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Deputados comentam decisão de Waldir Maranhã em 09 de maio de 2016. Foto José Cruz – agência Brasil

O QUE SERÁ O AMANHÃ? RESPONDA QUEM PUDER!

Davys Sleman de Negreiros[1]

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DAVYS SLEMAN DE NEGREIROS, Cientista Político, Escritor, Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia – IFRO Campus Cacoal, e-mail: davys.negreiros@ifro.edu.br

            Independente de que lado você esteja nesse momento, se é que agora tenhamos algum lado, temos que concordar que a política contemporânea – ampliada, alargada e predominantemente realizada enquanto hegemonia exige – importante momento/movimento de realização pública. A política, antes centralmente segredo, exclusão e violência, passou a ser, de modo significativo uma atividade pública, uma luta pública no campo de forças que são os meios de comunicação, uma busca pública de aglutinação e ampliação de poder em meio às contradições e conflitos que marcam a vida sócio-midiática.

            A contaminação da política pela comunicação não se esgota no deslocamento do poder ocasional de temas/atores/cenários. A questão da adequação da política às regras e à gramática da mídia, de imediato, coloca-se no centro da análise, como temos visto e ouvido nos vários meios de comunicação escritos (jornais, revistas, sites e blogs) e falados (televisão, rádio, sites e blogs), que tem “batido” numa mesma tecla desde o início desse processo de impeachment, de que estamos num período de trevas, de colapso, de tragédia, de esgotamento de alternativas, enfim, sem saída: Produto Interno Bruto -3,5% (2º pior desempenho do mundo), taxa de investimentos com queda de 18% (devido as repercussões do escândalo da Petrobrás, afetou não só os investimento na área do petróleo e gás, mas também, em infraestrutura, com resultado do envolvimento das principais empresas da construção civil no “Caso Petrolão”), queda da Poupança em 14,4%, Inflação por volta de 10,8%, Redução da meta do superávit primário em R$ 2,8 bilhões e Desemprego de 11,1 milhões de trabalhadores, consolidando numa das mais profundas recessões em 25 anos, a falta de uma base de sustentação no Congresso dificultando a governabilidade, o que tem gerado na população choque e pavor, estados que tem criado medo, perigo e destruição dos sonhos e planejamentos para a maioria das pessoas.

            Essa midiatização anunciando a todo o instante, catástrofes políticas, econômicas e sociais, nos faz lembrar do modo de agir do grande guru do movimento pelo capitalismo sem grilhões “Tio Miltie” como era conhecido por seus seguidores, ou somente, Milton Friedman que pregava em seu último Editorial para o The New York Times “…eu chamo esses ataques orquestrados à esfera pública, ocorridos no auge de acontecimentos catastróficos, e combinados ao fato de que os desastres (naturais ou artificias) são tratados como estimulantes oportunidades de mercado, de “capitalismo de desastre”, ou seja, esperamos uma grande crise, para vendermos partes do Estado para investidores privados, enquanto os cidadãos ainda se recuperam do choque, e depois, transformamos as “reformas” em mudanças permanentes”.

            Ele ainda complementava, que “uma nova administração tem de seis a nove meses para realizar as principais mudanças; caso não agarre a oportunidade para agir de modo decisivo durante esse período, não terá outra chance igual”, desse modo, com a equipe econômica que tem sido anunciada num provável governo Michel Temer (todos possuem como paradigma administrativo os ditames de Friedman), acreditamos que irão, infelizmente, propor uma reforma econômica bastante rápida: corte de impostos, livre-comércio, serviços privatizados, cortes nos gastos sociais e desregulamentação, mesmo que venham dizendo ao contrário em suas aparições na mídia.

            Esperamos e torcemos que no amanhã a entrada do novo governo, possamos lutar contra aqueles que acreditam na doutrina do choque, pois, estão convencidos de que somente uma grande ruptura, pode criar o tipo de tela em branco, grande e limpa que eles tanto procuram. Afinal, é somente nesses momentos maleáveis, quando estamos psicologicamente fragilizados e fisicamente esgotados, que esses artistas do real esfregam as mãos e iniciam o trabalho de refazer o mundo pelas suas óticas e interesses.



[1] DAVYS SLEMAN DE NEGREIROS, Cientista Político, Escritor, Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia – IFRO Campus Cacoal, e-mail: davys.negreiros@ifro.edu.br

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