vovobisa

Aparecida Luzia de Mello*

Cida Mello é mestre em Políticas Sociais.  E-mail: cidamell@uol.com.br

Cida Mello é mestre em Políticas Sociais.
E-mail: cidamell@uol.com.br

Numa manhã gelada de inverno a filha liga desesperada para a mãe e chorando lhe contou que a neta estava na cama em depressão. A garota havia brigado com o namorado, haviam desmancharam o romance e por causa disto não queria comer, tomar banho, estudar, viver…

Além disto, não admitia que entrassem em seu quarto e aquele que arriscasse levava sapatada na cara. A bandeja voou e o prato de comida se espatifou na parede.

A porta só não estava trancada porque a mãe conseguiu pegar a chave e esconder, senão…

A avó do outro lado da linha ouviu tudo e ficou calada. A filha retrucou:

-: mãe você não diz nada! O que eu faço? Eu me ofereci para leva-la ao médico e ela não quer. Ofereci um psicólogo e ela não quer. Diz que quer morrer… Mãe o que eu faço? Ajude-me, por favor!?!

E caiu numa crise de choro no telefone que deu dó.

A senhora continuou a ouvir, depois que o choro diminuiu ela finalmente falou:

-: “me dá” uma hora e estarei aí… Vou falar com ela e sei que me ouvirá!

A mãe da garota não acreditou muito no que ouviu, mas precisava de ajuda, na verdade ela queria mesmo era um colo, apoio, conforto moral, ou algo parecido para continuar a enfrentar e segurar a “barra” com a filha e aceitou a possibilidade daquela avó tentar conversar com a neta.

Uma hora depois lá estava a avó da jovem chegando ao apartamento carregando uma bolsa enorme. Quis saber se a jovem continuava em seu quarto, se estava sentada, deitada, coberta, descoberta, com que roupa estava, etc….

A filha estranhou as perguntas, mas respondeu. Informou que a filha estava deitada na cama, de pijama e coberta por uma colcha de algodão estampada de coraçõezinhos.

A avó então pediu para a filha sair e voltar só depois de uma hora. Ouve relutância, pois ela não queria deixar a idosa sozinha de jeito nenhum com a neta em depressão. Mas a senhora foi dura:

-: você não pediu ajuda? Eu vim para ajudar! Então saia e volte somente daqui uma hora.

A filha ressabiada saiu e foi dar uma volta no bairro. Afinal seria uma forma de esfriar a cabeça.

A avó trancou a porta do banheiro por fora e dos outros quartos também. Abriu sua bolsa enorme na cozinha e preparou seus argumentos.

Com toda cautela abriu devagarinho a porta do quarto da jovem e entrou no quarto pé ante pé, preparou-se, e, chegando bem perto da jovem disse:

-: agora chega de graça! Saia desta cama já ou você vai se arrepender!

         A jovem ao ouvir a voz da avó, descobriu a cabeça e gritou:

-: saia já daqui você, eu não quero te ver, Saia! Saia! Saia!

Enquanto isto a avó contou:

-: 1, 2, 3, “tchibum” !!!!

         Jogou um balde de 20 litros d’água gelada com alguns cubos de gelo ainda derretendo, em cima da jovem.

A jovem deu um pulo e um grito que assustou até os vizinhos mais próximos que estavam sabendo o que se passava com aquela jovem. Mas a avó já estava armada com outro balde de água gelada e atacou de novo.

A menina de olhos esbugalhados não tinha reação e tremendo olhou para a avó e disse baixinho:

-: vó, você ficou louca? Quer me matar de frio?

E desabou a chorar…

         A avó então a abraçou e lhe ofereceu um banho quente.

Sem nada dizer a jovem levantou da cama e foi para o banheiro tomar um banho para se aquecer…

Enquanto isto a avó preparou um chá quente, com torradas e manteiga.

Quando a mãe retornou depois de uma hora, as duas, neta e avó estavam na sala tomando chá com torradas, batendo papo e a avó acariciando os cabelos molhados da neta.

Ela não acreditou no que viu. A avó olhou para a filha e sorrindo disse:

-: eu só apliquei a psicologia de vó!

Obs.: recentemente esta avó se tornou BISA e está radiante!

* Mestre em Políticas Sociais.

Email: cidamell@uol.com.br

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