados. Vivemos em uma sociedade que determina cada vez mais informações de forma complexa e integrada. Neste contexto, é preciso enfatizar a importância do ensino da Geografia com todas as suas especificidades, pois é ela que poderá trazer um entendimento de espacialização, noções climáticas, diferenças territoriais e mais um infindável número de princípios práticos que ajudam no desenvolvimento do indivíduo.

Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi verificar como ocorre o processo ensino de Geografia nas séries iniciais, para que se possa investigar como os alunos estão compreendendo o conteúdo e se eles realmente conseguem perceber até que ponto essa disciplina interage com as suas práticas do dia a dia.

Este trabalho se desenvolveu numa abordagem qualitativa, com coleta de dados através de questionários com perguntas abertas a duas professoras da escola pesquisada, sendo uma que atua no primeiro ano e outra no quinto ano.

Para os alunos foi solicitado que fizessem um desenho sobre o que entendiam sobre Geografia.

                    A Geografia nas séries iniciais

Os professores das séries iniciais enfrentam um grande desafio, precisam encontrar formas de trabalhar que satisfaça a proposta curricular que lhes é apresentada e orientar através do valor social que as disciplinas apresentam na formação da criança.

A professora do primeiro ano, que atua há doze anos, define Geografia como “a ciência que estuda a Terra” e considera que a importância de trabalhar esta disciplina consiste em que “o aluno conheça o lugar onde vive”. Os conteúdos trabalhados são o planeta Terra, população brasileira e divisão política.

 Percebemos na sua fala que há uma definição bastante simplificada, talvez porque como ela mesmo relata, não existe preparação específica para atuar nesta área, por isso diz encontrar dificuldades nesta disciplina.

A professora do quinto ano, formada em Pedagogia, apresenta a mesma queixa, problemas em trabalhar os conteúdos de Geografia por não ter uma formação voltada para a área.

Para Bonfim (2006, p.03),

É preciso que haja um aprofundamento nas temáticas sobre a realidade da geografia escolar e a formação e prática dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, visto as dificuldades que estes encontram na sua formação de magistério.

A professora do quinto ano está nesta escola há oito anos. Define Geografia como uma “ciência que estuda o espaço geográfico, e que auxilia a criança a compreender e respeitar onde está inserida”. Os conteúdos abordados são relacionados ao Estado do Paraná, como divisão política, por exemplo.

Dessa forma, percebemos que existe conteúdo de Geografia no contexto escolar das séries iniciais, porém as professoras afirmaram que o maior intuito, principalmente no primeiro e segundo ano, é a alfabetização e noções básicas de operações matemáticas.

 A Geografia se divide em campos de conhecimento e é mais complexa e interessante do que algumas metodologias de ensino apresentam, no entanto em geral possuem uma carga horária reduzida, como se oferecessem uma base de conhecimento de menor valor. Somando-se isso, há a supervalorização da Matemática e Português.

De acordo com Straforini (2002, p.96):

Sabemos que nos primeiros ciclos do ensino fundamental o ensino de geografia, assim como as outras disciplinas que não sejam Português e Matemática, ocupam um papel secundário, muitas vezes irrelevante no cotidiano da sala de aula. Sabemos que este problema decorre da falta de discussões teóricas, metodológicas e epistemológicas, bem como do grande problema na formação dos professores das séries iniciais, que assumem as suas dificuldades perante a discussão teórica das referidas disciplinas.

Na análise das atividades apresentadas às crianças, observamos que grande quantidade das atividades foram desenhos representativos do planeta Terra, do Sol e alguns de paisagens com árvores e cachoeiras. Não que isso também não faça parte do contexto, porém o entendimento da Geografia parece basear-se em um ensino tradicional, com conceitos repetitivos.

Para Vygotsky (1996), a sala de aula deve ser espaço de interação, no qual aluno e professor aprendem em contato com suas experiências, ou seja, priorizando as interações entre os próprios alunos e deles com o professor.

Segundo a professora do primeiro ano, o trabalho é desenvolvido através de vídeos, atividade dos livros, pesquisas e desenhos. Procura desenvolver a curiosidade e criatividade dos alunos, trazendo atividades que despertem o interesse delas. A professora do quinto ano desafia e desperta a curiosidade através da pesquisa no laboratório de informática.

Para Nadal (2007, p. 132):

Ensinar Geografia hoje é auxiliar o aluno a compreender o mundo em que vivemos; enfocar criticamente a questão ambiental e as relações sociedade/natureza, realizando constantes estudos do meio, oportunizando aos alunos a interpretação de textos, fotos, mapas e paisagens. Entendemos que é por esse caminho que a Geografia escolar vai sobrevivendo e, até mesmo, ganhando novos espaços nos melhores sistemas educacionais. Para isso o professor necessita criar, ousar, aprender ensinando.

Percebemos que isso não ocorre na prática. Analisando os desenhos dos alunos podemos observar a ideia de Geografia é restrita principalmente a paisagens, o que remete àquele conhecido significado: geo-terra, grafia-estudo, reforçado quando uma das professoras a sintetiza como “ciência que estuda a terra” e a outra como “ciência que estuda o espaço geográfico.” É necessário que a escola reveja suas práticas de ensino, pois dessa forma, podem repetir os mesmos padrões de ensino e a percepção sobre Geografia também poderá continuar a mesma.

Considerações finais

A situação descrita pelas professoras demonstra, infelizmente, que nas séries iniciais existe um empenho maior na alfabetização e nas operações matemáticas básicas. O que parece é que basta que os alunos aprendam somente a ler e contar, como se isso fosse suficiente para prepará-los para se tornarem cidadãos. Ao contrário, é preciso considerar a relevância de outras disciplinas como a Geografia, podendo-se dizer que ela constrói a identidade da criança, pois demonstra sua localização, o conhecimento espacial e diversidade biológica do espaço em que vive e interage com outras pessoas.

Ao observar os dados, entendemos que ainda existe uma visão bastante limitada da Geografia, até por parte dos professores, uma vez que as definições que elas possuem da disciplina são bastante restritas.

De que forma o professor poderia auxiliar o aluno na compreensão real do significado da Geografia e o que seria esse ensino? Podem fazer com que os conceitos que os alunos trazem de casa e adquirem em seu dia a dia fossem gradativamente tornando-se conceitos científicos, sendo o professor corresponsável por esse desenvolvimento.

Dessa forma, contribuir para que haja um maior empenho em garantir uma aprendizagem significativa de Geografia e adequada nas séries iniciais, para que os alunos vão gradativamente desenvolvendo uma visão correta do que ela de fato representa.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, B.; Antônio, C.A.; FRANCISCHETT, M.N.; GHEDINI, C. M., LUCINI,M. A Formação do pedagogo para educação básica e docência nas áreas de conhecimentos específicos. São Cristóvão: Editora UFS, 2012.

BOMFIM, N. R. A Imagem da Geografia e do Ensino da Geografia pelos Professores das Séries Iniciais. Estudos Geográficos, Rio Claro, 4(1): 107-116, Junho-2006. Disponível em www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

____. GEOGRAFIA ESCOLAR: QUAL O SEU PROBLEMA? Caminhos de Geografia 7 (18) 123 – 133, jun/2006.

NADAL, B. G. Práticas Pedagógicas nos Anos Iniciais – Concepção e Ação. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2007.

STRAFORINI, Rafael. A totalidade mundo nas primeiras séries do ensino fundamental: um desafio a ser enfrentado. Terra Livre, São Paulo, v.1, n.18, p. 95-114, jan/jun. 2002.

VYGOTSKY, L. S., LURIA, A. R, A história do comportamento: O Macaco, o Primitivo e a Criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.


[1] Graduando no curso de Geografia pela UNICENTRO- Universidade Estadual do Centro Oeste. E-mail: sidefilus@ig.com.br

 

[2]Orientadora. Doutora em Educação pela UNICAMP. Professora de Ensino e Estágio Supervisionado do Curso de Geografia da UNICENTRO – Campus de Irati – PR. E-mail: wanda.pachecosantos@gmail.com

 

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